{"id":107130,"date":"2021-03-18T09:10:55","date_gmt":"2021-03-18T12:10:55","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=107130"},"modified":"2021-03-18T09:11:24","modified_gmt":"2021-03-18T12:11:24","slug":"mes-das-mulheres-nos-podios-pelo-mundo-pelotense-rochele-nunes-conta-sua-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/mes-das-mulheres-nos-podios-pelo-mundo-pelotense-rochele-nunes-conta-sua-historia\/","title":{"rendered":"M\u00caS DAS MULHERES :  Nos p\u00f3dios pelo mundo, pelotense Rochele Nunes conta sua hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Atleta do Jud\u00f4 compete por Portugal desde 2018, tem conquistado medalhas, mas ainda guarda cidade-natal no cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-74906\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/rochele-judo-278x300.jpg\" alt=\"\" width=\"278\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/rochele-judo-278x300.jpg 278w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/rochele-judo-139x150.jpg 139w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/rochele-judo.jpg 556w\" sizes=\"(max-width: 278px) 100vw, 278px\" \/>\u201cSempre um prazer falar para minha cidade-natal. N\u00e3o vou mentir, \u00e9 uma das minhas cidades favoritas no mundo todo. Est\u00e1 no meu top 3\u201d, inicia a judoca Rochele Nunes, 31 anos, competidora da categoria +78kg. Ela tem subido no p\u00f3dio nas competi\u00e7\u00f5es pela sele\u00e7\u00e3o de Portugal. Ap\u00f3s v\u00e1rias medalhas mundiais de bronze, no come\u00e7o de 2021 j\u00e1 conseguiu chegar \u00e0 sua primeira final de Grand Slam, em Tel Aviv, e ficou com a prata.<\/p>\n<p>\u201cComecei no Jud\u00f4 em 1998, na cidade de Canoas, onde eu cresci. Eu fazia ballet, mas, por influ\u00eancia do meu irm\u00e3o, que j\u00e1 fazia o Jud\u00f4, pedi para meus pais. Eles ficaram receosos, mas deixaram. Come\u00e7amos muito por influ\u00eancia dos desenhos: Dragon Ball Z e Tartarugas Ninja. Ent\u00e3o meu irm\u00e3o queria fazer algo parecido. Meus pais tentaram ver o Taekwondo e o Karat\u00ea, mas o mais pr\u00f3ximo da nossa casa era o Jud\u00f4. Nunca imaginava me tornar atleta profissional\u201d, relata o come\u00e7o inusitado.<\/p>\n<p>\u201cCresci com meu irm\u00e3o, ent\u00e3o n\u00e3o tinha tanto a refer\u00eancia de meninas. Tinha minhas amigas, mas em casa assistia ao Dragon Ball. Comecei a competir na categoria J\u00fanior quando tinha 15 anos e acho que foi a\u00ed que decidi ser atleta profissional. Fui em um Sul-Americano, para fora do pa\u00eds, ouvi o hino, fiquei super emocionada e pensei \u2018\u00e9 isso que quero para minha vida\u2019.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com Rochele, foram 10 anos na sele\u00e7\u00e3o brasileira, mas somente em 2018 houve a guinada decisiva para sua carreira: ir para Portugal. \u201cEu era a terceira atleta brasileira em 2018, ent\u00e3o era dif\u00edcil eu ir aos Jogos. Em uma conversa informal, juntamos a fome e a vontade de comer. Havia o meu interesse e tamb\u00e9m houve o interesse da Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa, do Comit\u00ea Ol\u00edmpico e do Benfica, clube que me acolheu. Pensei muito, mas vi que valia a pena. Reacendeu a chama, entrei de cabe\u00e7a nisso. E deu muito<\/p>\n<p>certo. Na primeira competi\u00e7\u00e3o por Portugal, consegui medalha e percebi que n\u00e3o estava competindo s\u00f3 para tentar ir aos Jogos Ol\u00edmpicos, mas tamb\u00e9m por lugar no p\u00f3dio mundial\u201d, relembrou.<\/p>\n<p>Rochele se adaptou ao novo pa\u00eds. A primeira fun\u00e7\u00e3o foi aprender o hino. Ela n\u00e3o queria passar vergonha nas competi\u00e7\u00f5es e, aos poucos, criou o v\u00ednculo que considerava necess\u00e1rio ter com Portugal. \u201cJ\u00e1 que eu n\u00e3o tinha ra\u00edzes aqui, mas hoje consigo dizer que sou cidad\u00e3 portuguesa.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA pandemia me ensinou muita coisa. Mostrou como nossos sonhos podem ser fr\u00e1geis.\u201d A atleta mudou a marcha. O sonho para os Jogos Ol\u00edmpicos \u00e9 hoje um objetivo palp\u00e1vel. Atualmente est\u00e1 em 9\u00ba no ranking para ir a T\u00f3quio. Quer ficar entre as oito melhores para saber com quem luta, podendo prever melhor a competi\u00e7\u00e3o no Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>E quando ela se referiu a Pelotas no Top 3 mundial, ficamos curiosos para saber quem est\u00e1 junto: \u201cMeus lugares favoritos no mundo s\u00e3o Austr\u00e1lia, onde conheci uma cidade chamada Perth, at\u00e9 h\u00e1 muitos brasileiros l\u00e1. Linda e com qualidade de vida. E o Jap\u00e3o, onde come\u00e7ou o Jud\u00f4 e onde s\u00e3o os Jogos Ol\u00edmpicos , mas T\u00f3quio j\u00e1 era um dos meus lugares favoritos\u201d. Afirma na experi\u00eancia de ter conhecido mais de 44 pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cInclusive uma p\u00e1gina no Instagram, a Pelotas da Depress\u00e3o um dia perguntou se algu\u00e9m conhecia as Ilhas Maur\u00edcio e eu respondi que sim. Acharam engra\u00e7ado haver pelotenses por tudo\u201d, risos.