Diário da Manhã

segunda, 25 de setembro de 2017

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ARTE DE TRANSFORMAR : Esculpindo a dignidade e cidadania

14 julho
08:33 2017

Zabelê Beremi Bambata, a menina de sucata, é narrativa com criança negra que vive feliz com a sua família. Como desejo, ela quer muitas aventuras. Daí, pede à mãe que a ajude a criar amigos. Elas então, passam a recolher sucata, e começam a criar os personagens. Como amigos, crianças – até com necessidades especiais -, palhaços e animais. A ideia é que, se o leitor também reunir sucata, reaproveitando-as, poderá criar seus próprios amigos. Outro aspecto é que a brincadeira, também contribui para a preservação ambiental. Um pouco da obra de autoria da artista Jocelaine Machado, que se identifica como “Jô da Sucata”. Residente em Porto Alegre, no sábado ela participou do Encontro de Mulheres da Guabiroba. No evento, sob a coordenação de Luciana Custódio, Jô explanou sobre suas esculturas “lúdico-criativas”, bem como o livro-catálogo “Zabelê Beremi Bambata – a menina de sucata”.

Artista popular Jô trabalha com esculturas em materiais reaproveitados

Artista popular Jô trabalha com esculturas em materiais reaproveitados

CIDADANIA – A autora explica sobre a publicação: “Trata-se de um livro-catálogo em que todos os personagens e a ilustração são feitos em sucata, e da exposição das obras nele apresentadas. Na sua composição ele abrange os temas: diversidade humana, autoestima da criança negra, universo mágico e lúdico infantil, arte com sucata e educação ambiental. Não classifico a obra somente como um livro infantil. O interesse das pessoas pelo projeto Zabelê Beremi Bambata, a Menina de Sucata, pode ter motivos diversos: porque é um livro com personagens negros, o que ainda é raro no Brasil; porque é um catálogo de arte; porque traz ilustrações com personagens de sucata; porque incentiva o cuidado com o meio ambiente; porque ressalta a convivência entre os diferentes. Seja qual for o motivo, ao elegê-lo o leitor estará levando os outros, necessariamente. No caso específico de educadores, o livro representa uma rica ferramenta pedagógica, tanto na área artística, na área das relações etnico-raciais, inclusão ou na área ambiental. Desta forma, o público-alvo do projeto são pessoas de todas as idades, que admiram a arte popular e, particularmente, as pessoas que tenham envolvimento com a educação”. Para conhecer e saber mais: facebook.com/jodasucata

TRANSFORMAR – Jô acrescenta: “A ideia central do meu projeto é a transformação, pois busca demonstrar que, coisas julgadas inservíveis, podem ser exatamente o que precisamos, desde que saibamos transformá-las. Falar desse projeto implica em falar sobre a educação ambiental, que é um tema transversal e que desperta a condição de cidadania ativa, ampliando seu significado para um movimento de pertencimento e corresponsabilidade das ações coletivas. Implica também em falar sobre usar a criatividade para descobrir novos meios, caminhos e linguagens que sejam apropriados e adequados para cada realidade, isto é, para o avanço no combate a práticas que atentem contra a cidadania e dignidade das pessoas”.

Jô da Sucata 4Educação para a sustentabilidade

Jô tem realizado exposições dos trabalhos, e apresentado workshops em diferentes cidades gaúchas. Ela, no entanto, salienta que não ministra oficinas. Conforme explica, para isso é necessário dispor de boa quantidade e varidade de sucata. Em geral, observa, público lembra de materiais como garrafas pet, tampinhas e embalagens ‘tetrapak’. Essa limitação pode, enfatiza, até estimular o consumo de determinados produtos. Cabe, então, a educação para a sustentabilidade.

Jô da “Sucata” participou do Encontro de Mulheres no sábado

Jô da “Sucata” participou do Encontro de Mulheres no sábado

EDUCAR – “No fundo está a necessidade de educação para a sustentabilidade, onde entram as noções de consumo consciente e a separação de materiais. Trabalhar com sucata, ludicamente, de forma isolada, não contempla esta necessidade. Outra questão é que geralmente o tempo disponível para trabalho em oficinas é muito curto, e o processo que realizo é demorado, sendo que algumas peças levam vários dias de trabalho. Sendo assim, ao invés de promover uma oficina onde as pessoas fariam uma peça no máximo, prefiro trabalhar no formato de workshop, onde eu apresento várias peças e discuto com os participantes as técnicas, materiais, desafios, dificuldades,ou seja, coloco à disposição a minha experiência sobre o assunto de forma a referenciar o trabalho dos presentes”, conclui a artista.

Por: Carlos Cogoy

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