{"id":107534,"date":"2021-03-31T09:02:26","date_gmt":"2021-03-31T12:02:26","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=107534"},"modified":"2021-03-31T09:02:26","modified_gmt":"2021-03-31T12:02:26","slug":"pandemia-aumenta-diferenca-salarial-entre-homens-e-mulheres-no-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/pandemia-aumenta-diferenca-salarial-entre-homens-e-mulheres-no-rs\/","title":{"rendered":"Pandemia aumenta diferen\u00e7a salarial entre homens e mulheres no RS"},"content":{"rendered":"<p>A pandemia do novo coronav\u00edrus afetou de forma especial as mulheres no Rio Grande do Sul. A redu\u00e7\u00e3o acentuada na participa\u00e7\u00e3o na for\u00e7a de trabalho, somada \u00e0 queda nos rendimentos na compara\u00e7\u00e3o com os homens, \u00e0 maior exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia e dificuldade de acesso aos canais para den\u00fancias e buscas por ajuda s\u00e3o alguns dos pontos em destaque do estudo &#8220;Igualdade de g\u00eanero: observa\u00e7\u00f5es iniciais sobre os efeitos da pandemia&#8221;, divulgado nesta ter\u00e7a-feira (30\/3) pela Secretaria de Planejamento, Governan\u00e7a e Gest\u00e3o (SPGG).<\/p>\n<p>O documento sobre igualdade de g\u00eanero \u00e9 produzido desde 2019 e foi elaborado pelas pesquisadoras Mariana Lisboa Pessoa e Daiane Menezes, do Departamento de Economia e Estat\u00edstica (DEE\/SPGG). O estudo mostra a evolu\u00e7\u00e3o dos indicadores do Rio Grande do Sul na busca pelo cumprimento de um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), que trata da promo\u00e7\u00e3o da igualdade de g\u00eanero como forma de reduzir as desigualdades sociais.<\/p>\n<p>&#8220;O ano de 2020 foi at\u00edpico e a produ\u00e7\u00e3o de dados para entender os impactos da pandemia na vida da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental. Ter este diagn\u00f3stico em m\u00e3os \u00e9 essencial para que o governo possa aprimorar as pol\u00edticas p\u00fablicas e combater a desigualdade de g\u00eanero&#8221;, destacou o titular da SPGG, Claudio Gastal.<\/p>\n<p>Quest\u00f5es referentes a viol\u00eancia de g\u00eanero, inser\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o feminina no mercado de trabalho, diferen\u00e7as salariais, acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas, participa\u00e7\u00e3o em cargos de chefia e eletivos e sa\u00fade sexual e reprodutiva das mulheres est\u00e3o entre os aspectos analisados.<\/p>\n<p>&#8220;A an\u00e1lise dos principais indicadores demonstrou, de maneira geral, que as mulheres foram bastante afetadas pelas medidas de preven\u00e7\u00e3o da dissemina\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus, resultando na diminui\u00e7\u00e3o de registros de viol\u00eancia na contraposi\u00e7\u00e3o do aumento de casos e a sobrecarga de trabalho&#8221;, destaca a pesquisadora Mariana Lisboa Pessoa.<\/p>\n<p><strong>Mercado de trabalho e rendimentos<\/strong><\/p>\n<p>O estudo do DEE detalhou dados sobre as mulheres no mercado de trabalho entre 2015 e 2020. No ano passado, no Rio Grande do Sul elas tinham um rendimento salarial 27,4% menor do que o dos homens, a maior diferen\u00e7a do per\u00edodo analisado. Quanto ao rendimento por hora, o ganho das mulheres passou a representar 82% do recebido pelos homens, contra 85% em 2019.<\/p>\n<p>O ano de 2020 marcou ainda a menor presen\u00e7a das mulheres na Taxa de Participa\u00e7\u00e3o na For\u00e7a de Trabalho (TPFT) no per\u00edodo analisado, com percentual de 51,7%, contra 56,4% em 2019 e 60,2% em 2015. A TPFT indica a porcentagem de pessoas em idade de trabalhar (14 anos ou mais) que est\u00e3o empregadas ou em busca ativa de trabalho em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero total de pessoas. O movimento de baixa iniciou-se a partir do segundo trimestre, com a acentua\u00e7\u00e3o das medidas restritivas para combate ao coronav\u00edrus, que levaram mais mulheres a abandonar o mercado de trabalho para cuidar de crian\u00e7as e idosos. De acordo com os dados do IBGE utilizados no material, at\u00e9 o primeiro trimestre de 2020 o percentual estava no mesmo patamar do ano anterior.<\/p>\n<p>O documento mostra ainda que a m\u00e9dia mensal de horas dedicadas \u00e0s atividades de cuidados de pessoas ou afazeres de casa foi de 20 horas para mulheres do Rio Grande do Sul em 2019, contra 11,5 horas para os homens, similar ao registrado em 2016 (20,6 contra 11,5).<\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia contra a mulher<\/strong><\/p>\n<p>O n\u00famero de den\u00fancias de viol\u00eancia contra a mulher feitas por meio dos canais Disque 100, Ligue 180 e aplicativo Direitos Humanos Brasil chegou a 6.299 no Rio Grande do Sul no primeiro semestre de 2020, o quinto maior n\u00famero do pa\u00eds, segundo o Minist\u00e9rio da Mulher, da Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos. O tipo de viol\u00eancia mais denunciada no Estado no per\u00edodo foi a psicol\u00f3gica (32%), seguida da f\u00edsica (29%).