{"id":129114,"date":"2023-07-07T11:23:04","date_gmt":"2023-07-07T14:23:04","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=129114"},"modified":"2023-07-07T11:23:04","modified_gmt":"2023-07-07T14:23:04","slug":"artigo-analfabetos-emocionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/artigo-analfabetos-emocionais\/","title":{"rendered":"Artigo: &#8220;ANALFABETOS EMOCIONAIS&#8221;"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>O grande cineasta do s\u00e9culo passado, Ingmar Bergman, j\u00e1 afirmava que a humanidade &#8211; n\u00f3s -caminhamos para nos tornarmos &#8220;analfabetos emocionais&#8221;.<\/em><\/h3>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Dom Jacinto Bergmann<\/h4>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-126182 alignright\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/dom-jacinto-bergmann.jpg\" alt=\"\" width=\"291\" height=\"185\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/dom-jacinto-bergmann.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/dom-jacinto-bergmann-300x191.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/dom-jacinto-bergmann-150x95.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/dom-jacinto-bergmann-768x488.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 291px) 100vw, 291px\" \/>Pelo lado da comunica\u00e7\u00e3o, estamos integrados num corpus social, que solicita, expande e reprime a nossa sensibilidade. Basta ouvir aquele que foi o maior te\u00f3rico da comunica\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo vinte, Marshall McLuhan, para perceber at\u00e9 que ponto isso \u00e9 aproveitado pela sociedade de compreens\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o global, para quem o indiv\u00edduo possa a ser uma presa. O que diz McLuhan sobre a televis\u00e3o, por exemplo, \u00e9 imensamente elucidativo: &#8220;Um dos efeitos da televis\u00e3o \u00e9 retirar a identidade pessoal. S\u00f3 por ver televis\u00e3o, as pessoas tornam-se um grupo coletivo de iguais. Perdem o interesse pela singularidade pessoal&#8221;. O que ele n\u00e3o diria, hoje, sobre a comunica\u00e7\u00e3o virtual?<\/p>\n<p>Se repararmos os meios que lideram a comunica\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, eles interagem apenas com aqueles dos nossos sentidos que captam sinais a dist\u00e2ncia: fundamentalmente a vis\u00e3o e a audi\u00e7\u00e3o. Origina-se, assim, uma descontrolada e hipertrofia dos olhos e dos ouvidos, sobre os quais passa a recair toda a responsabilidade pela participa\u00e7\u00e3o no real. &#8220;Voc\u00ea viu aquilo?&#8221;, \u201cvoc\u00ea j\u00e1 ouviu a \u00faltima do &#8230;&#8221;: os nossos cotidianos s\u00e3o continuamente bombardeados pela press\u00e3o do ver e do ouvir. O mesmo se passa com a locomo\u00e7\u00e3o: seja pilotando um avi\u00e3o, conduzindo um autom\u00f3vel, seja o trabalhador se deslocando nas art\u00e9rias das cidades modernas, o fundamental s\u00e3o os sentidos que colhem a informa\u00e7\u00e3o visual e sonora. (Nem ser\u00e1 necess\u00e1rio lembrar aqui que n\u00e3o \u00e9 assim em todas as culturas).<\/p>\n<p>Essa sobrecarga sobre os sentidos, que captam o que est\u00e1 mais afastado de n\u00f3s, esconde, muitas vezes, tantas coisas essenciais, inclusive o subdesenvolvimento e a pobreza em que os outros s\u00e3o deixados. Ao mesmo tempo que floresce a ind\u00fastria dos perfumes, desaprendemos a distinguir o aroma das flores. Por mais que seja dez mil vezes mais pr\u00e1tico passar pela frutaria do inodoro hipermercado, n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que atravessar a catedral de aromas de um pomar.<\/p>\n<p>E isso, \u00e9 de modo semelhante com os outros sentidos que implicam proximidade: o paladar e o tato. Hoje, s\u00f3 quase profissionais arriscam provas cegas das comidas ou bebidas. Mas mesmo a\u00ed s\u00e3o cada vez mais os olhos que comem, pelo investimento decorativo dos pratos, pelo requinte do <em>design<\/em> ou pela manipula\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio sabor. Isso, para n\u00e3o falar do tato&#8230; A nossa dist\u00e2ncia torna-se t\u00e3o grande que deixamos de saber coisas elementares, como caminhar descal\u00e7o na clareira e afastar mansamente as folhas da fonte para beber devagarinho ou como acariciar a vida desprotegida que se avizinha de n\u00f3s. A natureza n\u00e3o perdeu o seu &#8220;sabor&#8221;!<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 tempo de voltarmos a todos os sentidos? N\u00e3o ser\u00e1 essa uma oportunidade prop\u00edcia para nos revitalizar? N\u00e3o \u00e9 chegado o momento de compreender melhor aquilo que une sentidos e SENTIDO? Fomos criados por Deus para um SENTIDO maior e n\u00e3o sermos &#8220;analfabetos emocionais&#8221;!<\/p>\n<p><em><strong>Arcebispo Metropolitano da Igreja Cat\u00f3lica de Pelotas<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grande cineasta do s\u00e9culo passado, Ingmar Bergman, j\u00e1 afirmava que a humanidade &#8211; n\u00f3s -caminhamos para nos tornarmos &#8220;analfabetos emocionais&#8221;. 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