Diário da Manhã

segunda, 15 de outubro de 2018

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PESQUISA DA UFPEL : Primeiro pó revelador de impressões digitais nacional

PESQUISA DA UFPEL : Primeiro pó revelador de impressões digitais nacional
11 outubro
09:22 2018

Um estudo de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) avaliou o potencial de curcuminas – compostos orgânicos derivados de cetonas aromáticas, o mesmo composto químico usado nos removedores de esmalte – para as áreas forense e de saúde.

O trabalho de Bruna Silveira Pacheco deu origem a um pó revelador para impressões digitais, usado em investigações forenses. Sua utilização em situações reais deve seguir sendo testada e, caso seja aprovada, poderá vir a ser o primeiro revelador produzido no país.

ESTUDO sintetizou 18 diferentes compostos para avaliar seu desempenho

ESTUDO sintetizou 18 diferentes compostos para avaliar seu desempenho

O estudo sintetizou 18 diferentes compostos para avaliar seu desempenho. Transformado em pó, o composto, cuja coloração amarela permite grande contraste, foi testado em diferentes superfícies, como vidro, plástico e alumínio. Derivado de moléculas bioativas – provenientes de extratos naturais -, o pó revelador criado na UFPel não apresenta toxicidade elevada para quem o manuseia – um dos problemas enfrentados atualmente com o material utilizado em papiloscopia.

Uma parceria com a Polícia Federal em Porto Alegre deverá auxiliar nos próximos passos para aperfeiçoar o pó revelador. “A avaliação inicial indicou potencial para seguir com os estudos. É necessário fazer testes em situações reais”, observou Bruna.

NA SAÚDE
O trabalho desenvolvido pela doutoranda também teve outra vertente de análise. As moléculas apresentaram resultados promissores na linha de atividades antitumorais. “Esse é o tipo de molécula multifuncional, devido a suas propriedades”, observou um dos orientadores do trabalho, professor Cláudio Pereira de Pereira. Bruna avaliou a capacidade de inibição do crescimento de células de tumor de bexiga, um tipo com grande taxa de recorrência, tratamento longo e efeitos colaterais.

Com experimentos in vitro, dois compostos, já relatados na literatura mas ainda não estudados para tumor de bexiga, apresentaram potencial. As próximas etapas são elucidar de que forma causam essa inibição às células do tumor para poder seguir os estudos. Ou seja, entender o mecanismo de ação dos compostos nas células.

PRODUÇÃO LIMPA E DE BAIXO CUSTO
A análise do potencial biotecnológico das curcuminas foi motivada pela atuação do Laboratório de Lipidômica e Bio-Orgânica da UFPel, que trabalha com a chamada “química limpa”: renovável e que procura não agredir o meio ambiente. Com processos mais limpos, as substâncias obtidas também são o mais limpas possível. Um ponto positivo para a preparação em larga escala – processos “verdes” e com baixo custo de produção.

Além de compartilhar os resultados com a comunidade científica através de publicações e fomentar uma aproximação com o setor produtivo, os autores já têm em tramitação pedidos de patentes relacionadas a essas moléculas e ainda outras investigadas pelo Laboratório.

CHANCELA
Os temas de estudo estão ligados aos projetos Instituto de Nacional de Ciência e Tecnologia Forense (INCT Forense), com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS); e ao projeto Pesquisador Gaúcho, também com o apoio da FAPERGS. O trabalho foi orientado pelos professores Cláudio Pereira de Pereira, Tiago Collares e Fabiana Seixas.

 

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