{"id":129731,"date":"2023-08-07T08:31:27","date_gmt":"2023-08-07T11:31:27","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=129731"},"modified":"2023-08-07T08:31:27","modified_gmt":"2023-08-07T11:31:27","slug":"brasil-ja-tem-mais-de-3-milhoes-de-unidades-consumidoras-que-utilizam-a-geracao-propria-de-energia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/brasil-ja-tem-mais-de-3-milhoes-de-unidades-consumidoras-que-utilizam-a-geracao-propria-de-energia\/","title":{"rendered":"Brasil j\u00e1 tem mais de 3 milh\u00f5es de unidades consumidoras que utilizam a gera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de energia"},"content":{"rendered":"<p>A capacidade em gera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de energia el\u00e9trica, tamb\u00e9m chamada de Gera\u00e7\u00e3o Distribu\u00edda (GD), atingiu no Brasil o volume de 23 gigawatts (GW). A energia solar responde por mais de 98% do total em GD, que inclui ainda a e\u00f3lica, a biomassa e outros tipos de energia. Conforme a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Gera\u00e7\u00e3o Distribu\u00edda (ABGD), o Brasil faz parte do grupo dos dez maiores produtores de energia solar do mundo. A previs\u00e3o para este ano \u00e9 um investimento do setor de cerca de R$ 38 bilh\u00f5es e chegar at\u00e9 dezembro com 26GW de pot\u00eancia gerada.\u00a0<img src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1547622&amp;o=node\" \/><img src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1547622&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Dados da ABGD\u00a0indicam que atualmente o pa\u00eds j\u00e1 tem mais de 3 milh\u00f5es de unidades consumidoras (UC\u2019s) que utilizam a gera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de energia. Conforme a entidade, cada UC representa uma resid\u00eancia, um estabelecimento comercial ou outro im\u00f3vel abastecido por micro ou mini usinas, todas elas utilizando fontes renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>A extens\u00e3o territorial e as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas do Brasil t\u00eam favorecido o crescimento da gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda com a instala\u00e7\u00e3o de sistemas fotovoltaicos em resid\u00eancias, com\u00e9rcios e ind\u00fastrias. Avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e incentivos do poder p\u00fablico tamb\u00e9m t\u00eam tornado a gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda cada vez mais atrativa. Essa evolu\u00e7\u00e3o tem resultado em queda nos custos para a compra dos equipamentos, instala\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cQuanto maior o n\u00famero de interessados, de empresas que est\u00e3o no Brasil e de distribuidoras de equipamentos,\u00a0isso aumentou muito o n\u00famero de pessoas fazendo instala\u00e7\u00e3o. Isso tudo ao longo do tempo ajudou a ter um pre\u00e7o mais competitivo\u201d, afirmou o presidente da ABGD, Guilherme Chrispim, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>Conforme o professor de engenharia el\u00e9trica do Instituto Alberto Luiz Coimbra de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Djalma Falc\u00e3o, a primeira resolu\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel) para a GD foi em 2012, mas somente em 2016 a procura come\u00e7ou a aumentar, com crescimento muito r\u00e1pido.nos \u00faltimos tr\u00eas ou quatro anos.<\/p>\n<h2>Redu\u00e7\u00e3o nas contas<\/h2>\n<p>Al\u00e9m de ser um tipo de energia mais limpa e de fonte renov\u00e1vel, a economia \u00e9 outro fator que desperta o interesse de consumidores e empreendedores e tem permitido o avan\u00e7o do setor. Chrispim citou a redu\u00e7\u00e3o de gastos que ele pr\u00f3prio teve em casa depois que instalou o sistema. \u201cAntes de ter o sistema eu tinha uma fatura m\u00e9dia mensal na faixa de R$ 800, \u00e0s vezes um pouco mais nos meses de inverno, hoje a m\u00e9dia na minha fatura \u00e9 em torno de R$120. \u00c9 muito!\u201d, informou, acrescentando que em alguns estados a diferen\u00e7a pode ser ainda maior com a isen\u00e7\u00e3o de impostos sobre a energia.<\/p>\n<p>\u201cQuem determina isso \u00e9 a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria de cada estado. Tem estado que cobra o ICMS sobre a energia. Minas Gerais, por exemplo, n\u00e3o cobra. D\u00e1 uma diferen\u00e7a em alguns casos em fun\u00e7\u00e3o disso, de cobran\u00e7as que alguns estados isentaram. Em alguns estados voc\u00ea tem uma maior compensa\u00e7\u00e3o da energia que est\u00e1 gerando\u201d, destacou Chrispim.