{"id":106727,"date":"2021-03-04T09:09:42","date_gmt":"2021-03-04T12:09:42","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=106727"},"modified":"2021-03-04T09:09:42","modified_gmt":"2021-03-04T12:09:42","slug":"oms-estima-25-bilhoes-de-pessoas-com-problemas-auditivos-em-2050","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/oms-estima-25-bilhoes-de-pessoas-com-problemas-auditivos-em-2050\/","title":{"rendered":"OMS estima 2,5 bilh\u00f5es de pessoas com problemas auditivos em 2050"},"content":{"rendered":"<p>O primeiro Relat\u00f3rio Mundial sobre Audi\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ado nesta ter\u00e7a-feira (2) pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), estima que um quarto da popula\u00e7\u00e3o global, ou o equivalente a cerca de 2,5 bilh\u00f5es de pessoas, ter\u00e1 algum grau de perda auditiva em 2050. O estudo destaca, entretanto, que cerca de 60% das perdas podem ser evitados com investimentos em preven\u00e7\u00e3o e tratamento de doen\u00e7as ligadas \u00e0 surdez. Segundo a OMS, o retorno \u00e9 de US$ 16 para cada US$ 1 investido.<\/p>\n<p>Medidas como vacina\u00e7\u00e3o contra rub\u00e9ola e meningite, melhoria dos cuidados maternos e neonatais e tratamento precoce da otite m\u00e9dia s\u00e3o inclu\u00eddos pela OMS na preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as auditivas. O relat\u00f3rio foi lan\u00e7ado na v\u00e9spera do Dia Mundial da Audi\u00e7\u00e3o 2021, que se comemora amanh\u00e3 (3) e tem como lema &#8220;Cuidados Auditivos para Todos!&#8221;.<\/p>\n<p>A OMS recomenda que os tratamentos auditivos fa\u00e7am parte dos planos nacionais de sa\u00fade. Para a popula\u00e7\u00e3o adulta, em especial, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer uma boa higiene dos ouvidos, controlar os ru\u00eddos e manter n\u00edveis seguros de volume para reduzir o potencial de perda auditiva.<\/p>\n<h2>Problemas<\/h2>\n<p>Para o m\u00e9dico Marcos Sarvat, membro da C\u00e2mara T\u00e9cnica de Cirurgia de Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o e Otorrinolaringologia do Conselho Federal de Medicina, n\u00e3o \u00e9 surpresa a preocupa\u00e7\u00e3o da OMS ante a perspectiva de aumento significativo do n\u00famero de pessoas com problemas de audi\u00e7\u00e3o no horizonte de 29 anos. \u201cS\u00e3o problemas j\u00e1 conhecidos e muito comuns os decorrentes na inf\u00e2ncia de infec\u00e7\u00f5es e problemas n\u00e3o tratados na \u00e9poca devida; as doen\u00e7as infecciosas maternas, que podem levar \u00e0 perda auditiva cong\u00eanita, ou seja, as crian\u00e7as j\u00e1 nascem com o problema; e, ao longo da idade pr\u00e9-escolar, muitas desenvolvem problemas em geral de boa solu\u00e7\u00e3o, mas que passam despercebidos.\u201d<\/p>\n<p>Sarvat afirmou que a detec\u00e7\u00e3o da defici\u00eancia ao nascimento, a educa\u00e7\u00e3o, o tratamento e as cirurgias precoces, como o implante coclear, podem ajudar bastante a reduzir a perda auditiva. \u201cAo longo da vida, pela exposi\u00e7\u00e3o sonora excessiva, isso j\u00e1 soma muita gente\u201d, destacou.<\/p>\n<p>O problema da perda da audi\u00e7\u00e3o \u00e9 agravado pelo natural envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, pois, ap\u00f3s os 60 ou 70 anos, a perda auditiva \u00e9 natural, disse Sarvat, que tamb\u00e9m \u00e9 professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. \u201cO simples envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 gera \u2018epidemia\u2019 de defici\u00eancia auditiva, o que n\u00e3o quer dizer surdez absoluta, mas perda parcial\u201d, disse o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Sarvat recomendou que as perdas parciais sejam avaliadas e fa\u00e7am parte dos programas de sa\u00fade p\u00fablica, do nascimento \u00e0 terceira idade. Avalia\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas s\u00e3o tamb\u00e9m necess\u00e1rias para orientar os que enfrentam defici\u00eancias auditivas e minorar o problema. \u201cAinda estamos muito longe disso. N\u00e3o me surpreende esse alerta [da OMS], que j\u00e1 \u00e9 dado pelas entidades m\u00e9dicas h\u00e1 alguns anos, mas \u00e9 bom que\u00a0 seja amplificado pela OMS, especificamente nos dias destinados a uma maior aten\u00e7\u00e3o a problemas desse tipo\u201d, afirmou.<\/p>\n<h2>Pouca oferta<\/h2>\n<p>O m\u00e9dico admitiu que, o problema da perda de audi\u00e7\u00e3o \u00e9 maior nos pa\u00edses subdesenvolvidos em termos de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, entre os quais o Brasil, onde h\u00e1 pouca oferta de medicamentos, cirurgias e pr\u00f3teses. \u201cOu seja, a preven\u00e7\u00e3o por meio de exames peri\u00f3dicos \u00e9 de dif\u00edcil acesso; a consulta \u00e9 de dif\u00edcil acesso, assim como o acesso ao medicamento ou \u00e0 cirurgia\u00a0e as filas para receber a pr\u00f3tese auditiva na terceira idade s\u00e3o enormes.\u201d<\/p>\n<p>Sarvat destacou que existem no Brasil defici\u00eancias estruturais que resultam em pior qualidade de vida para todas as gera\u00e7\u00f5es. \u201cIsso reflete na educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. Uma crian\u00e7a que ouve mal aprende mal e se torna um adulto menos capaz do que seria, e assim por diante. Temos uma cascata de efeitos do idoso abandonado, do idoso solit\u00e1rio, da depress\u00e3o, da perda de motiva\u00e7\u00e3o, do desvinculo familiar, da perda de condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Tudo isso vem em cascata e \u00e9 ignorado\u201d, acrescentou o m\u00e9dico. Para ele, o alerta da OMS \u00e9 bem-vindo e repercute de forma mais ampla para a popula\u00e7\u00e3o mundial, neste momento.