{"id":129378,"date":"2023-07-20T18:22:25","date_gmt":"2023-07-20T21:22:25","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=129378"},"modified":"2023-07-20T18:23:09","modified_gmt":"2023-07-20T21:23:09","slug":"brasil-registra-recorde-historico-de-estupros-racismo-tambem-dispara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/brasil-registra-recorde-historico-de-estupros-racismo-tambem-dispara\/","title":{"rendered":"Brasil registra recorde hist\u00f3rico de estupros. Racismo tamb\u00e9m dispara"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\">Crimes sexuais contra crian\u00e7as e adolescentes crescem 15%. <em>Dados de 2022 mostram que 67,1% das v\u00edtimas tinham at\u00e9 11 anos e eram negras<\/em><\/h3>\n<p>O\u00a0n\u00famero de mortes violentas intencionais\u00a0de crian\u00e7as e adolescentes (MVI) caiu no Brasil. No entanto, os crimes sexuais contra os menores apresentaram altas expressivas, superiores a 15%. De acordo com os dados,\u00a0o\u00a0n\u00famero desse tipo de morte de crian\u00e7as e adolescentes no pa\u00eds caiu\u00a0de 2.556, em 2021, para 2.489 em 2022, uma redu\u00e7\u00e3o de 2,6%. J\u00e1 os estupros subiram 15,3% e explora\u00e7\u00e3o sexual, 16,4%.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 preciso levar em conta ainda que nem todos os casos de estupro s\u00e3o registrados, portanto pode haver subnotifica\u00e7\u00e3o, o que torna o problema ainda maior.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Os dados, divulgados hoje (20), em S\u00e3o Paulo, s\u00e3o do\u00a0Anu\u00e1rio\u00a0Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica\u00a02023,\u00a0do\u00a0F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP). A entidade considera mortes violentas intencionais aquelas causadas por homic\u00eddio, feminic\u00eddio, latroc\u00ednio, les\u00e3o corporal seguida de morte e morte decorrente de interven\u00e7\u00e3o policial.<\/p>\n<p>Do total de 2.489 crian\u00e7as e adolescentes v\u00edtimas de mortes violentas intencionais no ano passado,\u00a02.011 foram v\u00edtimas de homic\u00eddio doloso (80,7%);\u00a075 de feminic\u00eddio (3%); 20 de latroc\u00ednio (0,8%); 22 de les\u00e3o corporal seguida de morte (0,8%); e 361 de morte decorrente de interven\u00e7\u00e3o policial (14,5%).<\/p>\n<p>O anu\u00e1rio revela que, dentre as v\u00edtimas de zero a 11 anos\u00a0em 2022, 45,9% eram\u00a0do sexo feminino e 54,1% do sexo masculino.\u00a0Essas mortes, segundo o FBSP, foram\u00a0decorrentes, sobretudo, da viol\u00eancia dom\u00e9stica e intrafamiliar. J\u00e1 dentre as v\u00edtimas de 12 a 17 anos, 89,7% eram\u00a0do sexo masculino e apenas 10,3%, do sexo feminino.<\/p>\n<p>\u201cO g\u00eanero como um fator de risco para os meninos, portanto, s\u00f3 se imp\u00f5e entre os adolescentes quando as mortes ocorrem prioritariamente como consequ\u00eancia da viol\u00eancia urbana\u201d, diz o anu\u00e1rio.<\/p>\n<p>Os dados &#8211; referentes a 2022 \u2013\u00a0mostram,\u00a0ainda,\u00a0que 67,1% das v\u00edtimas de zero a 11 anos eram\u00a0negras,\u00a0e\u00a085,1% na faixa et\u00e1ria de 12 a 17 anos, \u201cevidenciando que a desigualdade racial \u00e9 parte estruturante da problem\u00e1tica das mortes violentas no pa\u00eds e que se acentua na medida em que os anos passam na vida do sujeito\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o anu\u00e1rio, as armas de fogo foram\u00a0os principais instrumentos do crime contra crian\u00e7as e adolescentes\u00a0em 2022:\u00a0foram causadoras de\u00a055,8% das mortes de crian\u00e7as de zero a 11 anos, e de 90,8% das mortes de adolescentes jovens de 12 a 17 anos.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Crimes sexuais<\/h4>\n<p>Se as mortes violentas intencionais de crian\u00e7as e adolescentes em 2022 tiveram queda de 2,6%, os crimes sexuais registraram forte alta: os estupros saltaram de 45.076 em 2021 para 51.971 em 2022, uma alta de 15,3%.