Especialista orienta reforço de reservas de alimento e ajustes no manejo diante de extremos climáticos
O avanço da intensificação na pecuária exige atenção redobrada dos produtores aos riscos provocados por extremos climáticos. A avaliação é do diretor técnico do Serviço de Inteligência em Agronegócios (SIA), Armindo Barth Neto, que recomenda planejamento, acompanhamento das condições meteorológicas e formação de reservas de alimento para reduzir os impactos de períodos de estiagem ou excesso de chuvas.
Segundo Barth Neto, o aumento da lotação e dos investimentos em pastagens permite elevar a produtividade e reduzir custos, mas também amplia a exposição do sistema a eventos climáticos adversos. “Quando trabalhamos com mais animais ficamos mais expostos ao risco com qualquer veranico ou seca. E, com esses extremos climáticos, essa exposição fica ainda maior”, afirma.
Para o especialista, a intensificação precisa ser acompanhada de estratégias de segurança dentro da propriedade. Entre as medidas estão o monitoramento constante da previsão do tempo, a tomada rápida de decisões e o ajuste da carga animal conforme as condições das pastagens. Em períodos de chuva excessiva, por exemplo, a redução da lotação pode ajudar a preservar o solo e o desenvolvimento do pasto.
Barth Neto também recomenda que operações como implantação e renovação de pastagens sejam realizadas em janelas climáticas mais adequadas e no menor tempo possível. “Quanto mais demoramos para executar uma operação, maior é o nosso tempo de exposição. É importante organizar o maquinário e a equipe para aproveitar janelas mais curtas e garantir uma tomada de decisão mais rápida”, explica.
A principal recomendação, no entanto, é a formação de reservas alimentares. O estoque pode incluir ração, concentrados e volumosos conservados, como silagem, pré-secado e feno. A estrutura necessária para fornecer esse alimento aos animais, incluindo cochos e equipamentos de alimentação, também deve fazer parte do planejamento da fazenda. “Os extremos climáticos estão nos alertando para a necessidade de ter mais comida guardada dentro da propriedade. Quando a pastagem reduz o crescimento, precisamos ter esse recurso disponível de maneira simples e rápida”, destaca o diretor técnico.
De acordo com Barth Neto, a produção de volumosos não precisa estar limitada à silagem de milho, especialmente em regiões com restrições de chuva, solos rasos ou dificuldades de adaptação da cultura. Alternativas como silagens de aveia, trigo, centeio e capins podem apresentar custos mais baixos e atender categorias de menor exigência nutricional. “Hoje temos possibilidades interessantes e mais baratas. Podemos trabalhar com silagem de materiais de inverno ou de capim e, quando necessário, enriquecer esse alimento com farelo de soja, milho ou outros ingredientes”, afirma.
O especialista ressalta ainda que a venda de animais, embora seja uma alternativa em situações extremas, pode representar prejuízo ao produtor em um cenário de custos elevados, especialmente na reposição de terneiros. Por isso, a suplementação estratégica pode ser uma forma de preservar o desempenho do rebanho e reduzir perdas. “Quando falamos em intensificação, também precisamos falar em seguro e segurança. E isso passa, principalmente, por ter reserva de alimentos para enfrentar os momentos de estresse climático”, conclui.
Foto: Matheus Barreto