Diário da Manhã

domingo, 16 de dezembro de 2018

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Dirigir por longas horas aumenta risco de problemas na coluna

Dirigir por longas horas aumenta risco de problemas na coluna
27 novembro
15:27 2018

Dirigir pode ser prazeroso, principalmente quando não há trânsito e você está indo passear

Entretanto, para quem usa o carro ou moto como meio de transporte para ir trabalhar, passar horas ao volante pode aumentar o risco de desenvolver problemas na coluna, joelhos e outras estruturas do sistema musculoesquelético.

Segundo uma pesquisa feita pelo IBOPE em 2015, 48% dos paulistanos gastam pelo menos duas horas no trânsito, seja para ir trabalhar, levar os filhos na escola, fazer supermercado, entre outras atividades do dia a dia. E por mais confortável que seja o automóvel, passar tanto tempo assim dirigindo é um verdadeiro perigo para o corpo humano, que não foi feito para ficar parado.

A fisioterapeuta Walkíria Brunetti, especialista em RPG, Pilates e Dor, explica que na prática clínica é muito comum receber pacientes que chegam com lombalgia e cervicalgia, quase sempre relacionadas ao tempo de exposição no trânsito e à má adaptação da posição na hora de guiar.

“Quem mora longe do trabalho ou fica muito tempo preso em congestionamentos, acaba adotando a mesma posição e realizando movimentos repetitivos, como engatar a marcha, por exemplo. Além disso, o próprio estresse frente ao trânsito deixa a musculatura mais tensa, levando à dores e desconfortos. Outro ponto é que a maioria das pessoas desconhece as medidas que poderiam ajudar a preservar o sistema musculoesquelético de lesões causadas ao volante”, explica Walkíria.

Lombalgia é principal queixa

                A dor mais prevalente é na coluna, nas regiões lombar e cervical. “Hoje a maioria dos carros oferece bons apoios, mas nem todos. Muitas vezes as pessoas não sabem qual a melhor posição para guiar. Com isso, as curvaturas da coluna ficam sobrecarregadas. Há pessoas que também podem sentir dor no nervo ciático ao engatar a marcha, dependendo da distância do banco para o pedal, por exemplo. Outra dor que pode se desenvolver é nos joelhos, principalmente quando há congestionamentos em que a pessoa precisa ficar trocando a marcha muitas vezes”, comenta a fisioterapeuta.

Principal causa de afastamento

                No Brasil, segundo dados do INSS, a dor nas costas é a principal causa de afastamentos do trabalho. Outro dado interessante, é que segundo uma pesquisa, a prevalência de dor musculoesquelética em trabalhadores, como motoristas de caminhão, por exemplo, é de 53,5%, sendo que 38,5% deles apresentam dor na coluna lombar.

Algumas dicas

                · Encosto: A primeira regra é que a coluna precisa ficar totalmente amparada no encosto, que não deve nem ficar reto demais, nem muito abaixado. É fundamental que haja sustentação para a região lombar.

· Pernas: A distância das pernas para os pedais é fundamental para não sobrecarregar os joelhos, assim como para evitar as dores no nervo ciático. A dica é não encostar a panturrilha (batata da perna) e nem a parte de trás dos joelhos no banco para prevenir o comprometimento da circulação sanguínea nas pernas.

· Distância do banco: Essa dica é valiosa, pois a distância correta faz toda a diferença para guiar com mais conforto. O ideal é que os braços façam um ângulo de mais ou menos 120 graus com o volante; os joelhos fiquem levemente flexionados e que as pernas alcancem sem esforço os pedais. Lembrando que quando não estiver usando a embreagem ou o breque, descanse o pé no assoalho. Outra dica é conseguir apoiar o calcanhar enquanto o motorista usa os pedais, com a parte da frente do pé. Esse movimento ajuda a descansar a região lombar.

· Cabeça: A cabeça e o pescoço também precisam estar bem amparados para evitar a cervicalgia. A tendência é que a pessoa curve o pescoço e o tronco, fazendo uma cifose (corcunda).

“Entretanto, mesmo que a pessoa faça todos esses ajustes, pode ser necessário uma adaptação do banco para maior conforto. Atualmente, é possível encontrar em lojas especializadas assentos ortopédicos que ajudam a melhorar o conforto na hora de dirigir”, comenta Walkíria.

Pilates pode amenizar dores

                A fisioterapeuta lembra que o corpo humano não foi feito para ficar parado. E como, na maioria dos casos, passar horas dirigindo pode ser algo inevitável, é preciso investir em atividades que atuem de forma preventiva, com o Pilates.

“Para quem passa a maior parte do dia sentado, seja no trabalho ou no trânsito, é fundamental investir em atividades físicas que atuem no alongamento e no fortalecimento muscular. O Pilates contribui nestes dois aspectos, além de também aumentar a consciência corporal e melhorar a postura. E claro, é uma ótima maneira de aliviar o estresse, que também contribui para as dores musculoesqueléticas”, finaliza Walkíria.

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