{"id":117329,"date":"2022-04-05T13:28:18","date_gmt":"2022-04-05T16:28:18","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=117329"},"modified":"2022-04-05T13:28:18","modified_gmt":"2022-04-05T16:28:18","slug":"livro-historia-e-ficcao-na-obra-sobre-a-tradicao-pomerana-das-noivas-que-casavam-de-preto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/livro-historia-e-ficcao-na-obra-sobre-a-tradicao-pomerana-das-noivas-que-casavam-de-preto\/","title":{"rendered":"LIVRO :  Hist\u00f3ria e fic\u00e7\u00e3o na obra sobre a tradi\u00e7\u00e3o  pomerana das noivas que casavam de preto"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Ap\u00f3s quinze anos de pesquisa, escritor Jairo Scholl Costa lan\u00e7a o livro \u201cNoivas de Preto\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Por Carlos Cogoy<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-117331\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/livro-as-noivas-de-preto-jairo-229x300.jpg\" alt=\"\" width=\"229\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/livro-as-noivas-de-preto-jairo-229x300.jpg 229w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/livro-as-noivas-de-preto-jairo-115x150.jpg 115w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/livro-as-noivas-de-preto-jairo.jpg 458w\" sizes=\"(max-width: 229px) 100vw, 229px\" \/>Na realidade do sistema feudal, a primeira noite de uma noiva, muitas vezes era com o dono da terra. A submiss\u00e3o era justificada pelo \u201cjus primae noctis\u201d \u2013 direito da primeira noite, ou direito da pernada -, o que reiterava o poder do senhor feudal. Por\u00e9m, como indigna\u00e7\u00e3o, revolta e protesto, as mulheres trajavam preto. A tradi\u00e7\u00e3o das noivas de preto, chegou ao Brasil com os imigrantes pomeranos. No interior de S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul, a tradi\u00e7\u00e3o resistiu at\u00e9 a d\u00e9cada de quarenta do s\u00e9culo passado. Para o vestido preto, no entanto, tamb\u00e9m h\u00e1 outras possibilidades. Numa delas, a falta do tecido branco, em decorr\u00eancia das dificuldades financeiras nas primeiras d\u00e9cadas no Brasil, ou tamb\u00e9m uma op\u00e7\u00e3o pelo preto estar associado \u00e0 realeza. A hist\u00f3ria e suas nuances, \u00e9 a base do livro \u201cNoivas de Preto\u201d (336 p\u00e1ginas), autoria do advogado, historiador e escritor lourenciano, Jairo Scholl Costa. O livro parte de quinze anos de pesquisa, para uma realidade ficcional, sobre as noivas de preto. O lan\u00e7amento da obra, publicada pela editora Pragmatha, ser\u00e1 sexta a partir das 17h, no restaurante Nona Bray \u2013 rua Marechal Floriano 1.118 \u2013 em S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul. A partir das 20h, jantar por ades\u00e3o. Aquisi\u00e7\u00e3o pode ser feita diretamente com o autor no email: jairoscholl@gmail.com<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-117330\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/livro-as-noivas-de-preto-capa-199x300.jpg\" alt=\"\" width=\"199\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/livro-as-noivas-de-preto-capa-199x300.jpg 199w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/livro-as-noivas-de-preto-capa-99x150.jpg 99w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/livro-as-noivas-de-preto-capa.jpg 356w\" sizes=\"(max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/>HIST\u00d3RIA \u2013<\/strong> O autor menciona acerca da pesquisa sobre a tradi\u00e7\u00e3o: \u201cA busca de dados \u00e9 muito dif\u00edcil. H\u00e1 refer\u00eancias sobre o \u2018jus primae noctis\u2019 por Voltaire, Marx, George Orwell, Dias Gomes, h\u00e1 a \u00f3pera Bodas de Figaro at\u00e9 o filme Braveheart. O que eu obtive de mais consistente no meio pomerano, foram vers\u00f5es nas quais o vestido preto era o luto, porque a noiva sa\u00eda da casa dos pais, ou, que o tecido preto era identificado com os vestidos das rainhas, e tamb\u00e9m que o preto era mais solene para a cerim\u00f4nia do casamento. No entanto, conforme a narrativa dos mais velhos, as abordagens at\u00e9 podiam ser verdadeiras, mas ainda havia a interpreta\u00e7\u00e3o na qual o vestido preto significava o luto das noivas, j\u00e1 que teriam a primeira noite com o dono das terras, o senhor feudal. Observo que n\u00e3o foram todos os pomeranos, que se dispuseram a falar sobre o tema. Ent\u00e3o, embora eu j\u00e1 ouvisse sobre o assunto desde a adolesc\u00eancia, a pesquisa e o trabalho de escrita do livro, exigiram mais de quinze anos\u201d. A obra liter\u00e1ria conta com o apoio cultural de Coopar\/Pomerano Alimentos, Wolgast Bier, Caminho Pomerano e Ruralidades Sul.