{"id":121228,"date":"2022-08-25T09:02:15","date_gmt":"2022-08-25T12:02:15","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=121228"},"modified":"2022-08-25T09:02:15","modified_gmt":"2022-08-25T12:02:15","slug":"livro-a-tecnologia-digital-como-fonte-de-vigilancia-opressao-e-racismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/livro-a-tecnologia-digital-como-fonte-de-vigilancia-opressao-e-racismo\/","title":{"rendered":"LIVRO :  A tecnologia digital como fonte de  vigil\u00e2ncia, opress\u00e3o e racismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Nesta quinta \u00e0s 18h, pesquisador Deivison Faustino, debate e autografa livro no Fica Ah\u00ed<\/strong><\/p>\n<p>Por Carlos Cogoy<\/p>\n<p>Os s\u00e9culos XV e XVI est\u00e3o na origem de um conceito que, gradativamente foi se expandindo e consolidando no mundo ocidental. Per\u00edodo hist\u00f3rico que desencadeou as navega\u00e7\u00f5es, e consequentemente a invas\u00e3o de novos territ\u00f3rios, o colonialismo caracterizou-se pela sanha por riquezas e poder. Assim, regi\u00f5es como o continente africano e a Am\u00e9rica Latina, passaram a ser saqueadas pelos europeus. Alguns s\u00e9culos depois, os processos de independ\u00eancia atenuaram a pilhagem, mas a inger\u00eancia persiste atrav\u00e9s de press\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas. No s\u00e9culo XXI, em decorr\u00eancia de novas ferramentas tecnol\u00f3gicas, a comunica\u00e7\u00e3o digital tem transformado o cotidiano. Mas, a conectividade que, presumia-se, possibilitaria uma nova realidade, em geral tem aumentado a desigualdade. Al\u00e9m disso, consolida-se como vigil\u00e2ncia e controle, e tem sido questionada atrav\u00e9s de reflex\u00f5es como o \u201cRacismo Algor\u00edtmico\u201d. Alguns dos temas que est\u00e3o no livro \u201cColonialismo Digital \u2013 Por uma cr\u00edtica hacker-fanoniana\u201d, que ter\u00e1 debate e sess\u00e3o de aut\u00f3grafos nesta quinta em Pelotas.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-121231\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/livro-colonialismo-digital-capa-211x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"211\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/livro-colonialismo-digital-capa-211x300.jpeg 211w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/livro-colonialismo-digital-capa-106x150.jpeg 106w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/livro-colonialismo-digital-capa.jpeg 422w\" sizes=\"(max-width: 211px) 100vw, 211px\" \/>LAN\u00c7AMENTO<\/strong> \u2013 A obra, publicada pela Editora Ci\u00eancias Revolucion\u00e1rias, \u00e9 coautoria dos pesquisadores Deivison Faustino e Walter Lippold. No lan\u00e7amento que acontece \u00e0s 18h, no Clube Cultural Fica Ah\u00ed Pra Ir Dizendo \u2013 rua Marechal Deodoro 368 -, estar\u00e1 presente o autor Deivison Faustino. Doutor em sociologia, ele \u00e9 professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Servi\u00e7o Social e Pol\u00edticas Sociais da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (UNIFESP). Deivison estar\u00e1 explanando sobre o livro, bem como acerca das pesquisas que tem realizado. A media\u00e7\u00e3o ser\u00e1 da professora Miriam Cristiane Alves (UFPel). O livro ser\u00e1 comercializado a R$60,00.<\/p>\n<p><strong>FANON \u2013<\/strong> O m\u00e9dico, escritor e fil\u00f3sofo martinicano Frantz Fanon (1925\/1961), que integrou a Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional da Arg\u00e9lia (FLN), notabilizou-se por obras como \u201cPele Negra, M\u00e1scaras Brancas\u201d e \u201cCondenados da Terra\u201d. Neste, \u00e9 antol\u00f3gico o pref\u00e1cio de autoria do fil\u00f3sofo franc\u00eas Jean-Paul Sartre (1905\/1980). Ap\u00f3s os anos setenta, no entanto, o pensamento de Fanon \u2013 cr\u00edtica ao colonialismo -perdeu espa\u00e7o nas universidades. Conforme o paulista Deivison Faustino, que publicou \u201cFrantz Fanon: um revolucion\u00e1rio, particularmente negro\u201d (2018), \u201cA disputa em torno de Frantz Fanon: a teoria e a pol\u00edtica dos Fanonismos contempor\u00e2neos\u201d (2020), e \u201cFrantz Fanon e as encruzilhadas: teoria, pol\u00edtica e subjetividade\u201d de 2022, a redescoberta e valoriza\u00e7\u00e3o t\u00eam ocorrido no s\u00e9culo XXI, em especial na segunda d\u00e9cada. Para o pesquisador, o resgate acontece com a chegada de estudantes negros \u00e0s universidades. Em fun\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de a\u00e7\u00f5es afirmativas, aumentaram os negros na gradua\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m doc\u00eancia. Com isso, a reflex\u00e3o de Fanon foi deixando a invisibilidade, e aparecendo em pesquisas, obras e debates.