<\/p>\n<p>Quanto mais cedo a perda auditiva for detectada, melhor, afirma a fonoaudi\u00f3loga Marcella Vidal. Ela destacou que \u00e9 importante abordar e tratar a perda de audi\u00e7\u00e3o em tempo h\u00e1bil, t\u00e3o logo apare\u00e7am os primeiros ind\u00edcios de dificuldades para ouvir. \u201cCom isso, evitamos uma s\u00e9rie de preju\u00edzos na comunica\u00e7\u00e3o, nos relacionamentos, e as pessoas podem continuar aproveitando a vida ao m\u00e1ximo. Para isso, uma das op\u00e7\u00f5es de tratamento \u00e9 o uso de aparelhos auditivos, que proporcionam in\u00fameros benef\u00edcios para o indiv\u00edduo.&#8221;<\/p>\n<div id=\"attachment_106729\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-106729\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-106729 size-medium\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/aparelhos-auditivos-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/aparelhos-auditivos-300x225.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/aparelhos-auditivos-150x113.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/aparelhos-auditivos.jpg 365w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-106729\" class=\"wp-caption-text\">Relat\u00f3rio \u00e9 divulgado na v\u00e9spera do Dia Mundial da Audi\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<h2>Aparelhos<\/h2>\n<p>Marcos Sarvat observou que, no caso dos aparelhos auditivos, o Brasil, em particular, enfrenta um problema de ordem t\u00e9cnica e econ\u00f4mica, porque depende de forma absoluta da produ\u00e7\u00e3o estrangeira. Com isso, os produtos dispon\u00edveis no mercado s\u00e3o extremamente caros para a maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cCom o envelhecimento progressivo da popula\u00e7\u00e3o, seria interessante termos essa oferta, com est\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o interna de aparelhos mais acess\u00edveis. Mas, infelizmente, isso hoje est\u00e1 longe com a produ\u00e7\u00e3o de tudo<em>\u00a0made in China\u00a0<\/em>[feito na China]\u201d, opinou. Sarvat disse que isso repercute exatamente na sa\u00fade das pessoas ao se tornar algo pouco alcan\u00e7\u00e1vel pela maioria.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio da OMS destaca tamb\u00e9m a quest\u00e3o do preconceito que envolve as pessoas com baixa audi\u00e7\u00e3o e que, muitas vezes, leva \u00e0 inibi\u00e7\u00e3o de buscar o tratamento adequado. Os recursos humanos disponibilizados pelos sistemas de sa\u00fade para tratar desses pacientes s\u00e3o reduzidos, sobretudo nos pa\u00edses mais pobres, onde cerca de 78% t\u00eam menos de um especialista em doen\u00e7a de ouvido, nariz e garganta por cada milh\u00e3o de habitantes. Somente 17% dos pa\u00edses t\u00eam um ou mais fonoaudi\u00f3logos e metade tem um ou mais professores para surdos por milh\u00e3o, indica o documento.<\/p>\n<h2>Audiometria<\/h2>\n<p>De acordo com Marcella, \u00e9 preciso checar a audi\u00e7\u00e3o periodicamente, fazendo o exame de audiometria uma vez por ano. Isso \u00e9 recomendado especialmente para quem tem mais de 50 anos, predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica ou dificuldades para ouvir\u00a0e para quem sofre infec\u00e7\u00f5es frequentes na orelha, trabalha em ambientes ruidosos ou ouve som alto por longos per\u00edodos, como ocorre entre os mais jovens com a \u201cfebre dos fones de ouvido\u201d, disse a fonoaudi\u00f3loga.<\/p>\n<p>Estudo feito em conjunto em 2019 pelo Instituto Locomotiva e a Semana da Acessibilidade Surda revela a exist\u00eancia, no Brasil, de 10,7 milh\u00f5es de pessoas com defici\u00eancia auditiva. Desse total, 2,3 milh\u00f5es t\u00eam defici\u00eancia severa. A surdez atinge 54% de homens e 46% de mulheres. A predomin\u00e2ncia \u00e9 na faixa de 60 anos de idade ou mais (57%).<\/p>\n<p>Entre as pessoas com defici\u00eancia auditiva, 9% nasceram com essa condi\u00e7\u00e3o e 91% a adquiriram ao longo da vida, sendo que a metade foi antes dos 50 anos e, entre os que apresentam defici\u00eancia auditiva severa, 15% j\u00e1 nasceram surdos. Do total pesquisado, 87% n\u00e3o usam aparelhos auditivos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O primeiro Relat\u00f3rio Mundial sobre Audi\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ado nesta ter\u00e7a-feira (2) pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), estima que um quarto da popula\u00e7\u00e3o global, ou o equivalente a cerca de 2,5<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":66557,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,150],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106727"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=106727"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106727\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":106730,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106727\/revisions\/106730"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66557"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=106727"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=106727"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=106727"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}