Diário da Manhã

sábado, 23 de março de 2019

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Fim do veraneio marca retorno dos pinípedes na costa do Rio Grande do Sul

Fim do veraneio marca retorno dos pinípedes na costa do Rio Grande do Sul
15 março
08:40 2019

O Projeto Pinípedes do Sul, patrocinado pela Petrobras, monitora mensalmente os pinípedes no litoral do Rio Grande do Sul (RS). Com esse trabalho, foi possível constatar que todos os anos repete-se a mesma rotina: os animais passam o período de dezembro a fevereiro nas colônias reprodutivas do Uruguai e retornam ao Brasil em março.

Esse deslocamento é um padrão observado há anos por pesquisadores do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (NEMA). Este ano, mais uma vez observou-se o mesmo comportamento, com o registro de 76 leões-marinhos que ocuparam o Refúgio de Vida Silvestre do Molhe Leste (em São José do Norte) em março, para alimentação e descanso.

Esse deslocamento é um padrão observado há anos por pesquisadores do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental

Esse deslocamento é um padrão observado há anos por pesquisadores do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental

Em fevereiro foram realizadas duas saídas de monitoramento: uma no início do mês, com o registro de 17 leões-marinhos, e outra na segunda quinzena, com o registro de 43 leões-marinhos. Os dados apontam para o número crescente dos pinípedes na costa gaúcha. Estes animais são abundantes no litoral do estado durante o inverno e a primavera, principalmente nos Refúgios de Vida Silvestre (REVIS) do Molhe Leste e da Ilha dos Lobos (Torres).

Esse período de maior ocorrência acontece com o retorno dos pinípedes das colônias reprodutivas da costa do Uruguai, como o Parque Nacional de Cabo Polonio e a Ilha dos Lobos (Punta del Este). É nesta ilha que se encontra praticamente 50% da população de lobos-marinhos, que se distribui do Peru, no Oceano Pacífico, até o sul do Brasil, no Oceano Atlântico. A população mundial de lobos marinhos é de 400 mil espécimes, enquanto a de leões marinhos conta com 275 mil indivíduos. O Uruguai e a Argentina concentram as colônias reprodutivas desses animais, com 6 e 70 colônias, respectivamente.

A população de leões e lobos marinhos no Uruguai e no Rio Grande do Sul foi apresentada pelo colaborador do Projeto Pinípedes do Sul, Kleber Grübel da Silva, em sua tese de doutorado na Universidade Federal do Rio Grande (FURG). O trabalho resultou nos totais de 18 mil leões-marinhos e 300 mil lobos marinhos no Uruguai, enquanto no estado do RS temos a estimativa de 455 leões marinhos e 277 lobos marinhos.

Reprodução dos pinípedes

Estes animais de corpo fusiforme, coberto por pelos e com cauda reduzida realizam a cópula em terra e geram um filhote por ano em regiões frias. Nessas regiões, graças às suas densas camadas de gordura, os pinípedes conseguem manter sua temperatura entre 36 e 37 graus, o que é ideal para sua sobrevivência.

Primeiros registros e pesquisas

Com diversos fatos históricos marcando a ocorrência dos pinípedes, a comunidade científica gaúcha despertou seu interesse pela pauta e começou em 1977 a desenvolver pesquisas a respeito da ecologia e a dinâmica da ocorrência do grupo. Os primeiros autores a publicar sobre o assunto foram os pesquisadores Hugo Castello e Cristina Pinedo.

As sete espécies de pinípedes que ocorrem no RS

Nas áreas onde ocorrem os pinípedes no Rio Grande do Sul, Refúgios de Vida Silvestre do Molhe Leste e da Ilha dos Lobos e praias, existe o registro de sete espécies de pinípedes, pertencentes a duas famílias: focídeos (focas e elefante-marinho) e otariídeos (lobos e leões marinhos).

As espécies mais frequentemente observadas aqui no estado são o leão-marinho-sul (Otaria flavescens) e o lobo-marinho-do-sul (Arctocephalus australis).  Já o elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina), a foca-caranguejeira (Lobodon carcinophaga), a foca-leopardo (Hydrurga leptonyx), o lobo-marinho-antártico (Arctocephalus gazella) e o lobo-marinho-subantártico (Arctocephalus tropicalis) são de ocorrência ocasional.

Pinípedes do Sul 02Sobre o Projeto:

O Projeto Pinípedes do Sulque tem o patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, tem o objetivo de reduzir as ameaças à conservação das espécies de Pinípedes, que constitui o grupo de mamíferos marinhos que inclui as focas, leões e lobos-marinhos. O projeto, que também atua na conservação das tartarugas marinhas no sul do Brasil, visa aumentar o nível de proteção de duas Unidades de Conservação onde há grande concentração desses animais (Refúgio de Vida Silvestre do Molhe Leste, em São José do Norte e Refúgio de Vida Silvestre da Ilha dos Lobos, em Torres) e desenvolver atividades de educação ambiental junto às comunidades pesqueiras.

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