<\/p>\n<p><strong>POMERANOS<\/strong> \u2013 Jairo Scholl Costa acrescenta: \u201cOs idosos falavam que vestir preto era um protesto. Era como usar uma mortalha. Mas as noivas tamb\u00e9m atavam um fio verde na cintura, o que significava a esperan\u00e7a de que o costume viesse acabar. O costume de casar com vestido preto alcan\u00e7ou at\u00e9 os anos 1940 na col\u00f4nia de S\u00e3o Louren\u00e7o. A coleta de informa\u00e7\u00f5es orais foi dif\u00edcil, pois n\u00e3o era f\u00e1cil encontrar idosos com desejo de falar sobre isto. Embora, estiv\u00e9ssemos falando de um costume que teria vigorado por mais de oitocentos anos. Para alguns dos idosos, \u00e9 o traje preto \u00e9 considerado como lenda. Mas, para outros, prevalece o suposto direito dos senhores. Enfim, para aqueles idosos que encontrei, era sofrido falar porque, mesmo transcorrido tanto tempo, isto trazia \u00e0 tona o sofrimento do povo pomerano. Um povo que nunca foi sujeito, mas objeto de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. E, em mil anos, teve a m\u00e9dia de uma guerra a cada 4,5 anos, quase sempre pela cobi\u00e7a dos estrangeiros, que desejavam conquistar o territ\u00f3rio\u201d. O escritor observa que teve acesso a uma fotografia de 1965, que ainda registra uma noiva de preto em S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul.<\/p>\n<p>PROTESTO \u2013 Em rela\u00e7\u00e3o ao vestido preto como indigna\u00e7\u00e3o, Jairo Scholl Costa afirma: \u201cSegundo as fontes, que ouviram a hist\u00f3ria oral de seus ancestrais, atrav\u00e9s dos s\u00e9culos at\u00e9 nosso tempo, o vestido preto teria tamb\u00e9m uma conota\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Era uma forma de protesto contra a viol\u00eancia que as mulheres, em nome de uma tradi\u00e7\u00e3o, eram submetidas. Ali\u00e1s, uma tradi\u00e7\u00e3o que tinha suas ra\u00edzes ainda no mundo pr\u00e9-crist\u00e3o. De alguma forma, na atualidade restou a viol\u00eancia contra as mulheres, pois elas continuam v\u00edtimas da viol\u00eancia. Veja-se o n\u00famero de estupros, feminic\u00eddios, agress\u00f5es de todo o g\u00eanero, discrimina\u00e7\u00e3o e preconceito\u201d.<\/p>\n<p>TRADI\u00c7\u00c3O \u2013 \u201cA hist\u00f3ria da realiza\u00e7\u00e3o de casamentos tradicionais de noivas de preto, s\u00e3o abundantes no Esp\u00edrito Santo, inclusive h\u00e1 um autor capixaba que j\u00e1 escreveu sobre a quest\u00e3o do \u2018primae noctis\u2019 durante o feudalismo. Existe ainda um detalhe interessante, isto \u00e9, que as noivas n\u00e3o servas, casavam com vestidos coloridos. Parece que, em Pomerode, Santa Catarina, existe num museu de cultura pomerana, um vestido de noiva que \u00e9 vermelho\u201d, diz o pesquisador lourenciano.<\/p>\n<p>AUTOR Jo\u00e3o Scholl Costa \u00e9 mestre em navega\u00e7\u00e3o e j\u00e1 publicou tr\u00eas livros: \u201cCenten\u00e1rio de S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul 1884\/1984\u201d; \u201cNavegadores da Lagoa dos Patos: A Saga N\u00e1utica de S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul\u201d; \u201cPescador de Arenques\u201d. Tamb\u00e9m publica artigos sobre os pomeranos, e a forma\u00e7\u00e3o da Serra dos Tapes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s quinze anos de pesquisa, escritor Jairo Scholl Costa lan\u00e7a o livro \u201cNoivas de Preto\u201d Por Carlos Cogoy Na realidade do sistema feudal, a primeira noite de uma noiva, muitas<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":117330,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117329"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=117329"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117329\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":117332,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117329\/revisions\/117332"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/117330"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=117329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=117329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=117329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}