{"id":122360,"date":"2022-10-05T10:48:45","date_gmt":"2022-10-05T13:48:45","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=122360"},"modified":"2022-10-06T09:40:19","modified_gmt":"2022-10-06T12:40:19","slug":"efeitos-da-pandemia-pesquisa-da-ufpel-apresenta-o-quadro-preliminar-de-saude-no-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/efeitos-da-pandemia-pesquisa-da-ufpel-apresenta-o-quadro-preliminar-de-saude-no-rs\/","title":{"rendered":"EFEITOS DA PANDEMIA: Pesquisa da UFPel apresenta o quadro preliminar de sa\u00fade no RS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Resultados indicam preval\u00eancia de depress\u00e3o, ansiedade, inseguran\u00e7a alimentar e persist\u00eancia de sintomas p\u00f3s-infec\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/coortepampa\/\">Estudo<\/a>\u00a0da\u00a0<strong>Universidade Federal de Pelotas<\/strong>\u00a0(UFPel) sobre os\u00a0<strong>efeitos indiretos<\/strong>\u00a0da\u00a0<strong>pandemia<\/strong>\u00a0de Covid-19 \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica concluiu em julho de 2022 mais uma etapa de coleta de dados. A pesquisa re\u00fane informa\u00e7\u00f5es da\u00a0<strong>sa\u00fade mental e f\u00edsica<\/strong>\u00a0da<strong>\u00a0popula\u00e7\u00e3o adulta do Rio Grande do Sul<\/strong>\u00a0desde o in\u00edcio das medidas de distanciamento social. Os resultados preliminares, com base nas cerca de 2,6 mil participa\u00e7\u00f5es nesta fase, revelam cen\u00e1rios elevados de\u00a0<strong>insufici\u00eancia de atividade f\u00edsica<\/strong>\u00a0(67,2%),\u00a0<strong>depress\u00e3o<\/strong>\u00a0(19%),\u00a0<strong>ansiedade<\/strong>\u00a0(30%),\u00a0<strong>inseguran\u00e7a alimentar<\/strong>\u00a0(33,3%) e\u00a0<strong>persist\u00eancia de sintomas p\u00f3s-infec\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0(75%), a chamada \u201c<strong>Covid longa<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisa da Escola Superior de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica (<a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/esef\/\">Esef<\/a>) da UFPel (\u201c<a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/coortepampa\/\">Coorte Pampa<\/a>\u201d) trata-se de um estudo longitudinal: o objetivo \u00e9 identificar varia\u00e7\u00f5es de uma determinada amostragem ao longo do tempo. Neste caso, a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o adulta do Estado, f\u00edsica e mental, durante as diversas fases da pandemia: do in\u00edcio das medidas restritivas \u00e0 flexibiliza\u00e7\u00e3o e ao retorno integral das atividades presenciais. O levantamento, financiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (<a href=\"https:\/\/fapergs.rs.gov.br\/inicial\">Fapergs<\/a>) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/cnpq\/pt-br\">CNPq<\/a>), \u00e9 realizado por meio de formul\u00e1rio eletr\u00f4nico. A pesquisa, atualmente em sua quarta etapa, prev\u00ea mais dois momentos de coleta, nos mesmos per\u00edodos em 2023 e 2024.<\/p>\n<p>Embora os resultados n\u00e3o sejam imediatamente generaliz\u00e1veis \u00e0 popula\u00e7\u00e3o do Estado, conforme os pesquisadores do projeto, s\u00e3o \u201caltamente similares\u201d com as mostras globais, nacionais, regionais e representativas publicadas at\u00e9 o momento. O instrumento de pesquisa poss\u00edvel para o contexto de pandemia, por depender do acesso dos participantes a dispositivo eletr\u00f4nico e \u00e0 Internet, projeta uma participa\u00e7\u00e3o majoritariamente de segmentos escolarizados e economicamente mais favorecidos, o que\u00a0<strong>alerta para cen\u00e1rios de maior vulnerabilidade no Estado<\/strong>. \u201cA gente sempre pensa nas popula\u00e7\u00f5es de renda mais baixa. Se na popula\u00e7\u00e3o m\u00e9dia a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 essa, que tem acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade, na de renda baixa \u00e9 pior\u201d, estima o pesquisador Eduardo Caputo.