<\/p>\n<p>Por faixa et\u00e1ria, foram quase 41 mil v\u00edtimas de zero a 13 anos, das quais quase sete mil tinham entre zero e quatro anos; mais de 11 mil v\u00edtimas entre 5 e 9 anos; mais de 22 mil entre 10 e 13 anos; e mais de 11 mil entre 14 e 17 anos.\u00a0As v\u00edtimas negras (pretas e pardas) foram a maior parte em praticamente todas as idades, principalmente na faixa et\u00e1ria dos 11 aos 14 anos, em que representam aproximadamente 59% do total.<\/p>\n<p>A\u00a0explora\u00e7\u00e3o sexual tamb\u00e9m aumentou passando de 764 casos\u00a0registrados em 2021 para 889 em 2022, uma eleva\u00e7\u00e3o de 16,4%. E\u00a0os casos de pornografia infanto-juvenil cresceram de 1.523 casos em 2021 para 1.630 em 2022, um crescimento de 7%.<\/p>\n<p>Demais crimes n\u00e3o letais contra crian\u00e7as e adolescentes tamb\u00e9m tiveram expans\u00e3o: abandono de incapaz cresceu\u00a0de 8.197\u00a0casos em 2021 para 9.348 em 2022,\u00a0um\u00a0salto de 14%; ocorr\u00eancias de maus tratos subiram de 19.799 casos (2021) para 22.527 (2022), alta de 13,8%; e les\u00e3o corporal em viol\u00eancia dom\u00e9stica teve eleva\u00e7\u00e3o de 14.856 casos (2021) para 15.370 (2022), aumento de 3,5%.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Interna\u00e7\u00f5es<\/h4>\n<p>Os dados do Anu\u00e1rio do FBSP 2023 mostram ainda que o n\u00famero de adolescentes cumprindo medida socioeducativa em meio fechado\u00a0no pa\u00eds\u00a0continua caindo:\u00a0em 2022, eram 12.154 nessa condi\u00e7\u00e3o, 6,3% a menos que em 2021. Em 2020 eram 14.944; em 2019, 22.031; e em 2018,\u00a024.510.<\/p>\n<p>\u201cEsse movimento j\u00e1 vem sendo indicado por pesquisadores, ativistas e servidores da \u00e1rea, mas ainda n\u00e3o possui causas expl\u00edcitas comprovadas, apesar de estar ocorrendo um esfor\u00e7o cont\u00ednuo desses atores em apresentar explica\u00e7\u00f5es para o fen\u00f4meno\u201d, diz o texto do anu\u00e1rio.<\/p>\n<p>Entre as hip\u00f3teses apontadas pelo FBSP, est\u00e3o a queda nos registros de roubos, um dos atos infracionais de maior incid\u00eancia nas medidas privativas de liberdade;\u00a0a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de\u00a0apreens\u00e3o de adolescentes pelas for\u00e7as policiais nos estados do S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro;\u00a0e\u00a0a decis\u00e3o da justi\u00e7a que determinou que as unidades onde os menores cumprem as medidas socioeducativas n\u00e3o ultrapassem a capacidade de lota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA queda do n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es em patamares t\u00e3o elevados implica em um cen\u00e1rio de maiores possibilidades para a melhoria do sistema, com o aproveitamento dos recursos humanos e f\u00edsicos n\u00e3o t\u00e3o sobrecarregados e com maior capacidade para a efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos previstos na Constitui\u00e7\u00e3o Federal\u201d, diz o anu\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cEnquanto as pesquisas que buscam as causas explicativas para o fen\u00f4meno est\u00e3o em andamento, abre-se uma janela de oportunidade para que a gest\u00e3o do atendimento socioeducativo se modernize para que os profissionais sejam mais valorizados, para que os recursos humanos e f\u00edsicos sejam modernizados\u201d, finaliza.<\/p>\n<h2><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-129379 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/homofobia.jpg\" alt=\"\" width=\"678\" height=\"406\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/homofobia.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/homofobia-300x180.