Diário da Manhã

quinta, 13 de agosto de 2020

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CAPOEIRA : Festival “Canto Online” valoriza músicas autorais

09 julho
09:16 2020

Com participantes de diferentes Estados, festival premiou letra sobre princesa negra

Por Carlos Cogoy

Capturada pelos portugueses no Reino do Congo, a princesa Aqualtune foi trazida para Recife ao fim do século XVI. Escravizada, sofreu como reprodutora. Ela, no entanto, conseguiu liderar uma fuga, e escondeu-se na mata. À frente da resistência, participou do núcleo que se tornaria o Quilombo de Palmares. Seu neto Zumbi, viria a ser o último líder do Quilombo. A história inspirou a jovem Bruna de Abreu Cardoso (capoeirista Sabiá), que contou a história numa letra, e também interpretou a música. Bruna, assim como outros 23 capoeiristas de diferentes Estados, gravou vídeo e inscreveu-se no 1º Festival Canto Online de Capoeira. Idealizado pelo contramestre pelotense Carlos Bento “Jarrão” Freitas Barcellos Jr, o festival teve como jurados os mestres Velho José (Inglaterra), e Carlo Alexandre (Rio de Janeiro). No domingo, Bruna foi escolhida com o primeiro lugar entre os dez finalistas. Os vídeos com os participantes, podem ser assistidos no canal Ponto Capoeira no Youtube.

Idealizador Jarrão e Moa do Katendê (1954/2018)

Idealizador Jarrão e Moa do Katendê (1954/2018)

FESTIVAL foi uma alternativa para agregar capoeiristas durante o período de distanciamento social. O contramestre Jarrão destaca a originalidade das canções, a disposição em gravar e enviar vídeos. Para ele, todos foram vitoriosos, pois fortaleceram a cultura da capoeira. Como premiação, Bruna e os demais escolhidos pelos jurados, estarão recebendo álbuns de capoeira. Em segundo lugar, dois colocados: Grabrielle Paulini de Oliveira, e Paulo Augusto “mestre Macarrão” Rodrigues Jr. Na terceira colocação, também dois participantes: Pâmela “Panda” Lemos Feijó, e contramestre Lagartixa. Em destaque no festival, Jalan José da Silva, cuja letra tem como refrão “A saudade é a única coisa que o vento não leva”. Como destaques infantis, as meninas Kauane “Sininho” Souza da Rosa, e Eduarda – capoeirista “Docinho”. A “live” com os jurados e os escolhidos, pode ser acessada na Fanpage “Jornal o Coletivo”.

COORDENAÇÃO – Na equipe técnica do festival, conforme Jarrão, o contramestre Pastel, os professores Tiaguinho e Samuel, e o contramestre Catuca. Para participar não houve restrição à prática Regional ou Angola. Também não houve distinção entre aluno, graduado ou mestre. Todo capoeirista foi bem recepcionado. Além de capoeiristas brasileiros, também houve duas inscrições da Colômbia.

JARRÃO há 26 anos dedica-se à capoeira. Na periferia urbana de Pelotas, já coordenou mais de dez projetos de capoeira, em locais como Colônia Z3, loteamento Dunas, Navegantes. Antes da quarentena, estava ministrando oficina na Balsa, sempre às segundas das 10h às 11h30min, e das 15h às 16h30min. Aos sábados, roda de capoeira no Mercado e Praça Cel. Pedro Osório. Quinzenalmente, aos sábados pela manhã, também organizava práticas e piqueniques para crianças. Em 2013, lançou o livro “Ser capoeirista”. Entre 2015 e 18, residiu na Inglaterra, e participou de oficinas e projetos na Grécia, Itálica, Bélgica, França e Alemanha.

 

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