{"id":104389,"date":"2020-12-03T08:33:54","date_gmt":"2020-12-03T11:33:54","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=104389"},"modified":"2020-12-03T08:33:54","modified_gmt":"2020-12-03T11:33:54","slug":"campesinato-negro-tese-premiada-pela-capes-vira-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/campesinato-negro-tese-premiada-pela-capes-vira-livro\/","title":{"rendered":"CAMPESINATO NEGRO : Tese premiada pela Capes vira livro"},"content":{"rendered":"<p>A t\u00e9cnica-administrativa da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Claudia Daiane Garcia Molet acaba de publicar o livro \u201cO Litoral Negro do Rio Grande do Sul: campesinato negro, parentescos, solidariedades e pr\u00e1ticas culturais (do s\u00e9culo XIX ao tempo presente)\u201d. A obra \u00e9 fruto de sua tese, que conquistou o Pr\u00eamio Capes de Tese na \u00e1rea de Hist\u00f3ria em 2019.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-104391\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/o-litoral-negro-238x300.jpg\" alt=\"\" width=\"238\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/o-litoral-negro-238x300.jpg 238w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/o-litoral-negro-119x150.jpg 119w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/o-litoral-negro.jpg 476w\" sizes=\"(max-width: 238px) 100vw, 238px\" \/>O livro versa sobre o campesinato negro, no Litoral Negro do Rio Grande do Sul, sendo suas hist\u00f3rias e mem\u00f3rias investigadas de 1816 ao tempo presente. De acordo com a autora, o desafio foi perceber as estrat\u00e9gias para manuten\u00e7\u00e3o das terras legadas por escravizados no s\u00e9culo XIX e que atualmente abrigam seus descendentes, remanescentes quilombolas: Csaca, Limoeiro, Teixeiras e Capororocas. Desse modo, o trabalho insere-se no campo dos estudos sobre p\u00f3s-Aboli\u00e7\u00e3o, embora recue para o s\u00e9culo XIX para compreender a forma\u00e7\u00e3o desta regi\u00e3o que est\u00e1 sendo denominada de Litoral Negro. Para isso, foram acionados alguns n\u00facleos de escravizados que conquistaram liberdade e terras atrav\u00e9s de registro nos testamentos senhoriais. A autora aponta os arranjos familiares tecidos no cativeiro, mas tamb\u00e9m com escravizados da vizinhan\u00e7a e com libertos. Acionou, ainda, a mem\u00f3ria quilombola para investigar as experi\u00eancias de racializa\u00e7\u00e3o nos bailes rurais de \u201cbrancos\u201d e de \u201cmorenos\u201d.<\/p>\n<p>A LUTA pela cidadania foi iluminada a partir da discuss\u00e3o dos efeitos da Reforma Agr\u00e1ria, da d\u00e9cada de 1960, quando foram movidas a\u00e7\u00f5es judiciais pelas fam\u00edlias negras, resultando medi\u00e7\u00f5es, expropria\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de disputas com vizinhos. A longevidade das experi\u00eancias camponesas tamb\u00e9m se fez presente na an\u00e1lise da Festa de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio e do Ensaio de Pagamento de Quicumbi realizados ainda na atualidade pelos quilombolas. Nestas manifesta\u00e7\u00f5es, percebeu-se uma rede de f\u00e9 na Santa que une o campesinato negro a partir do compartilhamento de pr\u00e1ticas culturais. Por \u00faltimo, mas de suma import\u00e2ncia para a manuten\u00e7\u00e3o do campesinato negro, a autora pontua as experi\u00eancias de mulheres negras, matriarcas, propriet\u00e1rias de terras, benzedeiras e parteiras que circularam saberes e ancestralidade pelo Litoral Negro. Para que as redes fossem analisadas, foram utilizadas diversas fontes, como registros de batismos, de casamentos, cartas de alforria, registros paroquiais de terras, processos judiciais e entrevistas com os quilombolas.