Há dezesseis anos sem expor, Harly Couto apresentará quadros de diferentes fases na mostra “Vestígios” que abre hoje
Por Carlos Cogoy
Diariamente ela ouve música, pinta e passeia pelo jardim. Em quinze anos ela não parou, e estima que sua produção seja de trezentos quadros. Sua exposição anterior, no entanto, teve título especial “O último sol do milênio”. A mostra, realizada em 1999, sintonizava com a iminência do novo século.
Após dezesseis anos, a artista estará expondo suas criações. Trata-se da mostra “Vestígios”, que reunirá dezenas de quadros no Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (MALG/UFPel) – rua Gen. Osório 725.
MALG – Com a curadoria de Ursula Rosa da Silva (CEARTES/UFPel), e Caroline Bonilha, a mostra terá abertura nesta quinta às 19h. Nas salas do Malg, obras de diferentes fases da artista. Então, desde quadros dos anos oitenta até criações mais recentes. O material é diversificado e Harly mantém a opção pela técnica mista.
TRAJETÓRIA artística de Harly com diferentes etapas. Nos cursos de pintura, escultura e gravura que participou, aprendizado com artistas como Lenir de Miranda, Carlos Fajardo, Danúbio Gonçalves, Maristella Salvattori e Paulo Porcella. Suas obras já foram expostas em cidades da região, e capitais como Recife. No exterior, EUA e EspanhaAo invés de mero material reaproveitado, ela reúne sobras do passado. Assim, num belo quadro estão resíduos do papel de “impressão matricial”. Ela diz que o filho trabalhou num centro de computação de banco público. À época, a impressão ainda estava no estágio rudimentar.
O papel descartado ganhou vida na criação de Harly. Noutra bela obra, a textura tem como base as “talas” que serviram ao filho para a recuperação de lesão. Já o quadro cuja imagem consta no convite, tem pedaço de calha da casa da artista. O fragmento foi manipulado até virar uma “chapa” metálica. Ela acrescenta que deixa o “material se expressar”. Visitação até dia 17 de janeiro.
MÚSICA foi o primeiro interesse artístico de Harly. A menina também reparava nas imagens formadas pelas pequenas manchas de mofo nalguma parede. Mas era o som que a embalava. Na arte contemporânea encontrou sua expressividade. Mas mantém a admiração pela música que, tanto pode estar ao ouvir Chopin, quanto numa vertente de água na Cascata.

