{"id":111395,"date":"2021-08-13T09:45:47","date_gmt":"2021-08-13T12:45:47","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=111395"},"modified":"2021-08-13T09:45:47","modified_gmt":"2021-08-13T12:45:47","slug":"sopapo-linha-do-tempo-da-conquista-do-tambor-como-patrimonio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/sopapo-linha-do-tempo-da-conquista-do-tambor-como-patrimonio\/","title":{"rendered":"SOPAPO  : Linha do tempo da conquista do tambor como patrim\u00f4nio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Protagonismo negro foi decisivo para a lei que est\u00e1 sendo sancionada pela Prefeita<\/strong><\/p>\n<p>Por Carlos Cogoy<\/p>\n<p>Pelotas reconhece formalmente, o pulsar das batidas de um ritmo que est\u00e1 nas entranhas da linha do tempo de sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Afinal, se a Freguesia de S\u00e3o Francisco de Paula \u00e9 de 1812 \u2013 cidade somente em 1835 -, o toque do tambor confeccionado pelos trabalhadores negros escravizados, confunde-se, na segunda metade dos s\u00e9culo 18, com o surgimento das primeiras charqueadas na regi\u00e3o. \u00c9 o que reafirma Andrea Mazza Terra no depoimento ao escritor pelotense Jos\u00e9 Batista \u2013 autor de \u201cO Sopapo Contempor\u00e2neo \u2013 um Elo com a Ancestralidade\u201d -, lan\u00e7ado neste ano.<\/p>\n<div id=\"attachment_111396\" style=\"width: 201px\" class=\"wp-caption alignright\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-111396\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-111396\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/sopapo-patrimonio-191x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"191\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/sopapo-patrimonio-191x300.jpeg 191w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/sopapo-patrimonio-96x150.jpeg 96w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/sopapo-patrimonio.jpeg 382w\" sizes=\"(max-width: 191px) 100vw, 191px\" \/><p id=\"caption-attachment-111396\" class=\"wp-caption-text\">JOS\u00c9 Batista doa instrumento \u00e0 SEDAC\/RS<\/p><\/div>\n<p>Na obra do filho de Neives de Meireles Baptista (1936\/2012) \u2013 gri\u00f4 Mestre Baptista -, tamb\u00e9m men\u00e7\u00f5es aos primeiros registros na imprensa sobre os batuques, bem como a pintura \u201cDan\u00e7a dos Negros\u201d, criada pelo pintor alem\u00e3o Herrmann Rudolf Wendroth em 1852. J\u00e1 em meados dos anos quarenta no s\u00e9culo passado, o instrumento aparece na percuss\u00e3o do Carnaval pelotense. A partir dos oitenta, no entanto, em decorr\u00eancia da influ\u00eancia da sonoridade do Carnaval no Rio de Janeiro, o tambor praticamente desaparece. Coube ao pelotense Giba Giba (1940\/2014), \u201credescobrir\u201d o Sopapo atrav\u00e9s do projeto Cabobu no governo estadual de Ol\u00edvio Dutra (PT). Para o resgate, o trabalho t\u00e9cnico do gri\u00f4 Mestre Baptista, j\u00e1 acompanhado pelo filho \u201cZ\u00e9 Batista\u201d. Algumas etapas da trajet\u00f3ria do tambor que, nesta sexta, atrav\u00e9s da Lei 9615\/21, que ser\u00e1 sancionada pela prefeita Paula Mascarenhas, passa a ser reconhecido como Patrim\u00f4nio Imaterial de Pelotas. Por\u00e9m, no in\u00edcio deste ano, o samba quase atravessou&#8230;<\/p>\n<p><strong>COLETIVIDADE \u2013<\/strong> Na Assembleia Legislativa, como consequ\u00eancia de lobby ileg\u00edtimo e pouco representativo, em rela\u00e7\u00e3o ao Sopapo, foi criado projeto que focava no tambor pelotense. A contradi\u00e7\u00e3o foi flagrada por integrantes do movimento negro, como o pelotense Jos\u00e9 Batista e o gri\u00f4 Edu do Nascimento \u2013 filho de Giba Giba. Em mar\u00e7o foi proposto um debate junto a lideran\u00e7as negras, e houve a cria\u00e7\u00e3o de grupos em Porto Alegre e Pelotas. O protagonismo negro pressionou inst\u00e2ncias como as secretarias municipal e estadual de Cultura, e o projeto foi retirado do tr\u00e2mite no Legislativo ga\u00facho. A seguir, a coletividade apresentou a ideia na C\u00e2mara Municipal, e houve a guarida dos parlamentares, em especial de Paulo Coitinho (Cidadania), que resultou na Lei 9615\/21.<\/p>\n<p><strong>MUSEU J\u00daLIO DE CASTILHOS<\/strong> em Porto Alegre, conforme a diretora, pelotense Doris Couto, estar\u00e1 recebendo um tambor Sopapo, confeccionado por Jos\u00e9 Batista nesta sexta. Ela divulga: \u201cReceber o tambor de sopapo com toda a hist\u00f3ria que esse tipo de instrumento teve nas charqueadas, na Pelotas no s\u00e9culo 18 e, posteriormente, no Carnaval da cidade, e a partir do Projeto CaBoBu, liderado pelo m\u00fasico percussionista Giba Giba, configura-se como signo de resist\u00eancia e elo das pessoas negras com sua p\u00e1tria-m\u00e3e, a \u00c1frica. Ent\u00e3o, significa permitir a resson\u00e2ncia da luta do povo negro ga\u00facho pelo direito \u00e0 vida, e \u00e0 dignidade, que a escraviza\u00e7\u00e3o lhes subtraiu\u201d.<\/p>\n<p><strong>SEDAC &#8211;<\/strong> \u201cOs museus, de modo geral, musealizam artefatos e objetos vinculados \u00e0s elites. Nesse sentido, estaremos promovendo uma repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica com a admiss\u00e3o do Sopapo produzido por Jos\u00e9 Batista, que foi um art\u00edfice fundamental no desenvolvimento dos sopapos, por meio do Projeto CaBoBu, criado pelo m\u00fasico Giba Giba\u201d, enfatiza a secret\u00e1ria estadual Beatriz Ara\u00fajo (Secretaria de Estado da Cultura\/SEDAC\/RS).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Protagonismo negro foi decisivo para a lei que est\u00e1 sendo sancionada pela Prefeita Por Carlos Cogoy Pelotas reconhece formalmente, o pulsar das batidas de um ritmo que est\u00e1 nas entranhas<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":111397,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/111395"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=111395"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/111395\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":111398,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/111395\/revisions\/111398"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/111397"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=111395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=111395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=111395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}