<\/p>\n<p><strong>Sintomas Persistentes<\/strong><\/p>\n<p>A s\u00edndrome \u201cCovid longa\u201d \u00e9 entendida pela perman\u00eancia de sintomas por pelo menos tr\u00eas meses ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o. Nessa situa\u00e7\u00e3o, encontram-se\u00a0<strong>tr\u00eas a cada quatro adultos\u00a0<\/strong>participantes do estudo. Os dados, nessa fase inicial de an\u00e1lises, indicam perda de mem\u00f3ria, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o, mobilidade prejudicada, sintomas respirat\u00f3rios (tosse, falta de ar) e, em menor escala, gastrointestinais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de identificar consequ\u00eancias \u00e0 sa\u00fade ainda n\u00e3o catalogadas pela Ci\u00eancia, a expectativa do levantamento sobre os sintomas, explica um dos pesquisadores do estudo, Natan Feter, \u00e9 de contribuir para o reconhecimento dos fatores que levam aos quadros mais grave da doen\u00e7a, aos casos de reinfec\u00e7\u00e3o, \u00e0 \u201cCovid longa\u201d e \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o do grupo de pessoas que se encontra em maior risco. \u201cPor muito tempo, tratamos a pandemia como uma certa aleatoriedade. Com esses dados, a gente vai conseguir identificar preditores, quais s\u00e3o os fatores que a gente pode identificar associados com diferentes complica\u00e7\u00f5es dessa s\u00edndrome\u201d, projeta.<\/p>\n<p><strong>Sa\u00fade Mental em alerta, mas distanciamento social n\u00e3o \u00e9 a causa<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa identifica que, atualmente, 19% dos participantes do estudo est\u00e3o em\u00a0<strong>alto risco para depress\u00e3o<\/strong>\u00a0e 30% para\u00a0<strong>ansiedade<\/strong>. Embora se apresente queda em rela\u00e7\u00e3o ao levantamento anterior, o quadro identificado \u00e9, respectivamente, mais de quatro e seis vezes superior \u00e0 realidade pr\u00e9-pandemia (antes de mar\u00e7o de 2020). \u00c0 \u00e9poca, 4,2% e 4,7% estavam em situa\u00e7\u00e3o de depress\u00e3o e ansiedade. Em junho de 2020, in\u00edcio do per\u00edodo de distanciamento, esses n\u00fameros passaram para 28,6% e 37,6%. \u201cN\u00f3s t\u00ednhamos um problema e foi gravado\u201d, resume Natan Feter. Segundo o pesquisador, o Rio Grande do Sul, em 2013, j\u00e1 apresentava uma das maiores preval\u00eancias de transtornos mentais do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>O estudo da UFPel\u00a0<strong>refuta a associa\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0<strong>entre o distanciamento social<\/strong>\u00a0<strong>e sintomas de depress\u00e3o e ansiedade<\/strong>. Os dados revelam que n\u00e3o houve diferen\u00e7a, para esse diagn\u00f3stico, entre as pessoas que permaneceram no ambiente domiciliar a maior parte do dia, com sa\u00edda para atividades essenciais (como comprar alimentos), e as que estavam fora de suas casas, majoritariamente, durante o per\u00edodo mais preocupante \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica.\u00a0 \u201cO risco \u00e9 igual para todo mundo\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>No mapa da Fome<\/strong><\/p>\n<p><strong>Um em cada tr\u00eas adultos<\/strong>\u00a0participantes apresenta algum n\u00edvel de\u00a0<strong>vulnerabilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o<\/strong>. Os pesquisadores chegaram a esse entendimento pela Escala Brasileira de Inseguran\u00e7a Alimentar (Ebia). O modelo define indicadores, no per\u00edodo de tr\u00eas meses, para a caracteriza\u00e7\u00e3o desse quadro, como a falta de dinheiro para a compra de comida, refei\u00e7\u00f5es n\u00e3o realizadas e alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o saud\u00e1vel por insufici\u00eancia de recursos.<\/p>\n<p>Os dados coletados s\u00e3o considerados \u201cextremamente preocupantes\u201d pelos pesquisadores, por revelarem a situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social no Estado e indicarem poss\u00edveis cen\u00e1rios mais gravosos nos contexto das fam\u00edlias de baixa renda. \u201cNo Rio Grande do Sul, a gente, por cultura, tende a subestimar a inseguran\u00e7a alimentar. N\u00f3s associamos esse quadro de desigualdade em regi\u00f5es mais pobres do Brasil. A gente faz de conta que n\u00e3o existe na regi\u00e3o, no nosso Estado\u201d, alerta Natan Feter.