Diário da Manhã

quinta, 02 de abril de 2020

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Museu Virtual das Coisas Banais transcende os limites geográficos e espaciais

14 janeiro
08:27 2020

O Museu além de ser um laboratório para os alunos da UFPel, também serve de inspiração para os visitantes. A exposição é composta por uma curadoria colaborativa, ou seja, qualquer visitante pode enviar uma fotografia do seu objeto com sua narrativa, objetos que muitas vezes não iriam fazer parte dos museus tradicionais.

O objeto passa pela curadoria de acervo e, após o aceite, entra para a exposição virtual permanente.

AÇÕES EDUCATIVAS EM PELOTAS

Nos museus tradicionais, geralmente as ações educativas estão ligadas às exposições, como um mecanismo de traduzir aspectos da exposição em outros formatos comunicacionais e de aprendizado. O Museu das Coisas Banais já realizou algumas atividades de ação educativa que inspiraram professoras de diferentes lugares do Brasil.

Entre as ações, as atividades na Escola Santa Mônica e Escola Municipal Joaquim Assunção, envolveram 38 crianças que apresentaram seu universo particular de objetos. Elas foram convidadas a escolher um objeto importante para mostrar e contar sua história. Esta ação resultou na Exposição física Objetos [nada banais] da infância. “O que os objetos, esses companheiros silenciosos, dizem? O que eles podem dizer sobre nós mesmos? Os objetos que guardamos, como uma porta de acesso a nossas lembranças, podem ser banais? Afinal, o que é banal? Banal é aquilo que não tem valor? Ou banal é o que aparentemente não tem valor? Uma coisa pode ser banal e ao mesmo tempo não ser, dependendo da relação que se estabelece entre sujeito e objeto? Que valor atribuímos as coisas? Vivemos cercados por objetos, mas pouco refletimos sobre eles, tal é o estatuto familiar que eles adquirem. Essa relação começa muito cedo, é na infância que vamos buscar seu início”, questionam e refletem os organizadores da mostra.

DE PELOTAS PARA INDAIAL – SANTA CATARINA

A   professora Clara Aniele Schley, que leciona na Escola Básica Municipal Maria da Graça dos Santos Salai, na cidade de Indaial, Santa Catarina, enviou um relato ao projeto, destacando o trabalho realizado e contando sobre como o Museu inspirou uma ação realizada em sua escola.

Levando aos alunos do 8° ano obras de grandes artistas que estão expostas em museus, como o pintor Pablo Picasso, a professora abriu espaço para que os estudantes fizessem questionamentos. Ao questionarem se as obras dos artistas ficavam em um museu, surgiu a ideia de um novo projeto: “A imagem que tenho do museu”. Tendo já conhecimento da exposição dos objetos [nada banais] da Infância, Clara resolveu iniciar uma ação dinâmica que tem como objetivo trazer para o universo dos estudantes estes questionamentos e reflexões a respeito do universo cultural.

De forma a construir os próximos passos do projeto em grupo e de acordo com as questões que os alunos trazem, a professora salienta o quanto a iniciativa é importante para a construção do ambiente escolar. “Um projeto que vejo como um desafio, mas ao mesmo tempo você começa por meio das ações, gestos, curiosidades dos alunos a tornar as aulas um laboratório de troca de saberes e de formação cultural”, salientou Clara.

Clara destaca que o projeto proporcionou conhecimento, resgate da infância e aprendizagem. “Através dos relatos e troca de saberes foram estabelecidas narrativas carregadas de emoção, contendo sentimentos como a saudade de momentos e pessoas”, disse. Posteriormente a estes relatos, os alunos puderam registrar um objeto afetivo de sua caixa de lembranças no site do Museu das Coisas Banais, compreendendo que compartilhar suas memórias com outras pessoas pode despertar um museu que está vivo dentro de cada um. A professora acrescenta ainda que os alunos que participaram do projeto contaram que ao longo do processo perceberam as mudanças e evoluções que tiveram através das atividades realizadas. A professora termina o relato enfatizando que o museu é um lugar de aprendizagem e a escola pode se tornar uma ponte para que os saberes artísticos e culturais façam parte da constituição do sujeito. Salienta ainda que o Museu das Coisas Banais, por ser virtual, proporciona aprender sempre por meio de seu acervo dinâmico e cheio de histórias.

OBRAS de grandes artistas estão expostas

OBRAS de grandes artistas estão expostas

DE PELOTAS PARA BELO HORIZONTE – MINAS GERAIS

Professora dos anos iniciais do ensino fundamental na Escola Municipal Marconi, em Belo Horizonte/MG, Sâmara Carla Lopes Guerra de Araújo conheceu o MCB na sua estadia em Pelotas para realização de doutorado sanduíche na UFPel e se encantou com a proposta, realizando ação educativa inspirada na exposição com crianças do 3º ano, em 2019.

Dentre as várias ações propostas para o projeto, as crianças visitaram museus da cidade a fim de conhecer mais sobre a história. Nesse contexto, visitaram também o Museu Virtual das Coisas Banais e participaram dele com seus objetos biográficos. A equipe do MCB orientou a realização do trabalho. Em sala de aula, as crianças discutiram o sentido de um objeto banal e leram vários relatos apresentados no acervo. Na sequência, as crianças escolheram um objeto especial com ajuda de suas famílias, fotografaram e escreveram um texto sobre as memórias do objeto. “O desenvolvimento deste trabalho, na perspectiva da educação museal, foi muito significativo para todos nós, pois refletimos sobre a afetividade presente em objetos do nosso cotidiano, além de trabalharmos conceitos importantes como memória, história, patrimônio e suas relações com a tecnologia. E, acima de tudo, não fomos apenas visitantes, nos sentimos parte do Museu”, conta Sâmara.

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