{"id":128923,"date":"2023-06-28T10:34:41","date_gmt":"2023-06-28T13:34:41","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=128923"},"modified":"2023-06-28T10:34:41","modified_gmt":"2023-06-28T13:34:41","slug":"corpo-de-bombeiros-militar-tem-primeiro-soldado-trans","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/corpo-de-bombeiros-militar-tem-primeiro-soldado-trans\/","title":{"rendered":"Corpo de Bombeiros Militar tem primeiro soldado trans"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Com 128 anos de hist\u00f3ria, o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) tem, pela primeira vez, um soldado transexual<\/em><\/h3>\n<p>Theo entrou na corpora\u00e7\u00e3o como Bruna, mas hoje \u00e9 o primeiro homem trans a integrar o efetivo da corpora\u00e7\u00e3o. Agora, o militar carrega na farda o nome Theo, como sempre sonhou, e \u00e9 tratado por todos como um soldado do sexo masculino \u2013 a identidade de g\u00eanero que escolheu.<\/p>\n<p>Tanto a transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero de Theo como a sua formatura como bombeiro s\u00e3o bastante recentes. A mudan\u00e7a ocorreu h\u00e1 aproximadamente tr\u00eas meses, e a solenidade, em 16 de junho deste ano. Para Theo, era um grande sonho poder se formar j\u00e1 ostentando no peito o nome masculino no sutache, uma tarjeta fixada sobre o bolso do uniforme que identifica o militar.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho. \u00c9 como me identifico e como eu esperava ser chamado desde pequeno. Era o sonho de todos os meus amigos ver o nome com o qual me identifico na minha farda, no meu peito. \u00c9 muito mais do que eu esperava. \u00c9 maravilhoso para mim\u201d, descreveu Theo.<\/p>\n<p>Aos 24 anos, o bombeiro alterou o seu nome e sexo no registro civil. Bruna Hevia Caravaca, sexo feminino, deixou de existir nos documentos p\u00fablicos e deu lugar oficial e juridicamente a Theo Hevia Caravaca, sexo masculino, que teve a sua nova identidade prontamente reconhecida pelo CBMRS.<\/p>\n<p>O jovem ingressou no Corpo de Bombeiros no ano passado, ap\u00f3s ser aprovado em concurso p\u00fablico. Quando entrou na institui\u00e7\u00e3o, Theo ainda estava registrado como Bruna. No in\u00edcio do curso de forma\u00e7\u00e3o, que durou quase 11 meses, portava-se como uma aluna do sexo feminino, embora tivesse o desejo de que o cen\u00e1rio pudesse ser diferente.<\/p>\n<p>\u201cDesde crian\u00e7a, j\u00e1 me sentia muito desconfort\u00e1vel com os padr\u00f5es considerados femininos. Quando entrei no Corpo de Bombeiros, j\u00e1 me identificava como Theo e no g\u00eanero masculino, mas, por medo, decidi ingressar com o sexo e o nome feminino, porque eu ainda n\u00e3o havia feito a retifica\u00e7\u00e3o nos meus documentos. Era como se eu estivesse vivendo uma vida dupla. Aqui dentro, me conheciam por Bruna. L\u00e1 fora, minha m\u00e3e e meus amigos j\u00e1 me chamavam de Theo. Isso estava me deixando muito mal\u201d, relatou o soldado.<\/p>\n<p>Na metade do curso de forma\u00e7\u00e3o, em uma conversa com a capit\u00e3 Paula da Fontoura Acosta, comandante da Academia de Bombeiro Militar (ABM), o soldado manifestou o desejo de realizar a transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, pretens\u00e3o que foi bem recebida pela corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cUm dia, ela me chamou para conversar e perguntou como eu me identificava. N\u00e3o esperava. Achei superlegal, me senti acolhido, porque ela se interessou em saber para que eu me sentisse confort\u00e1vel dentro do meu ambiente de trabalho. Ent\u00e3o, vi que posso ser quem eu sou aqui dentro, mesmo sendo um ambiente militar. Foi a\u00ed que decidi continuar com o meu processo de transi\u00e7\u00e3o\u201d, contou.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Processo de transi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Ap\u00f3s a conversa com a capit\u00e3 Paula, que demonstrou sensibilidade e empatia, o jovem sentiu-se pronto e confort\u00e1vel para dar in\u00edcio aos tr\u00e2mites da transi\u00e7\u00e3o. Mudou o seu registro civil, recebeu a nova identidade e teve seus documentos retificados pelo Corpo de Bombeiros Milotar. Passou a contar tamb\u00e9m com apoio na \u00e1rea de sa\u00fade mental no Hospital da Brigada Militar.