Dermatologista do HUSFP/UCPel explica o que é a doença, seus impactos na saúde, os tratamentos disponíveis e a importância de combater o preconceito por meio da informação


Neste 29 de outubro, é celebrado o Dia Mundial da Psoríase, data dedicada à conscientização sobre a doença. Para ampliar o conhecimento da população sobre a doença, o Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP), em parceria com a Universidade Católica de Pelotas (UCPel), promoverá ações de conscientização, entre elas a participação na Feira do Livro de Pelotas, aproximando o tema da comunidade.

A psoríase é uma doença crônica que causa inflamação no organismo e se manifesta principalmente na pele. Não é contagiosa, mas ainda é cercada de dúvidas e preconceitos que afetam a autoestima e a qualidade de vida de quem convive com ela.

Segundo a dermatologista Joice Göebel, que atua no HUSFP/UCPel ao lado dos também dermatologistas Hiram Larangeira e Ralph Vighi da Rosa, os processos inflamatórios não se restringem às lesões de pele, podendo acometer outros órgãos, como sistema cardiovascular, fígado e articulações, além de aumentar o risco de síndrome metabólica (obesidade, pressão alta, dislipidemia e tendência ao diabetes).

A doença também pode impactar a saúde emocional, aumentando a possibilidade de ansiedade e depressão. Por isso, compreender a psoríase é fundamental para além do diagnóstico e do tratamento: é também uma forma de combater o estigma, promover a empatia e garantir que as pessoas afetadas pela condição sejam acolhidas e respeitadas.



Sintomas


Os sintomas mais comuns da psoríase na pele são o prurido, a famosa coceira, especialmente em áreas como couro cabeludo, pés e mãos, além da sensação de ardor, que pode piorar quando há fissuras (rachaduras) na pele. Joice relata que um terço dos pacientes irá desenvolver a chamada “artrite psoriásica”. Nas articulações, a psoríase costuma gerar dor, limitação de movimento e inchaço, principalmente no início do dia, mas que pode melhorar conforme o paciente se movimenta.

Uma das características da psoríase são as placas vermelhas e descamativas que persistem por várias semanas a meses. Localizadas ou espalhadas pelo corpo, com ou sem sintomas articulares, as lesões exigem diagnóstico correto e tratamento adequado. Segundo a médica, a identificação precoce ajuda a desacelerar a progressão da doença e a melhorar a qualidade de vida do paciente ao longo dos anos.

Tratamento


Como a psoríase é uma doença crônica, ela não tem cura. O que ocorre são períodos de remissão, de forma espontânea em casos leves ou por meio de tratamento adequado em casos persistentes. Há diversas opções de medicamentos, tanto na rede pública quanto na privada.

A médica explica que, “em casos leves, cremes com corticoides de alta potência e hidratantes ou ainda substâncias que reduzem a descamação da pele podem ser utilizados com sucesso. Para os casos mais persistentes, extensos ou ainda que acometem áreas consideradas especiais, como face e couro cabeludo, genitália, pés e mãos ou áreas de dobras, estamos habilitados a usar os tratamentos em comprimidos e, caso exista contraindicação ou falha ao uso destes, podemos utilizar os imunobiológicos, disponíveis pelo SUS e por convênios que sigam o rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Com estes medicamentos, a estimativa é que haja melhora de 90 a 100% das lesões e sintomas”, detalha.

Como prevenir


Manter bons hábitos saudáveis no dia a dia pode auxiliar no controle da doença. Entre os fatores que podem agravá-la estão obesidade, ingestão excessiva de bebidas alcoólicas, tabagismo e falhas nos tratamentos existentes.

Por isso, o mais adequado é ter uma alimentação equilibrada, com peixes, oleaginosas, vegetais, verduras e frutas. Contudo, a Dra. também destaca que a restrição de alimentos com glúten ou lactose não é necessária. “A restrição destes alimentos só está orientada quando há de fato uma intolerância gastrointestinal comprovada por sintomas (dor abdominal, estufamento, diarreia) e/ou exames específicos”, esclarece.

A psoríase pode causar um impacto emocional muito grande na vida dos pacientes. A doença ainda é vista com muito preconceito, por conta do mito de que ela é contagiosa. Isso reflete em pacientes que têm medo ou vergonha de mostrar a pele, e muitos utilizam com frequência roupas longas, independentemente da estação do ano.

Além disso, o mito do contágio, ainda muito presente, afeta não só o convívio social, mas também a busca por emprego. “Vale ressaltar que educar a população a ter mais empatia é parte fundamental para o melhor acolhimento dos portadores de psoríase e de outras doenças de pele”, reflete Joice.

Planejamento do HUSFP/UCPel


O setor de Dermatologia do Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP) trabalha junto com a Universidade Católica de Pelotas (UCPel) para que o ambulatório de Psoríase e Imunobiológicos seja referência de atendimento na região Sul do estado. Atualmente, a unidade mantém uma média de 40 atendimentos ao mês relacionados à doença.

Nesse contexto, Joice comenta que há um planejamento para realizar um dia de conscientização na Feira do Livro de Pelotas, em 5 de novembro, em alusão ao Dia Mundial da Psoríase. Em conjunto com o Dr. Ralph e com os alunos da liga de dermatologia da UCPel (Laderma), será feito um conteúdo informativo e interativo com a população, abordando conceitos básicos, como a importância do diagnóstico e do tratamento, e esclarecendo que a psoríase não é uma doença contagiosa. Entre os objetivos, eles pretendem capacitar agentes de saúde dos postos vinculados à UCPel, para que possam auxiliar no reconhecimento da doença e na divulgação de informações de qualidade aos pacientes.