Diário da Manhã

segunda, 20 de maio de 2019

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Município propõe o diálogo como ferramenta de prevenção à violência escolar

14 maio
09:04 2019

A cena é um tanto incomum para quem está acostumado a associar os ambientes escolares somente às salas de aula com classes enfileiradas e padronizadas. O círculo formado por alunos, professores e funcionários destoa desta realidade; mais do que isso: põe frente a frente quem divide o cotidiano nas escolas e dá oportunidade ao diálogo e à construção coletiva de um espaço de mais paz e harmonia.

A atividade corresponde às ações de Justiça Restaurativa – a base da pirâmide da prevenção à violência implantada pelo Pacto Pelotas pela Paz, desde 2017. O fortalecimento dos vínculos afetivos e a chance de externar emoções, pensamentos e sonhos foi praticada nesta segunda-feira (13), na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Nossa Senhora de Lourdes, no Fragata.

Atualmente, 51 facilitadores em Justiça Restaurativa estão espalhados por 33 educandários do Município

Atualmente, 51 facilitadores em Justiça Restaurativa estão espalhados por 33 educandários do Município

“Quando estamos em círculo, não existem professores ou alunos, somos todos seres humanos. Não há julgamentos”, explicou a facilitadora Jussara Cruz, logo no início da atividade.

Sob os olhares atentos e curiosos dos alunos de 6º e 7º ano da Emef, objetos considerados pertinentes à realidade dos jovens foram colocados no meio do grupo. Entre eles, uma borboleta – símbolo de transformação; um lápis, representando a autonomia de cada um escrever a sua própria história; e palavras que lembram valores como amor, paciência, comprometimento e esperança.

Um a um, os estudantes puderam expressar suas perspectivas para o futuro e ideias sobre o presente, dando ênfase a sua forma de enxergar o mundo.

“De onde eu vim?”, “Onde estou?” e “Para aonde vou?” foram algumas das reflexões propostas aos adolescentes – momento de incentivo à manifestação de opiniões e, ainda, do exercício da escuta, ao ouvir e respeitar os colegas. “Dentro de todos nós há uma luta constante entre fazer o certo e o errado, vai de nós escolher alimentar o lado do bem ou do mal”, disse a orientadora educacional aos jovens.

Para solucionar e evitar conflitos

O círculo restaurativo foi o 25º realizado na rede de ensino de Pelotas, em 2019; neste período, mais de 430 pessoas participaram da metodologia, que busca solucionar conflitos por meio da conversa e, consequentemente, proporcionar ambientes mais seguros e pacíficos à comunidade escolar. Atualmente, 51 facilitadores em Justiça Restaurativa estão espalhados por 33 educandários do Município.

Nos dois últimos anos, servidores da Secretaria de Educação e Desporto (Smed) foram capacitados em cursos de Justiça Restaurativa e a formação resultou na realização de 187 círculos, que envolveram 3416 pessoas, entre estudantes, pais e educadores.

Em abril, a ação atingiu a meta prevista para o mês e focou, principalmente, em atender alunos representantes de turmas, integrantes do Construindo Saberes e do Start – projetos do Pacto que visam evitar a evasão escolar e capacitar jovens ao mercado de trabalho, respectivamente.

Escola da Paz

Os momentos propostos pelos círculos nas escolas vão ao encontro de outras iniciativas do Pacto Pelotas pela Paz, que buscam reduzir os índices de violência dentro das escolas. Entre as ações, a elaboração do Plano Anual de Prevenção à Violência Escolar em 2019, cuja criação é responsabilidade de cada uma das 60 Emefs, através das Comissões Internas de Prevenção a Acidentes e Violência Escolar(Cipaves).

Nesta quinta-feira (16), o 2º Fórum de Prevenção à Violência Escolar será realizado no Colégio Pelotense e abordará temas como prevenção ao bullying, à depressão, à automutilação e ao suicídio, com professores, orientadores, alunos e diretores de Pelotas.

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