<\/p>\n<p>O carinho de Rochele pela cidade de Pelotas \u00e9 pelas boas mem\u00f3rias, onde passava as f\u00e9rias. A fam\u00edlia \u00e9 toda pelotense. Tamb\u00e9m \u00e9 torcedora do G.E. Brasil e sua banda favorita \u00e9 a Sente o Clima, grupo de samba.<\/p>\n<p>\u201cAqui em Portugal tivemos per\u00edodos de confinamento, um por mais de 50 dias. Tive o privil\u00e9gio de estar com cinco atletas do meu clube, os cinco ol\u00edmpicos na casa. Improvisamos tatame, academia e conseguimos manter a forma, mesmo sem sair. Era s\u00f3 para mercado e muito raramente. No momento, estamos em outra cidade isolada e treinamos com outros atletas. \u00c0s vezes v\u00eam espanh\u00f3is, belgas, finlandeses para treinar conosco. O Jud\u00f4, apesar de ser individual, a gente treina de forma coletiva. O pa\u00eds tem nos ajudado, nos destacamos nisso de manter a qualidade. Todo mundo \u00e9 testado antes dos treinos e ficamos no hotel, sem contato externo\u201d, afirmou sobre a pandemia.<\/p>\n<div id=\"attachment_107131\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-107131\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-107131\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/18-03-foto-1-judo-300x212.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"212\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/18-03-foto-1-judo-300x212.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/18-03-foto-1-judo-150x106.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/18-03-foto-1-judo-768x541.jpg 768w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/18-03-foto-1-judo.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-107131\" class=\"wp-caption-text\">Rochele com medalha mundial conquistada em Tel Aviv, em 2019<\/p><\/div>\n<p>Na expectativa pelos Jogos Ol\u00edmpicos de T\u00f3quio, transferidos para este 2021, Rochele Nunes tem alcan\u00e7ado grandes resultados. \u201cVim recentemente de um Grand Slam com medalha de prata. Foi minha primeira final em GS. Tenho somado medalhas no circuito, mas ainda n\u00e3o me vejo como favorita ao p\u00f3dio. At\u00e9 \u00e9 bom n\u00e3o ser favorita, porque no Jud\u00f4 pode esquecer o favoritismo. Vale de nada, porque n\u00e3o existe luta ganha ou vencida, tem que sempre fazer tudo novamente. Vim de bronze no Campeonato da Europa, que \u00e9 muito forte e que tem etapa em abril em Portugal. Ent\u00e3o, mesmo sem torcida, \u00e9 uma motiva\u00e7\u00e3o a mais\u201d, avalia o momento.<\/p>\n<p>Sem torcida. Interessante. Como funciona a torcida no Jud\u00f4? \u201cQuando \u00e9 no seu pa\u00eds, a torcida impulsiona, imp\u00f5e press\u00e3o sobre os \u00e1rbitros, mas tamb\u00e9m sobre os atletas. Tem uma etapa do Circuito Mundial em Paris em que as pessoas pagam ingresso e lotam o gin\u00e1sio. Tive a felicidade de medalhar na \u00faltima. E \u00e9 onde artistas como Rihanna e Beyonc\u00e9 fazem show e as pessoas pagam para assistir ao Jud\u00f4. Ent\u00e3o nessa competi\u00e7\u00e3o faz diferen\u00e7a o p\u00fablico. Mas, na maioria das etapas, fora do pa\u00eds, nossa torcida s\u00e3o os colegas de sele\u00e7\u00e3o, que v\u00e3o continuar torcendo. Ent\u00e3o, essa diferen\u00e7a n\u00e3o percebo tanto. At\u00e9 favorece ouvir a voz dos companheiros.\u201d<\/p>\n<p>Rochele \u00e9 uma representante de v\u00e1rias vertentes. Atleta de esporte com pouco reconhecimento. Imigrante, por morar em outro pa\u00eds. Representante das mulheres negras: \u201cSinto gratid\u00e3o pelo que tem acontecido na minha vida. Minha realidade \u00e9 a de muitas pessoas. Sou mulher, sou preta, sou pesada, mais gordinha, ent\u00e3o sei que essa n\u00e3o \u00e9 a realidade do que destacam. Quando posso, sempre dou a voz por essas pessoas. Sim, voc\u00eas podem conseguir, com disciplina, querendo de verdade. Ainda mais no Esporte, principalmente no Jud\u00f4, encontramos e fizemos um caminho para conquistar mais espa\u00e7o, para sermos vistas. A pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o sempre se espelha na anterior. \u00c9 uma responsabilidade, mas uma gratid\u00e3o tamb\u00e9m. E tamb\u00e9m pelos meus pais, que trabalharam na minha educa\u00e7\u00e3o e quero passar isso adiante\u201d, encerra com chave de ouro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atleta do Jud\u00f4 compete por Portugal desde 2018, tem conquistado medalhas, mas ainda guarda cidade-natal no cora\u00e7\u00e3o \u201cSempre um prazer falar para minha cidade-natal. 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