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quinta, 19 de setembro de 2019

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Evidências científicas escancaram a necessidade da desburocratização do uso medicinal da maconha

Evidências científicas escancaram a necessidade da desburocratização do uso medicinal da maconha
30 agosto
16:22 2019

Sua ação contra diversas doenças já foi comprovada, o que aumenta a importância da sua liberação para esse fim

Quando se fala em maconha, o que vem à sua cabeça? Se a resposta foi apenas pessoas utilizando a planta como droga para ficarem eufóricas e relaxadas, definitivamente está na hora de rever os seus conceitos. Atualmente a cannabis, seu nome científico, tem se destacado no meio médico e se mostrando eficaz no tratamento de uma extensa lista de males. De acordo com o Dr. Sidarta Ribeiro, neurocientista e professor Titular de Neurociências e Vice-Diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, “a cannabis tem mais de 100 princípios ativos canabinoides e entre eles estão os princípios THC e CBD, os mais importantes e que auxiliam a combater doenças como epilepsia, depressão e Alzheimer”.

Os efeitos da cannabis

                Quando se fala em benefícios, o canabidiol (CBD), substância derivada do vegetal, reduz a ativação exacerbada dos circuitos nervosos, o que leva às convulsões, em pacientes com epilepsia. A curiosidade sobre os componentes do cannabidiol fez com que o professor de Química Medicinal da Universidade Hebraica de Jerusalém, Raphael Mechoulam fizesse estudos mais aprofundados sobre um dos componentes psicoativos da cannabis: o tetrahidrocanabinol (THC). O pesquisador pioneiro da cannabis descobriu que o THC interage com o maior sistema de receptores do corpo humano, o sistema endocanabinoide. Phd e avô da pesquisa de cannabis analisou a substância e verificou que a mesma serve para tratamento de patologias convulsivas, esquizofrenia, perturbação pós-traumática do stress (PTSD) e o seu impacto em outras funções no corpo humano.

Há também pesquisas relacionadas a doenças como a Esclerose Múltipla, onde o CBD e o THC, outro princípio ativo encontrado na planta, atuam inibindo os impulsos que levam à dor e à rigidez muscular. Para tratamento da ansiedade, por sua vez, esses dois elementos aumentam na concentração e o aproveitamento de Anandamimda, um neurotransmissor que desencadeia uma sensação de felicidade. Outro exemplo é a dor crônica, que é amenizada porque as moléculas da planta diminuem a transmissão dos sinais dolorosos. E novos trabalhos dão indícios de que as boas notícias não param por aí. Um deles foi realizado na Universidade de Londres, na Inglaterra, e mostrou que os canabinoides podem ser eficazes no combate à leucemia, especialmente se usados após a quimioterapia.

“Existem muitas evidências científicas que orientam à necessidade de regulamentação. As autoridades deveriam se basear nelas para propor políticas públicas eficazes e disponibilizar o medicamento fitoterápico para os pacientes graves, na Farmácia Viva no SUS, pois se trata de um fitoterápico e, não baseá-las em preconceito e nas leis de mercado. Segundo a pesquisadora e Diretora clínica da Associação Brasileira de Estudos da Cannabis Sativa (SBEC), Eliane Nunes, “o CBD é possível ser importado desde 2015 e, desde 2018 já se encontra, a venda um derivado fitoterápico, em farmácias, o Mevatyl, aprovado pela Anvisa e consagrado no exterior com o nome de Sativex”.

Em 2017, o primeiro medicamento à base da planta chegou ao mercado. Outro indício de que o assunto tem mexido com a sociedade é que o número de pacientes que conseguiu autorização para a importação do vegetal com fins terapêuticos cresceu 25 vezes em quatro anos, passando de 168 em 2014 para 4236 em 2018. A quantidade de médicos que prescreveu tratamento com a sua aplicação também disparou, foi de 321 para 911 no mesmo período, indicando uma elevação de 183%.

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