<\/p>\n<p>O PREF\u00c1CIO da obra, escrito pelo professor Fl\u00e1vio Gomes (UFRJ), destaca: \u201cO fascinante estudo de Claudia Molet recupera ecologias socioecon\u00f4micas originais. Sua pesquisa subverte as defini\u00e7\u00f5es (aparentes e improvisadas) de um campo de estudos ainda sob constru\u00e7\u00e3o, no caso denominado p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o. Sem alardes apresenta contribui\u00e7\u00e3o potente sobre a forma\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os escravistas, localizando experi\u00eancias e seguindo trajet\u00f3rias num tempo hist\u00f3rico tamb\u00e9m como reinven\u00e7\u00e3o dos seus sujeitos: camponeses negros. Algo tomado tamb\u00e9m entrecortado de mem\u00f3rias, rugas e cicatrizes. A historiadora identifica um espa\u00e7o \u2013 o litoral do Rio Grande do Sul \u2013 e nele opera pontos de partida. Recorda\u00e7\u00f5es, experi\u00eancias, esperan\u00e7as e expectativas encontram fam\u00edlias \u2013 descendentes de africanos escravizados \u2013 que v\u00e3o conhecer o cativeiro, a liberdade e o sonho de terras legadas por senhores ou arrancadas pelos mocambos erguidos e mantidos. Impressiona o f\u00f4lego da historiadora fazendo aumentar ou diminuir tempos hist\u00f3ricos para juntar registros e mem\u00f3rias, acompanhando rastros e sil\u00eancios das fontes\u201d.<\/p>\n<p>A TESE de Claudia Molet foi defendida no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGH\/UFRGS), com orienta\u00e7\u00e3o da professora Regina Weber.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-104390\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/daiane-garcia-molet-222x300.jpg\" alt=\"\" width=\"222\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/daiane-garcia-molet-222x300.jpg 222w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/daiane-garcia-molet-111x150.jpg 111w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/daiane-garcia-molet.jpg 443w\" sizes=\"(max-width: 222px) 100vw, 222px\" \/>A AUTORA<\/strong><br \/>\nClaudia Daiane Garcia Molet \u00e9 m\u00e3e do Mal\u00ea, doutora em Hist\u00f3ria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ganhadora do Pr\u00eamio Capes de Tese, na \u00e1rea de Hist\u00f3ria, no ano de 2019, com a tese \u201cParentescos, solidariedades e pr\u00e1ticas culturais: estrat\u00e9gias de manuten\u00e7\u00e3o de um campesinato negro no litoral negro do Rio Grande do Sul (do s\u00e9culo XIX ao tempo presente)\u201d. \u00c9 mestra em Ci\u00eancias Sociais pela Universidade Federal de Pelotas, \u00e9 especialista em Educa\u00e7\u00e3o Profissional pelo Instituto Federal Sul-rio-grandense e bacharela em Hist\u00f3ria pela Funda\u00e7\u00e3o Universidade Federal do Rio Grande. \u00c9 integrante da Rede de Historiadorxs Negrxs, do GT Emancipa\u00e7\u00f5es e P\u00f3s-Aboli\u00e7\u00e3o da ANPUH\/RS e do Movimento de Resist\u00eancias UFPRETA. Atua como t\u00e9cnica-administrativa em Educa\u00e7\u00e3o na Universidade Federal de Pelotas. Pesquisa as seguintes tem\u00e1ticas: hist\u00f3rias da escravid\u00e3o e do p\u00f3s-Aboli\u00e7\u00e3o, mulheres negras, comunidades quilombolas, educa\u00e7\u00e3o \u00e9tnico-racial.<\/p>\n<p><strong>PARA ADQUIRIR<\/strong><br \/>\nO livro pode ser comprado diretamente com a autora, pelo e-mail\u00a0claudiamolet@yahoo.com.br.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A t\u00e9cnica-administrativa da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Claudia Daiane Garcia Molet acaba de publicar o livro \u201cO Litoral Negro do Rio Grande do Sul: campesinato negro, parentescos, solidariedades e<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":104390,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,30],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104389"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=104389"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104389\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":104392,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104389\/revisions\/104392"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/104390"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=104389"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=104389"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=104389"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}