<\/p>\n<h2>Comunidades<\/h2>\n<p>Para fazer chegar a gera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de energia el\u00e9trica a outra parcela da popula\u00e7\u00e3o, a ONG Revolusolar, criada h\u00e1 sete anos, desenvolve projetos em comunidades, como a da Babil\u00f4nia, na zona sul do Rio. L\u00e1, atualmente 34 fam\u00edlias participam do programa, entre elas a de Bruna Santos, que \u00e9 presidente da Cooperativa de energia renov\u00e1vel Perc\u00edlia e L\u00facio, fundada em janeiro de 2021.<\/p>\n<p>A Revolusolar instalou uma usina na comunidade e a perspectiva, segundo a presidente, \u00e9 que at\u00e9 o fim do ano o n\u00famero de usinas seja ampliado chegando a 100 fam\u00edlias inclu\u00eddas neste tipo de fornecimento de energia.<\/p>\n<p>\u201cHoje n\u00f3s estamos com uma usina em funcionamento, uma em homologa\u00e7\u00e3o e tr\u00eas em preparo para funcionamento. At\u00e9 o final de 2023 n\u00f3s estaremos com quatro usinas em opera\u00e7\u00e3o. Atualmente s\u00e3o 34 casas e a ideia \u00e9 expandir para at\u00e9 o final do ano alcan\u00e7ar 100 fam\u00edlias beneficiadas\u201d, contou Bruna \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>As 34 fam\u00edlias que j\u00e1 participam do programa, de acordo com a presidente, foram escolhidas por meio de uma chamada realizada pela Revolusolar para a inscri\u00e7\u00e3o de interessados em integrar o projeto. Agora, para a amplia\u00e7\u00e3o de cooperados, novamente haver\u00e1 uma chamada pela ONG. \u201cEles v\u00e3o entrando na medida em que h\u00e1 possibilidade. Agora, com a segunda usina, vai entrar um outro grupo e vamos fazer uma nova chamada \u00e0\u00a0medida em que as pessoas v\u00e3o se inscrevendo e que tenha capacidade de inclu\u00ed-las na usina, assim \u00e9 feito\u201d, informou Bruna.<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada no ano passado revelou em que as pessoas inclu\u00eddas no projeto estavam investindo o valor da redu\u00e7\u00e3o nas contas. \u201cAlgumas t\u00eam revertido para alimenta\u00e7\u00e3o, que estava complicada. As pessoas tinham que escolher entre pagar a conta de luz ou comer e agora est\u00e1 dando para comprarem mais comida. Tem algumas pessoas que destinam para o lazer, umas outras para comprar medicamentos.\u00a0Ent\u00e3o, as pessoas t\u00eam conseguido equilibrar o or\u00e7amento\u201d, disse a presidente da Cooperativa.<\/p>\n<p>Para Bruna, o desenvolvimento do projeto representa uma mudan\u00e7a para os moradores da Babil\u00f4nia e a democratiza\u00e7\u00e3o da energia solar. A primeira instala\u00e7\u00e3o na comunidade foi em 2018 na Escolinha Tia Percilia.<\/p>\n<p>O diretor executivo da Revolusolar, Eduardo \u00c1vila, disse que o projeto \u00e9 realizado em parceria com os moradores, lideran\u00e7as da comunidade e parceiros t\u00e9cnicos de fora. Al\u00e9m da gera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de energia, capacita moradores para o uso dos sistemas. \u201cAli foi criada a primeira cooperativa em energia solar em favelas do Brasil. Para ter autonomia e autossufici\u00eancia na comunidade tamb\u00e9m tem o programa de forma\u00e7\u00e3o profissional de eletricistas solares para fazer a instala\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o dos sistemas, al\u00e9m de atividades de educa\u00e7\u00e3o e cultura com as crian\u00e7as e a comunidade como um todo para participar desse processo\u201d, revelou \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-126745\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/eletricista-eneriga-solar-300x210.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"210\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/eletricista-eneriga-solar-300x210.jpeg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/eletricista-eneriga-solar-150x105.jpeg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/eletricista-eneriga-solar-768x537.jpeg 768w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/eletricista-eneriga-solar.jpeg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Eduardo \u00c1vila informou que recentemente a Revolusolar est\u00e1 replicando o modelo para outras comunidades como a Mar\u00e9 e Cidade Nova, no Rio, e para outros estados como S\u00e3o Paulo,\u00a0Minas Gerais e\u00a0Esp\u00edrito Santo, al\u00e9m de\u00a0uma comunidade ind\u00edgena no Amazonas, para fazer com que mais institui\u00e7\u00f5es e comunidades tamb\u00e9m recebam este benef\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o solar, completou.