{"id":127284,"date":"2023-04-24T18:36:50","date_gmt":"2023-04-24T21:36:50","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=127284"},"modified":"2023-04-24T18:36:50","modified_gmt":"2023-04-24T21:36:50","slug":"artigo-introducao-ao-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/artigo-introducao-ao-brasil\/","title":{"rendered":"Artigo: Introdu\u00e7\u00e3o ao Brasil"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\">Marcus Vinicius Martins Antunes<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Advogado<\/h4>\n<p>Com 18 anos, em 1970, vestibular feito no ver\u00e3o, e aluno da Faculdade de Direito, fui pela primeira vez sozinho ao Rio de Janeiro. Em julho, de \u00f4nibus direto, partindo do inverno de Pelotas. Vinte e quatro horas depois, com roupas de l\u00e3 ainda, senti os olhares cariocas, divertidos ou incr\u00e9dulos ao redor.<\/p>\n<p>Ia-se ao Rio de Janeiro por ele e para ele pr\u00f3prio, mas tamb\u00e9m para espiar, ter uma fresta da Europa. Ali viviam muitos europeus. E os cariocas viajavam regularmente para l\u00e1, ou tinha contatos permanentes com a Europa. Brigitte Bardot, por exemplo, estivera pouco antes no Rio e depois em B\u00fazios, com Bob Zagury, o namorado, para uma temporada.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, Copacabana era ainda um lugar sem gente dormindo e vivendo nas cal\u00e7adas, ou na areia da praia. E ali havia tamb\u00e9m, n\u00e3o s\u00f3 para Vinicius, muitas garotas de Ipanema. Todas bronzeadas. A desigualdade estava geograficamente localizada, nas favelas e periferias. E a transgress\u00e3o ainda n\u00e3o era organizada, nem integrada com mil\u00edcias e pol\u00edcia, o t\u00f3xico rec\u00e9m chegando.<\/p>\n<p>Fiquei alguns dias, e depois, com mais tr\u00eas, entre eles um primo, fomos pegando caronas, durante quatro dias at\u00e9 Salvador, onde ficamos uns cinco dias, dormindo no ch\u00e3o, sobre caixas de papel\u00e3o dobradas, h\u00e1 poucos metros da Baixa do Sapateiro. A sala foi emprestada sem custo, ap\u00f3s uma caminhada com o propriet\u00e1rio, que retirou o pre\u00e7o de aluguel, parecendo interessado em nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Dentro de um imenso sobrado de ladeira do in\u00edcio do s\u00e9culo dezenove, com escadaria para subir, tivemos a compaix\u00e3o e o caf\u00e9 da manh\u00e3 de vizinhas, todas enfermeiras, se bem me lembro. Na esquina, em baixo, conhecemos o significado pr\u00e1tico da express\u00e3o \u201cquente\u201d, para comida, usada em Salvador. N\u00e3o preciso falar do mar, que nunca vira azul ou verde. Nem das igrejas, que sussurravam o tempo.<\/p>\n<p>Retornamos em caronas, de novo, eu com sensa\u00e7\u00e3o de anestesia do irreal. Voltamos ao Rio, e nunca mais nos encontramos.<\/p>\n<p>Foi o deslumbramento, meu primeiro contato com o Brasil. Ali, a pele branca era bem rara. Em lugar do nosso modo quase brusco de falar, uma fala mansa, pausada, quase musical. E aquela arquitetura colonial ainda n\u00e3o restaurada. Logo passei a ler Jorge Amado.<\/p>\n<p>Sa\u00eddo da terra do S\u00e3o Gon\u00e7alo, das geadas e dos h\u00e1bitos da pequena urbe do extremo sul, quase pampeana, me deparei com outro mundo, bastante gentil.<\/p>\n<p>Foi minha introdu\u00e7\u00e3o ao Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcus Vinicius Martins Antunes Advogado Com 18 anos, em 1970, vestibular feito no ver\u00e3o, e aluno da Faculdade de Direito, fui pela primeira vez sozinho ao Rio de Janeiro. 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