Ocaso e verão


Quando o sol desponta,

vou ter com o mar e as areias

ter com polvos e arraias

tartarugas e baleias

que nunca aportam nas praias,

e todos os seres estranhos -

as grandes interrogações.


Na água em que o corpo se banha,

de cor verde escuro ou castanha,

aspiro a vaga salina,

tocada das velhas monções.


Respiro, e sinto por cima,

o toque, a brisa olorosa,

o palpo de mão cariciosa,

como se fosse um abraço.


Por largo tempo eu habito

o mundo marinho infinito,


Depois da eternidade fugaz,

sobre a frágil areia, a lembrar,

marco por fim o meu passo,

e deixo o que é meu para trás.


Marcus Vinicius Martins Antunes