<\/p>\n<h2>Escolha<\/h2>\n<p>Para saber o sistema necess\u00e1rio, o primeiro passo do consumidor \u00e9 contratar um instalador ou integrador, profissional que vai avaliar de acordo com a demanda de energia, qual deve ser o tamanho do sistema que ser\u00e1 usado. Se for menor que a demanda, a diferen\u00e7a ter\u00e1 que ser suprida pela distribuidora e no lugar de cr\u00e9dito, o consumidor ter\u00e1 uma fatura a pagar. Mas o contr\u00e1rio pode ocorrer e instalar uma capacidade maior, caso o consumidor esteja pensando em fazer mais uso de energia no futuro. O c\u00e1lculo do profissional \u00e9 feito com base na m\u00e9dia anual de consumo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 como um consumo qualquer, por exemplo, de \u00e1gua. O sistema a ser feito vai considerar o seu consumo, quantas pessoas t\u00eam na casa. Enfim, a ideia \u00e9 que fique muito pr\u00f3ximo\u00a0a sua gera\u00e7\u00e3o do consumo mensal\u201d, concluiu o presidente da ABGD.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo em um pr\u00e9dio com v\u00e1rios moradores o sistema pode ser instalado. Os cr\u00e9ditos s\u00e3o passados aos cond\u00f4minos, que neste caso, ter\u00e3o os CPFs registrados. O professor esclareceu que \u00e0 noite, quando n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel produzir a energia nestes sistemas pela falta de sol, o consumidor tem o fornecimento feito pelas distribuidoras. No entanto, no resto do dia pode consumir da quantidade que produz.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o sistema de cr\u00e9dito. \u00c9 uma troca. Se a pessoa produzir mais do que consome ela n\u00e3o ganha nada porque n\u00e3o pode vender essa energia, agora se produzir menos do que consome tem que pagar \u00e0 distribuidora\u201d, pontuou Falc\u00e3o em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<h2>Investimento<\/h2>\n<p>Os custos com investimento variam conforme a quantidade necess\u00e1ria de energia e dos impostos cobrados pelo estado em que o sistema for instalado. Chrispim calculou que uma fam\u00edlia de quatro pessoas, em m\u00e9dia, dependendo da situa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica do estado, pode consumir aproximadamente 600kw\/h por m\u00eas e por isso precisar\u00e1 de um sistema 5k ou 6k (equivalente a 6 mil watts). \u201cOs custos diminu\u00edram nos \u00faltimos meses, o sistema vai ficar em torno de R$18 mil\u201d, contou, acrescentando que j\u00e1 tem muitos bancos, tanto p\u00fablicos como privados, oferecendo\u00a0linhas de financiamento para sistemas fotovoltaicos aos interessados.<\/p>\n<h2>Pot\u00eancia<\/h2>\n<p>Chrispim chamou aten\u00e7\u00e3o para a compara\u00e7\u00e3o com a capacidade instalada da gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda com a oferecida pela Usina Hidrel\u00e9trica de\u00a0Itaipu. Enquanto na gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda \u00e9 atualmente de 23 gigawatts, Itaipu est\u00e1 em 14 gigawatts. \u201cD\u00e1 para dizer que quase todos os munic\u00edpios do Brasil t\u00eam, pelo menos, uma usina de gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda\u201d, revelou, observando que geralmente a instala\u00e7\u00e3o \u00e9 em telhados dos im\u00f3veis.<\/p>\n<p>Segundo Djalma Falc\u00e3o, a previs\u00e3o \u00e9\u00a0que em\u00a0dois anos\u00a0a capacidade da GD espalhada em telhados de casas e de pr\u00e9dios do Brasil\u00a0vai superar em mais de duas vezes a da Usina de Itaipu, que \u00e9 a maior do pa\u00eds. \u201c\u00c9 uma coisa significativa e inclusive come\u00e7a a trazer preocupa\u00e7\u00f5es para o Operador Nacional do Sistema [ONS], porque \u00e9 muito mais dif\u00edcil controlar essa gera\u00e7\u00e3o espalhada do que em uma usina concentrada. O operador est\u00e1 tentando melhorar as suas t\u00e9cnicas operativas para levar em considera\u00e7\u00e3o esse novo tipo de gera\u00e7\u00e3o que vem crescendo\u201d, alertou.<\/p>\n<h2>Transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica<\/h2>\n<p>Falc\u00e3o ressaltou a import\u00e2ncia da gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica do Brasil. \u201cSem d\u00favida [contribui], porque a maior parte dessa gera\u00e7\u00e3o \u00e9 fotovoltaica com emiss\u00e3o zero, ent\u00e3o \u00e9 uma fonte renov\u00e1vel e aumenta ainda mais a nossa porcentagem de energia renov\u00e1vel no sistema el\u00e9trico. Ent\u00e3o, ela \u00e9 positiva para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d, avaliou, acrescentando que no momento a GD cresce mais do que as outras fontes renov\u00e1veis, mas a tend\u00eancia \u00e9 que no horizonte de quatro anos se estabilize\u00a0e as grandes usinas de solar e e\u00f3lica avancem\u00a0mais com o aumento da demanda.<\/p>\n<p>Da EBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A capacidade em gera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de energia el\u00e9trica, tamb\u00e9m chamada de Gera\u00e7\u00e3o Distribu\u00edda (GD), atingiu no Brasil o volume de 23 gigawatts (GW). 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