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/homofobia-150x90.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/homofobia-768x460.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><\/h2>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Registros de racismo e homofobia disparam no pa\u00eds em 2022<\/h3>\n<p>Dados do Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica 2023, do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP), mostram que o n\u00famero de registros dos crimes de inj\u00faria racial, racismo e homofobia ou transfobia dispararam em 2022 no pa\u00eds na compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior.<\/p>\n<p>Os registros de racismo saltaram de 1.464 casos em 2021, para 2.458, em 2022. A taxa nacional em 2022 ficou em 1,66 casos a cada 100 mil habitantes, uma alta de 67% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Os estados com as maiores taxas, de acordo com o anu\u00e1rio, foram: Rond\u00f4nia (5,8 casos a cada 100 mil habitantes), Amap\u00e1 (5,2), Sergipe (4,8), Acre (3,3), e Esp\u00edrito Santo (3,1).<\/p>\n<p>Os registros de inj\u00faria racial tamb\u00e9m cresceram. Em 2021 foram 10.814 casos e, em 2022, 10.990. A taxa em 2022 ficou em 7,63 a cada 100 habitantes, 32,3% superior \u00e0 do ano anterior (5,77). As unidades da federa\u00e7\u00e3o com as maiores taxas foram Distrito Federal (22,5 casos a cada 100 mil habitantes), Santa Catarina (20,3), e Mato Grosso do Sul (17).<\/p>\n<p>J\u00e1 o crime de racismo por homofobia ou transfobia teve 488 casos registrados em 2022 no pa\u00eds, ante 326, em 2021. A taxa nacional por 100 mil habitantes em 2022 ficou em 0,44 \u2013 53,6% superior ao ano anterior. Os estados com as maiores taxas foram: Distrito Federal (2,4), Rio Grande do Sul (1,1), e Goi\u00e1s (0,9).<\/p>\n<p>\u201cObservamos grandes aumentos das taxas de inj\u00faria racial (que cresceu 32,3%) e racismo (que cresceu 67%), denotando aumento da demanda por acesso ao direito \u00e0 n\u00e3o-discrimina\u00e7\u00e3o\u201d, destaca o texto do anu\u00e1rio.<\/p>\n<p>O FBSP criticou a falta de dados, que deveriam ser fornecidos pelos \u00f3rg\u00e3os oficiais, referentes ao n\u00famero de pessoas do grupo LGBTQIA+ v\u00edtimas de les\u00e3o corporal, homic\u00eddio e estupro.<\/p>\n<p>\u201cQuanto aos dados referentes a LGBTQIA+ v\u00edtimas de les\u00e3o corporal, homic\u00eddio e estupro, seguimos com a alt\u00edssima subnotifica\u00e7\u00e3o. Como de costume, o Estado demonstra-se n\u00e3o incapaz, porque possui capacidade administrativa e recursos humanos para tanto, mas desinteressado em endere\u00e7ar e solucionar\u201d, diz o texto.<\/p>\n<p>De acordo com o FBSP, para a quantifica\u00e7\u00e3o desses crimes \u00e9 necess\u00e1rio contar com dados produzidos pela sociedade civil, como os da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e do Grupo Gay da Bahia (GGB).<\/p>\n<p>De acordo com o anu\u00e1rio, a ANTRA contabilizou, em 2022, 131 v\u00edtimas trans e travestis de homic\u00eddio. J\u00e1 o GGB registrou 256 v\u00edtimas LGBTQIA+ do mesmo crime em 2022. \u201cO Estado deu conta de contar 163, 63% do que contabilizou a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil, demonstrando que as estat\u00edsticas oficiais pouco informam da realidade da viol\u00eancia contra LGBTQIA+ no pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSe bases de dados s\u00e3o instrumentos prim\u00e1rios de transforma\u00e7\u00e3o social, o que a produ\u00e7\u00e3o de dados oficiais desinformativos diz sobre o destino para o qual caminhamos no enfrentamento aos crimes de \u00f3dio no Brasil?\u201d, questionou o texto do anu\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crimes sexuais contra crian\u00e7as e adolescentes crescem 15%. 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