{"id":130118,"date":"2023-08-28T08:53:01","date_gmt":"2023-08-28T11:53:01","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=130118"},"modified":"2023-08-28T08:53:01","modified_gmt":"2023-08-28T11:53:01","slug":"artigo-quanto-menos-deus-mais-droga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/artigo-quanto-menos-deus-mais-droga\/","title":{"rendered":"Artigo: QUANTO MENOS DEUS, MAIS DROGA!"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Dom Jacinto Bergmann<\/em><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-126182 alignright\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/dom-jacinto-bergmann.jpg\" alt=\"\" width=\"334\" height=\"212\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/dom-jacinto-bergmann.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/dom-jacinto-bergmann-300x191.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/dom-jacinto-bergmann-150x95.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/dom-jacinto-bergmann-768x488.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 334px) 100vw, 334px\" \/>Preocupa e ocupa sempre mais a difus\u00e3o das drogas. O que fazer? Talvez o primeiro passo seja entender melhor o &#8220;fen\u00f4meno das drogas&#8221;.<\/p>\n<p>O tr\u00e1fico de drogas \u00e9 uma patologia social de dimens\u00f5es internacionais, que envolve milh\u00f5es de usu\u00e1rios e move bilh\u00f5es de dinheiro. \u00c9 um &#8220;flagelo&#8221;, uma &#8220;mancha de \u00f3leo que invade tudo&#8221;, como declaram os Bispos da Am\u00e9rica Latina e Caribe, no Documento de Aparecida. A devasta\u00e7\u00e3o em vidas e esperan\u00e7as, produzida pela droga, atinge as duas pontas de sua rede infernal: os consumidores e os fornecedores. A droga assedia especialmente os jovens, de modo que qualquer deles \u00e9 visto hoje como seu cliente potencial.<\/p>\n<p>A sociedade p\u00f3s-moderna se seda com facilidade. Abusa-se do consumo de psicotr\u00f3picos, que, ainda que n\u00e3o afetem o c\u00e9rebro, criam depend\u00eancias. O uso de drogas l\u00edcitas, especialmente analg\u00e9sicos, tornou-se um fen\u00f4meno difuso, generalizado.<\/p>\n<p>A droga \u00e9 um \u00edndice evidente do &#8220;mal de viver&#8221; que assedia a nossa sociedade contempor\u00e2nea. Enquanto aniquila conjuntamente corpo e mente, a droga tornou-se hoje o s\u00edmbolo <em>light<\/em> do &#8220;niilismo ativo&#8221;. Na v\u00e3 tentativa de preencher o vazio voraz de sentido, um mundo dessignificado se enche de drogas e assim se destr\u00f3i.<\/p>\n<p>Contudo, n\u00e3o \u00e9 isso que se busca com a droga, mas a &#8220;vida&#8221;, embora ilusoriamente. Pois, se a vida \u00e9 &#8220;uma droga&#8221;, nada parece mais eficaz que a droga para suportar essa vida e, quem sabe, at\u00e9 transfigur\u00e1-la. No fundo, a devasta\u00e7\u00e3o da droga tem uma raiz espiritual: uma alma devastada pelo absurdo, que ela, por\u00e9m, deseja superar, mas de modo contraproducente. Quanto menos Deus, mais droga!<\/p>\n<p>O \u00eaxtase beatifico da alma, que no passado custava penosos esfor\u00e7os asc\u00e9ticos e longos percursos m\u00edsticos, ter-se-ia tornado agora acess\u00edvel de um golpe: bastariam poucas gramas de t\u00f3xico. Essas tilintam diante do homem entediado e deprimido as chaves do para\u00edso.<\/p>\n<p>Enfim, a felicidade \u00e0 m\u00e3o: \u00e9 a grande ilus\u00e3o de quem corre atr\u00e1s da droga. Os alucin\u00f3genos aparecem assim como os suced\u00e2neos mais acess\u00edveis e sedutores de experi\u00eancia religiosa. Nas palavras do grande Papa conciliar, Paulo VI, a\u00ed \u201calgo substitui Algu\u00e9m\u201d. No mundo tedioso e sem gra\u00e7a, a droga oferece uma sa\u00edda encantada. Parecendo negar o absurdo da vida, ela o faz, de fato, da maneira mais ilus\u00f3ria e, finalmente, mais destrutiva poss\u00edvel. Em verdade, os &#8220;para\u00edsos enganosos da droga&#8221; concedem uma beatitude t\u00e3o vazia quanto o vazio que pretendem compensar. Pior: a droga transforma as vis\u00f5es do para\u00edso em vis\u00f5es infernais, desembocando no pavor da morte.<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo Karl Marx esperava que, superada a religi\u00e3o como \u00f3pio, lhe sucedesse o compromisso de mudar o mundo. Mas o que veio foi algo de totalmente diferente e pior: o \u00f3pio feito religi\u00e3o. J\u00e1 se sabia da degrada\u00e7\u00e3o moderna da m\u00edstica em pol\u00edtica. Agora, temos uma degrada\u00e7\u00e3o pior: a droga feita m\u00edstica.<\/p>\n<p>N\u00e3o passaram, ultimamente, intelectuais temer\u00e1rios que legitimaram e exaltaram o poder est\u00e1tico-religioso da droga. Esses &#8220;iluminados&#8221; n\u00e3o viram que o \u00eaxtase propiciado pelos psicotr\u00f3picos n\u00e3o passa de uma experi\u00eancia puramente bioqu\u00edmica; que sua transcend\u00eancia \u00e9 puramente fant\u00e1stica e seu para\u00edso, um para\u00edso psicod\u00e9lico. Confundiram miseravelmente \u00eaxtase qu\u00edmico e \u00eaxtase m\u00edstico, imagina\u00e7\u00e3o e transcend\u00eancia, em suma, psique e esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Aquele que, pelos alucin\u00f3genos, pensa se encontrar com Deus, encontra-se de fato consigo mesmo e com sua imagem induzida e alterada. Portanto, droga e religi\u00e3o s\u00e3o realidades de ordens <em><u>toto coelo<\/u><\/em> diversas, entre as quais s\u00f3 pode haver uma rela\u00e7\u00e3o de analogia paradoxal. \u00c9 como confessava um jovem ex-drogado, voltando \u00e0 f\u00e9: \u201cTroquei a droga falsa pela verdadeira: a Eucaristia\u201d.<\/p>\n<h4>Arcebispo Metropolitano da Igreja Cat\u00f3lica de Pelotas<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jacinto Bergmann Preocupa e ocupa sempre mais a difus\u00e3o das drogas. O que fazer? Talvez o primeiro passo seja entender melhor o &#8220;fen\u00f4meno das drogas&#8221;. 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