MOSTRA DE ARTISTAS-PESQUISADORES DO PPGARTES/UFPEL   


ALICE MONSELL, DUDA GONÇALVES, HELENE SACCO, KELLY WENDT, LAUER DOS SANTOS, MARTHA GOFRE


A exposição “Pensamento Visual Contemporâneo / 2026” que está acontecendo na Sala de Exposições do Centro de Artes da UFPel até o dia 15 de outubro, realiza encontros entre artistas, estudantes e público.

Todas as quintas-feiras, das 16h30 às 18h, estão sendo realizadas conversas com os artistas participantes no próprio espaço da mostra.

A cada semana, a professora e curadora Neiva Bohns produz um texto sobre um dos artistas e conduz uma conversa sobre sua produção. A iniciativa cria uma oportunidade para que o público conheça melhor os trabalhos, os processos de pesquisa e as questões que estão por trás de cada produção.

A primeira fala foi da professora, artista e pesquisadora Alice Monsell. Na próxima semana, será a vez do professor e artista Lauer dos Santos.

ALICE MONSELL (Orange, Nova Jérsei, EUA, 1958)


Alice Monsell



Artista e pesquisadora radicada há várias décadas no Brasil, Alice Monsell, nas suas longas caminhadas, costuma registrar e coletar materiais descartados nos ambientes urbanos. No seu processo criativo, os achados inusitados constituem a matéria prima e a gramática com a qual produz narrativas plástico-visuais. Nesta exposição, a artista apresenta um desenho a grafite sobre suporte translúcido: o nobre e delicado papel arroz.

Oferecendo um conjunto de formas representadas, a obra resulta de um longo processo, que envolve captura de imagens fotográficas, transposição de linguagens, e síntese gráfica. Ao reativar as práticas de “colagem” e “montagem”, tão caras aos artistas das vanguardas históricas, o desenho traz fragmentos da realidade observável – como plantas e sapatos velhos. Desta maneira, o uso aleatório dos elementos e das diferentes escalas espaciais, permite que associações fortuitas se tornem relevantes.

Além de provocar reflexões sobre lugares ocupados de maneira desordenada, a composição questiona os critérios de classificação das coisas e das criaturas vivas, que, mesmo quando são descartadas ou ignoradas (por falta de funcionalidade imediata), resistem à desmaterialização e ao apagamento radical. Produto de pensamentos vagos, deslocamentos espaciais, e olhares atentos sobre a relação entre cultura e natureza, a obra traduz alguns dos aspectos mais emblemáticos do mundo contemporâneo: o caos, outrora sinônimo de vazio inaugural, se instala ostensivamente nas sobras e nos excessos cotidianos da sociedade de consumo.

Neiva Bohns


Curadora


Pelotas, setembro de 2026




ALICE MONSELL (Orange, Nova Jérsei, EUA, 1958)

Descartescalaranjalorama, 2026

Desenho a lápis grafite sobre papel arroz

76 x 126,5cm

Equipe : Pedro Parente, Lilian Bandeira, Isabella Veríssimo, Bianca De-Zotti, Fernando Rocha, Cassio Leal, Ícaro Silveira, Patrezi da Silva