<\/p>\n<p>O estudo destaca tamb\u00e9m o impacto do isolamento social na redu\u00e7\u00e3o do registro de ocorr\u00eancias de viol\u00eancia contra a mulher, especialmente a partir do segundo trimestre do ano, em fun\u00e7\u00e3o da necessidade de den\u00fancia presencial para a maior parte delas. Entre os tipos de agress\u00e3o computadas pela Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica (amea\u00e7a, les\u00e3o corporal, estupro, feminic\u00eddio tentado e feminic\u00eddio consumado), todas apresentaram redu\u00e7\u00e3o com exce\u00e7\u00e3o de estupro, que teve aumento de 8,7% em 2020 na compara\u00e7\u00e3o com 2019, com um total de 1.863 registros.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio aponta ainda a redu\u00e7\u00e3o, a partir do segundo trimestre, do n\u00famero de medidas protetivas concedidas pelo Tribunal de Justi\u00e7a. Nos primeiros tr\u00eas meses de 2020, houve um aumento de 5,2%, seguidos de quedas de 8%, 14,4% e 20,4% nos demais trimestres na compara\u00e7\u00e3o com os mesmos per\u00edodos de 2019.<\/p>\n<p>&#8220;O aumento de casos de crimes sexuais era esperado dentro do contexto da pandemia, uma vez que muitas vezes as v\u00edtimas encontram-se confinadas com seus agressores. No caso das medidas restritivas, n\u00e3o parece ser uma op\u00e7\u00e3o por uma s\u00e9rie de fatores, entre eles a depend\u00eancia financeira e emocional e a falta de uma rede de apoio&#8221;, ressalta Mariana.<\/p>\n<div id=\"attachment_107535\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-107535\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-107535\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/salarios-300x197.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"197\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/salarios-300x197.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/salarios-150x99.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/salarios.jpg 700w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-107535\" class=\"wp-caption-text\">Estudo tamb\u00e9m aponta maior exposi\u00e7\u00e3o de mulheres a situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia e menor participa\u00e7\u00e3o na for\u00e7a de trabalho<\/p><\/div>\n<p><strong>Pr\u00e1ticas nocivas<\/strong><\/p>\n<p>Casamentos prematuros e a maternidade de meninas tamb\u00e9m est\u00e3o entre os dados analisado no estudo. Na regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre, entre 2016 e 2019, n\u00e3o foram registrados casos de casamento de menores de 15 anos, e no Rio Grande do Sul h\u00e1 dois registros em 2017.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos nascimentos de m\u00e3es meninas e m\u00e3es adolescentes no Estado, entre 2015 e 2019 houve redu\u00e7\u00e3o de 42% nos casos de beb\u00eas de m\u00e3es de 10 a 14 anos, caindo de 869 para 503 os registros. Na faixa entre 15 e 19 anos, a redu\u00e7\u00e3o foi de 30%, com varia\u00e7\u00e3o de 20.700 para 14.428 nascimentos.<\/p>\n<p><strong>Mulheres na vida pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es de 2020 indicaram um aumento no n\u00famero de mulheres concorrendo para os cargos em disputa. As mulheres representam 52,5% do eleitorado no Rio Grande do Sul e obtiveram uma participa\u00e7\u00e3o de 17,5% entre as eleitas, pouco acima dos n\u00fameros do Brasil (15,7%). Considerando apenas o cargo de prefeito(a), apenas 7,7% dos eleitos no RS foram mulheres, contra 12,1% no Brasil. Ao cargo de vereador(a) a participa\u00e7\u00e3o das mulheres foi de 19,2% e para vice-prefeito(a), de 17,5%.<\/p>\n<p><strong>Sa\u00fade sexual e reprodutiva<\/strong><\/p>\n<p>O estudo do DEE mostra ainda uma queda significativa na taxa de detec\u00e7\u00e3o de aids\/HIV em mulheres ga\u00fachas entre 2015 e 2020 (de 31,7 para 14,4 casos por 100 mil habitantes). Em rela\u00e7\u00e3o ao acompanhamento pr\u00e9-natal adequado, houve uma melhora no Rio Grande do Sul, onde 71% das gestantes tiveram acesso em 2019 contra 68% em 2017.<\/p>\n<p>Quanto ao tipo de parto, os normais representaram 37% dos casos no Estado em 2019 contra 44% no Brasil. Quando levado em conta a ra\u00e7a\/cor das mulheres, o documento indica que os partos ces\u00e1reos t\u00eam maior concentra\u00e7\u00e3o nas mulheres brancas. Enquanto elas optam pela ces\u00e1rea em 66% das ocasi\u00f5es, mulheres pretas t\u00eam partos normais em 50,9% dos casos. O material aponta que as mulheres pretas t\u00eam menos chance de escolher o tipo de parto, s\u00e3o mais atingidas por viol\u00eancias obst\u00e9tricas e recebem menos orienta\u00e7\u00f5es sobre complica\u00e7\u00f5es no parto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia do novo coronav\u00edrus afetou de forma especial as mulheres no Rio Grande do Sul. A redu\u00e7\u00e3o acentuada na participa\u00e7\u00e3o na for\u00e7a de trabalho, somada \u00e0 queda nos rendimentos<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":107535,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,857],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107534"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=107534"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107534\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":107536,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107534\/revisions\/107536"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/107535"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=107534"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=107534"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=107534"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}