Entre a última semana de abril e a primeira de maio, a Emater/RS-Ascar realizou pesquisa nos 282 principais municípios produtores de trigo do RS, que representam 95% da área a ser plantada. “Tudo indica que a área cultivada com trigo deverá ser de 727,7 mil ha, ou seja 6,49% menor do que a do ano passado, quando foram cultivados 778.235 mil hectares”, calcula o presidente da Emater/RS, Clair Kuhn.
Se considerado os rendimentos obtidos nos últimos anos, a produtividade média do trigo para o Estado será de 2.420 kg/ha, projetando uma produção total de 1,76 milhão de toneladas para a safra 2017, caso as condições meteorológicas sejam favoráveis. Esta produção seria 26,71% menor que a do ano passado, quando foram colhidas 2,24 milhões de toneladas. “Essa significativa diferença na produção é explicada pela boa produtividade obtida no ano passado (3.132 kg/ha), embora a qualidade final do produto não tenha sido proporcional à produtividade”, avalia Kuhn.
Segundo o presidente da Emater/RS, “além dos preços pouco atrativos, há o problema da segregação, que precisa ser resolvido”. Kuhn destaca que, ao colher, o agricultor não dispõe de espaço adequado para armazenar de forma separada o grão de maior qualidade daquele não tão bom, diminuindo o preço de venda do produto, que é estocado misturado. “Há ainda o fator climático, já que a cultura é bastante suscetível às oscilações meteorológicas”, avalia. O presidente ressalta que “os produtores estão respondendo de forma positiva ao trabalho de conscientização que a Emater vem desenvolvendo, quando alerta para a necessidade de se manter uma cobertura sobre o solo durante o inverno, o que evita a perda de nutrientes e ainda gera uma massa orgânica natural”.
Encerrada a safra de verão, os produtores do Rio Grande do Sul se voltam para a de inverno, tendo na cultura do trigo sua principal atenção.De acordo com a pesquisa feita pela Emater/RS-Ascar, ao contrário do trigo, as demais culturas de inverno, como aveia branca grão, cevada e canola, apresentam expectativa de aumento de área para a próxima safra. A área de aveia deverá ter um aumento de 1,32% em relação ao ano passado, alcançando 230,7 mil hectares, contra os 227,6 cultivados no ano passado. Dessa forma, o Estado deverá colher 430,7 mil toneladas, contra as 650 mil toneladas colhidas na safra passada. Também é menor a estimativa de produtividade, projetada em 1.867 kg/ha, contra os 2.510 kg/ha da safra passada (-34,61%).
Na cevada, a área deverá ter um acréscimo de 16,56%, passando para 51,65 mil hectares, contra os 44,31 mil ha plantados na safra passada. Considerando uma produtividade estimada em 3,05 mil kg/ha, a produção chegaria a 157,9 mil toneladas, uma diferença de -1,17% em relação à safra passada, quando foram colhidas 159,8 mil toneladas. A diferença se explica pela redução de 15,22% na produtividade inicial projetada para esta safra. O levantamento foi feito em 64 municípios, que representam 80% da área a ser plantada.
A canola é outra cultura que terá aumento de área de 6,25%, passando de 49,4 mil ha plantados em 2016 para 52,5 mil ha projetados para 2017. A produção poderá chegar a 81,4 mil toneladas, contra 72,7 mil toneladas colhidas na safra passada. Um aumento de 11,97%. Para a canola foram consultados 86 municípios, que representam 83% da área a ser plantada.
CULTURAS DE VERÃO
Das culturas de verão, apenas o feijão safrinha do tarde está em enchimento de grãos e em colheita. Em algumas localidades, com bom potencial produtivo, foram identificados problemas de acamamento de plantas e alta incidência de invasoras. As áreas já colhidas (65%) estão com rendimento dentro e acima do esperado.
Painço – Na região Noroeste, onde o cultivo tem importância entre vários produtores, o painço é comercializado a R$ 80,00/saca de 60 kg. Em Novo Machado ocorreu o plantio da safrinha, com área superior a 200 hectares. Em Porto Mauá está implantada área superior a 100 ha, com a cultura em fase de maturação (25%) e com 75% já colhida. Em virtude do excesso de chuvas e pouca luminosidade, o desenvolvimento da cultura está mais lento e a colheita foi impossibilitada pela intensa umidade e acamamento.