<\/p>\n<div id=\"attachment_122361\" style=\"width: 527px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-122361\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-122361\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/atividade-fisica.jpg\" alt=\"\" width=\"517\" height=\"367\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/atividade-fisica.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/atividade-fisica-300x213.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/atividade-fisica-150x107.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/atividade-fisica-768x545.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 517px) 100vw, 517px\" \/><p id=\"caption-attachment-122361\" class=\"wp-caption-text\">Atividade f\u00edsica segue em baixa<\/p><\/div>\n<p><strong>Projeto Ruas de Lazer<\/strong><\/p>\n<p>No novo levantamento, a atividade f\u00edsica continua aqu\u00e9m do recomendado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (<a href=\"https:\/\/www.who.int\/pt\">OMS<\/a>): 150 minutos semanais. Essa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o de 67,2% dos participantes desta fase da pesquisa. No come\u00e7o da pandemia, junho e julho de 2020, o \u00edndice chegou a 75%.<\/p>\n<p>Mesmo dois anos ap\u00f3s o in\u00edcio da situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, os n\u00fameros de inatividade f\u00edsica s\u00e3o \u201cmais preocupantes\u201d que os valores pr\u00e9-pandemia, o que indica progn\u00f3sticos prejudiciais. \u201cA popula\u00e7\u00e3o que se mexe pouco certamente vai influenciar na sua sa\u00fade mental e f\u00edsica. A tend\u00eancia \u00e9 que tenha problema de sa\u00fade cr\u00f4nico futuramente\u201d, lamenta Eduardo Caputo.<\/p>\n<p>Os pesquisadores salientam que, para ter uma vida mais saud\u00e1vel, a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa necessariamente investir financeiramente. Um dos projetos de extens\u00e3o da Universidade, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ruasdelazer.pelotas\/\">Ruas de Lazer<\/a>, \u00e9 o exemplo da possibilidade de fazer atividade f\u00edsica, ao ar livre, sem a necessidade de despender recursos para isso.<\/p>\n<p><strong>Baixa procura pelos servi\u00e7os de sa\u00fade<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m indica que\u00a0<strong>um em cada cinco adultos<\/strong>\u00a0n\u00e3o busca os servi\u00e7os de sa\u00fade mesmo quando precisa;\u00a0<strong>a mesma propor\u00e7\u00e3o<\/strong>, dos que procuram, n\u00e3o consegue acesso a medicamentos prescritos para tratamento. Os sintomas de sa\u00fade mental indicados no estudo, segundo os pesquisadores, podem ajudar a explicar esse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resultados indicam preval\u00eancia de depress\u00e3o, ansiedade, inseguran\u00e7a alimentar e persist\u00eancia de sintomas p\u00f3s-infec\u00e7\u00e3o Estudo\u00a0da\u00a0Universidade Federal de Pelotas\u00a0(UFPel) sobre os\u00a0efeitos indiretos\u00a0da\u00a0pandemia\u00a0de Covid-19 \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica concluiu em julho de 2022 mais<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":122362,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,150],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/122360"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=122360"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/122360\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":122363,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/122360\/revisions\/122363"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/122362"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=122360"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=122360"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=122360"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}