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-121230\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/livro-colonialismo-digital-fanon-264x300.jpg\" alt=\"\" width=\"264\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/livro-colonialismo-digital-fanon-264x300.jpg 264w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/livro-colonialismo-digital-fanon-132x150.jpg 132w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/livro-colonialismo-digital-fanon.jpg 374w\" sizes=\"(max-width: 264px) 100vw, 264px\" \/>DIGITAL \u2013<\/strong> Entre os principais eixos te\u00f3ricos, pesquisados por Deivison, est\u00e3o o capitalismo, colonialismo e racismo. Conforme explica, o conceito de colonialismo digital tem sido recorrente em \u00e1reas da computa\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m das ci\u00eancias sociais. Entre os enfoques, quest\u00f5es como o acesso \u00e0 tecnologia, mapeando as diferen\u00e7as entre pa\u00edses, e tamb\u00e9m no contraste de localidades num mesmo Pa\u00eds. Como exemplo, uma rica regi\u00e3o paulista, que possui mais antenas e dispositivos, do que a realidade perif\u00e9rica. Conforme o pesquisador, numa \u00e1rea de dez quil\u00f4metros, \u00e9 poss\u00edvel observar o abismo para acessar a tecnologia. \u201cObservamos que, embora as ferramentas sejam importantes e podem ajudar, ao inv\u00e9s do desenvolvimento, t\u00eam at\u00e9 agravado desigualdades que j\u00e1 estavam estabelecidas nas rela\u00e7\u00f5es sociais. Por exemplo, o per\u00edodo da pandemia, que exigiu a educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia. As desigualdades sociais apareceram ainda mais, pois muitos alunos n\u00e3o conseguiram o acesso eletr\u00f4nico \u00e0 educa\u00e7\u00e3o\u201d, avalia Deivison.<\/p>\n<p><strong>CAPITALISMO \u2013<\/strong> Outro aspecto do mundo digital, reflete Deivison, \u00e9 o impacto que tem fortalecido conceitos b\u00e1sicos do capitalismo, como explora\u00e7\u00e3o, lucro e acumula\u00e7\u00e3o. De acordo com ele, desde o surgimento, que o capitalismo impulsiona t\u00e9cnicas produtivas. \u201cA novidade \u00e9 que est\u00e1 intensificada a automa\u00e7\u00e3o. Com a m\u00e1quina a vapor e os autom\u00f3veis, a for\u00e7a humana ainda era necess\u00e1ria. Atualmente, por\u00e9m, a autonomia do processo produtivo, tem provocado a exclus\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. As f\u00e1bricas demitem em massa, pois \u00e9 cada vez menor a interven\u00e7\u00e3o humana. Nesse cen\u00e1rio, constatamos que seria formid\u00e1vel a sincronia de diferentes espa\u00e7os produtivos dentro de um novo ritmo. Mas, somente n\u00e3o \u00e9 fant\u00e1stico, por conta do capitalismo, que est\u00e1 baseado na explora\u00e7\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o. Assim, nunca a humanidade produziu tanto mas, ao mesmo tempo, o resultado n\u00e3o \u00e9 distribu\u00eddo pois \u00e9 privado\u201d.<\/p>\n<p><strong>MERCADO DE DADOS<\/strong> \u2013 O conceito de colonialismo, na contemporaneidade, diz Deivison, aplica-se tamb\u00e9m ao indiv\u00edduo. Ele menciona que cinco grandes empresas, controlam quase toda a internet no planeta. E a tend\u00eancia monopolista tem sufocado outras iniciativas aut\u00f4nomas. Com isso, observa, est\u00e1 reproduzida a l\u00f3gica colonial do s\u00e9culo XVI. O que interessa atualmente, no entanto, s\u00e3o os dados. H\u00e1 um mercado de dados. Os rastros digitais permitem aferir, a partir de um CPF, qual o perfil de um consumidor, se usa o d\u00e9bito ou cr\u00e9dito, e quais as mercadorias preferidas. Uma simples compra numa farm\u00e1cia, j\u00e1 contribui para nutrir de dados. Esse volume de informa\u00e7\u00f5es \u00e9 negociado, e houve alguns esc\u00e2ndalos. O mercado de dados, diz Deivison, em determinadas circunst\u00e2ncias, vale mais que o petr\u00f3leo. O colonialismo est\u00e1 na explora\u00e7\u00e3o de pa\u00edses que det\u00eam a tecnologia, e os outros que fornecem dados. Para contrapor-se a essa realidade, \u00e9 necess\u00e1ria uma regula\u00e7\u00e3o. Em especial, frisa o autor, a retomada do debate sobre a Lei Geral de Produ\u00e7\u00e3o de Dados.<\/p>\n<p><strong>RACISMO ALGOR\u00cdTMICO \u2013<\/strong> Antes da digitaliza\u00e7\u00e3o do cotidiano, as c\u00e2meras foram alardeadas como recursos de seguran\u00e7a. Por\u00e9m, com os aplicativos de reconhecimento facial, a base \u00e9 a pessoa branca. Com isso, aumentam as chances de erros e puni\u00e7\u00f5es, bem como o percentual de criminaliza\u00e7\u00e3o do negro. Na intelig\u00eancia artificial, menciona o pesquisador, a base est\u00e1 nos c\u00e1lculos, transferindo a uma m\u00e1quina, o que seria a responsabilidade da sociedade. \u201cA distopia n\u00e3o \u00e9 irrevers\u00edvel, pois a m\u00e1quina \u00e9 um produto humano, e n\u00f3s controlamos esse processo. Mas quem nos amea\u00e7a \u00e9 a pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o social, dependendo do uso que damos \u00e0s tecnologias\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta quinta \u00e0s 18h, pesquisador Deivison Faustino, debate e autografa livro no Fica Ah\u00ed Por Carlos Cogoy Os s\u00e9culos XV e XVI est\u00e3o na origem de um conceito que, gradativamente<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":121229,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121228"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=121228"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121228\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":121232,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121228\/revisions\/121232"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/121229"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=121228"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=121228"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=121228"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}