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quinta, 13 de agosto de 2020

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HUSFP : Maternidade poderá fechar por atraso nos pagamentos

HUSFP  : Maternidade poderá fechar por atraso nos pagamentos
06 maio
09:49 2015

Em entrevista coletiva na manhã de ontem, com a presença dos gestores dos hospitais de Pelotas, o diretor de gestão do Hospital Universitário São Francisco de Paula, Valdir Schafer, não descartou a possibilidade de fechar a unidade neonatal e a unidade de cuidados intermediários neonatal da maternidade, funcionando há mais de um ano sem repasses.

Em reunião na Secretaria Estadual de Saúde, ele afirma que foi aconselhado a “fechar a unidade”, porque o Estado não tem condições de repassar os recursos.

Rafael Amaral

Rafael Amaral

A dramática situação do Hospital São Francisco é a mesma dos demais hospitais de Pelotas, que anunciaram a paralisação dos atendimentos eletivos hoje, mantendo os procedimentos de urgência e emergência. “Não queremos trazer prejuízo à população, e vamos compensar a suspensão durante o mês” garantiu o diretor de assistência do São Francisco, Edevar Machado. Em abril, Machado fez um empréstimo bancário de R$ 500 mil, em seu nome, que foi avalizado pelo diretor de gestão, Valdir Schafer e sua esposa, para pagamento de obrigações financeiras da instituição.

Para o vereador Rafael Amaral (PP), que tem se mobilizado na defesa dos hospitais de Pelotas, esta é a mais grave situação enfrentada nos últimos 15 anos. “É o pior momento da saúde no Estado”. Segundo o parlamentar, quem está pedindo socorro “é a população, que não pode ficar sem atendimento. Os diretores estão reféns do Estado e cansados de ir ao Governo Federal de pires na mão”, complementa.

O parlamentar considerou a atitude das instituições de saúde de Pelotas e do Rio Grande do Sul de “muita coragem. Eles ajudam a salvar vidas. A população precisa estar informada, porque não são os hospitais os vilões da história”.

EDEVAR Machado e Valdir Schafer

EDEVAR Machado e Valdir Schafer

DEMISSÕES Outra preocupação também afeta os diretores. O piso regional dos servidores da saúde teve aumento de 16%, mas está sendo discutido judicialmente. Se os hospitais tiverem que pagar, demissões não estão descartadas, admitiu o diretor-presidente do Hospital Beneficência Portuguesa, José Serra.

O HOSPITAL ESPÍRITA já se reuniu com seus funcionários, conforme explicou o diretor Thiago Martinato. “Fizemos um acordo de não demissão, mas não estamos contratando novos funcionários para aqueles que deixam o Hospital. As equipes estão sobrecarregadas”, reconheceu o diretor.O Espírita enfrenta situação delicada. Único hospital psiquiátrico da região, sofre limitações na política pública de saúde e de financiamentos, afirma o gestor. “A diária cheia, paga pelo SUS por um paciente, é de R$ 49,00. Se ele precisar ser deslocado para o Pronto Socorro, por exemplo, esse valor é gasto todo em transporte, não sobra nada para o resto do atendimento, bancado pelo próprio hospital”.

Também funciona no Hospital Espírita o Pronto Atendimento Psiquiátrico, porta de entrada de todos os pacientes com problemas mentais e de dependência química. Segundo Thiago Martinato, os prejuízos, que já somam cerca de R$ 2 milhões, estão levando a direção do Espírita a considerar a suspensão do pronto atendimento.

“Quem vai receber esses pacientes será o Pronto Socorro Municipal, e isso vai exigir estrutura física e profissional”, alerta Martinato.

NÚMEROS – Cada hospital presente à reunião apresentou os números relativos à situação financeira enfrentada devido aos não repasses de recursos do Estado e da União.

- Hospital Universitário São Francisco de Paula : dívida de R$ 4,5 milhões

  • atendimentos eletivos suspensos nesta quarta-feira: 260

- Santa Casa de Misericórdia: dívida de R$ 2 milhões

  • atendimentos eletivos suspensos : 110 e 10 cirurgias eletivas

- Beneficência Portuguesa: dívida de R$ 1 milhão

  • atendimentos eletivos suspensos: 200

Hospital Espírita: dívida de R$ 2 milhões

  • atendimentos não estão suspensos, mas pacientes e familiares serão informados da situação

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