<\/p>\n<p>\u201cJuntei todos os documentos que precisava para levar at\u00e9 o cart\u00f3rio. Assim que consegui trocar os documentos, trouxe para os meus superiores, para que pudesse ser feita a parte burocr\u00e1tica\u201d, explicou Theo.<\/p>\n<p>Dentro do quartel, tamb\u00e9m houve mudan\u00e7as, como a transfer\u00eancia do alojamento feminino para o masculino. \u201cDesde os meus colegas at\u00e9 os pra\u00e7as e oficiais do Corpo de Bombeiros, tive muito apoio e acolhimento de todos. Nunca sofri nenhum tipo de preconceito. Isso me surpreendeu bastante. Foi um processo muito leve e acolhedor, tanto que me sinto em casa quando chego aqui\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Natural de Porto Alegre e estudante de Direito, Theo demonstra estar bastante feliz com a nova fase, comemora o relacionamento amistoso com os colegas do CBMRS e faz planos para o futuro. Ele trabalhar\u00e1 em Porto Alegre e, embora ainda n\u00e3o saiba o setor em que ficar\u00e1, est\u00e1 ansioso para servir.<\/p>\n<p>\u201cSempre tive vontade de estar no ambiente militar, de ser militar. Ap\u00f3s a transi\u00e7\u00e3o, me sinto muito mais feliz e preparado para servir \u00e0 sociedade ga\u00facha. Corpo de Bombeiros \u00e9 salvar e proteger. Ent\u00e3o, eu estando bem comigo mesmo, amando quem eu sou, posso dar o melhor de mim aqui dentro, que \u00e9 o que a sociedade ga\u00facha merece\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>A formatura de Theo foi emblem\u00e1tica tamb\u00e9m por outro motivo: a solenidade ocorreu na manh\u00e3 de 16 de junho, depois do ciclone extratropical que atingiu o Rio Grande do Sul na noite do dia 15. Naquele dia, logo ap\u00f3s a cerim\u00f4nia, os bombeiros rec\u00e9m-formados embarcaram para v\u00e1rias cidades ga\u00fachas, a fim de auxiliar nas miss\u00f5es de busca e salvamento. Theo foi um deles, tendo sido destacado para atuar em cidades como S\u00e3o Leopoldo, Montenegro e Novo Hamburgo.<\/p>\n<p>Theo utiliza uniformes masculinos e iniciou tratamento hormonal. N\u00e3o realizou nenhuma interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica para alterar suas caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas. Ele cumpriu todos os requisitos do curso de forma\u00e7\u00e3o, que inclui provas te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas. Al\u00e9m disso, deseja passar por uma nova bateria de testes f\u00edsicos, desta vez em conformidade com sua identidade de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Neste 28 de junho, data em que se comemora o Dia do Orgulho LGBTQIAPN+, o comandante-geral do CBMRS, coronel Eduardo Est\u00eavam Camargo Rodrigues, destacou a import\u00e2ncia do respeito \u00e0s diferen\u00e7as e \u00e0 diversidade de g\u00eanero.<\/p>\n<p>\u201cO Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul \u00e9 composto por pessoas vocacionadas, as quais respeitamos em suas individualidades, indistintamente. Exigimos apenas, como profissionais de excel\u00eancia que s\u00e3o, um alto n\u00edvel t\u00e9cnico de prepara\u00e7\u00e3o para prestar um servi\u00e7o p\u00fablico de relev\u00e2ncia, qual seja, salvaguardar a vida e o patrim\u00f4nio de toda a popula\u00e7\u00e3o ga\u00facha. \u00c9 isso que a sociedade espera e merece de n\u00f3s: que todos os militares encontrem o ambiente e o treinamento necess\u00e1rios para cumprirem suas miss\u00f5es e, assim, estarem prontos para atuar em qualquer situa\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><em>Foto: Lu\u00eds Andr\u00e9 Pinto\/Secom<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com 128 anos de hist\u00f3ria, o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) tem, pela primeira vez, um soldado transexual Theo entrou na corpora\u00e7\u00e3o como Bruna, mas<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":128924,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,33],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128923"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=128923"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128923\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":128925,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128923\/revisions\/128925"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/128924"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=128923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=128923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=128923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}