Diário da Manhã

domingo, 05 de julho de 2020

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COLECIONADOR XAVANTE : Marcelo Barboza conta a história do clube através de suas camisas

25 junho
08:58 2020

Em entrevistas realizadas nesta semana, o torcedor rubro-negro reencontra momentos marcantes do clube

Por: Henrique König

Com mais de 250 camisas em uma coleção inestimável, Marcelo Barboza – O Colecionador Xavante – conversou esta semana sobre suas peças referentes ao Grêmio Esportivo Brasil, através da Rádio Conexão Xavante, com César Porto, e com o Teófilo Colecionador, torcedor do Vila Nova, de Goiânia.

Marcelo Barboza

Marcelo Barboza

Marcelo saiu de Pelotas para Curitiba em 2001 e mora em Joinville desde 2004. Já é meia vida distante do estádio Bento Freitas. Mas ele comemora o avanço do Xavante nos últimos anos. Escalar os campeonatos nacionais até a Série B, onde tem se mantido. Em termos reflexivos, propõe a pergunta aos torcedores: quem imaginaria assistir ao Xavante a cada rodada de uma Série B, com transmissão em HD pela televisão? Oportunidade para quem foi ganhar a vida em outras cidades. E foi nessa distância que a saudade falou alto e Marcelo encontrou-se com a história do Grêmio Esportivo Brasil, em trabalho iniciado com o pesquisador Izan Muller. As descobertas históricas e o crescente acervo de camisas o aproximaram de volta.

Teófilo Colecionador disse que o Brasil dá aula, entre as pessoas que acompanham o clube, com excursões e torcida visitante onde quer que ele jogue e também destaca que os xavantes valorizam muito bem seus ídolos.

“O Brasil já passou por maus bocados. Não fechou as portas porque a torcida carrega o clube nas costas o tempo todo. Tivemos momentos bem ruins, como o acidente em 2009. Nem gosto muito de falar porque é uma história muito triste. Mas ficam recordações. Outros clubes não teriam permanecido após um acidente tão grave. Foi algo desumano o número de partidas obrigatórias na sequência”, afirmou Marcelo.

Na live com o goiano, Barboza exibiu camisas dos anos 1980, o tempo em que o Xavante era treinado por Luiz Felipe Scolari, o técnico pentacampeão mundial com a seleção, e depois pelo também histórico Valmir Louruz. Uma das camisas foi usada pelo lateral Jorge Batata, que depois atuou por clubes de

Goiás. A peça da coleção de Marcelo foi utilizada na fase semifinal do Campeonato Brasileiro de 1985, no enfrentamento do Brasil com o Bangu, no estádio Olímpico, em Porto Alegre.

“Daquele ano, os 2 a 0 sobre o Flamengo são memoráveis até hoje. Zico havia voltado da Itália para o Flamengo. Eles fizeram um seguro especial para ele, achavam que iriam quebrá-lo no jogo. Os gols foram de Bira e Junior Brasília, o segundo sendo um gol espírita. Essa camisa de 1985 é uma das minhas preferidas, pelo significado, e está intacta ainda.”

Marcantes são as experiências em estádio e o Colecionador Xavante começou suas aventuras nas canchas na década de 1990:

Marcantes são as experiências em estádio e o Colecionador Xavante começou suas aventuras nas canchas na década de 1990:

“Em 1991, estreei num clássico Bra-Pel. O Brasil ganhou de 1×0. O Xavante vinha na segunda divisão do Campeonato Gaúcho e, quando subiu, houve o clássico. O Brasil vinha mal, na montanha-russa, entre disputar o Campeonato Brasileiro entre o fim dos anos 1970, o terceiro lugar em 1985 e depois, na mesma década, já estar na segunda divisão do Estadual. Naquele clássico do retorno, o gol foi do Lambari. Tem a história dele ter tirado o galho de arruda do goleiro ídolo do Pelotas, o Juarez. Ele comemorou muito, chegou a ser expulso. Aí no final da partida, Lambari devolveu a arruda ao Juarez”, relata suas lembranças.

“A torcida do Brasil tem o fanatismo de acompanhar o clube. Em Goiânia, onde for, sempre vai haver gente. O potencial da torcida rubro-negra é também muito referente aos jogos fora.”

Também citou o enfrentamento com o Flamengo em Copa do Brasil, quando o Bento Freitas era quase todo xavante, com a torcida dos cariocas em um cantinho. Exemplificou como o Brasil é predominante sempre em casa, seja contra o Grêmio, contra o Inter ou contra qualquer visitante, como esse caso de encarar os flamenguistas, clube de maior torcida no país inteiro.

Seu maior ídolo foi Luizinho Vieira, meio-campista sagrado que se tornou um amigo pessoal. “Quando era falta perto da área, a torcida já sabia que seria gol.” Quando o Brasil eliminou o Grêmio em 1998, no Estadual, Cléber Gaúcho fez o primeiro gol da vitória no Olímpico e a Penalty lançou muitas camisas com o número que ele atuava, o 18. Marcelo tem uma dessas, mas alerta que muita gente tenta vender as famosas número 18 como se fossem utilizadas em jogo, por conta da numeração peculiar, que foge dos padrões 10, 7 ou 9 nas costas.

Marcelo tem também a camisa do lateral Fabinho, arremessada para a torcida após o famoso “Bra-Pel dos 9”, a vitória do Xavante no clássico em que teve dois jogadores expulsos e venceu com o extinto critério do gol de ouro, na prorrogação. O colecionador elogiou os tempos da fornecedora Placar por se preocupar em abastecer a torcida, diferente de outras marcas que escasseavam as vendas.

Para ele, a mais especial é a última de jogo utilizada pelo ídolo Claudio Milar. A última partida oficial do uruguaio pelo clube foi contra o Rio Branco do Acre, na Série C de 2008. Em um jantar com o autor de mais de 100 gols pelo clube, dias antes do acidente, Marcelo Barboza conseguiu a assinatura, o autógrafo de Milar.

Na última divisão cronológica, nos acessos nacionais, o Colecionador Xavante conseguiu os uniformes do goleiro Eduardo Martini. Para ele, são camisas das maiores atuações de um goleiro já vistas por um clube. Por fim, recorda a usada pelo zagueiro Teco, em promoção na Série B de 2016, em que cada atleta entrava com o nome de algum torcedor participante. O defensor representou Marcelo Barboza. Na partida, o Xavante venceu o Avaí pelo placar de 3×0.

Como recado final, Marcelo destacou a importância de ações representativas, como essa dos jogadores entrarem em campo com o nome de sócios-torcedores, oportunidades de aproximar os aficionados com os atletas. Isso estimula a torcida a participar e aumenta o vínculo dos profissionais da bola com os clubes, pois o ritmo de atuarem pouco tempo em cada equipe é cada vez mais passageiro.

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