{"id":130391,"date":"2023-09-10T19:40:04","date_gmt":"2023-09-10T22:40:04","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=130391"},"modified":"2023-09-10T19:40:04","modified_gmt":"2023-09-10T22:40:04","slug":"artigo-deus-saboreia-se-deus-e-sabor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/artigo-deus-saboreia-se-deus-e-sabor\/","title":{"rendered":"Artigo: DEUS SABOREIA-SE, DEUS \u00c9 SABOR"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\">Dom Jacinto Bergmann<\/h4>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-126182 alignright\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/dom-jacinto-bergmann.jpg\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"203\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/dom-jacinto-bergmann.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/dom-jacinto-bergmann-300x191.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/dom-jacinto-bergmann-150x95.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/dom-jacinto-bergmann-768x488.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/>As reflex\u00f5es que seguem, cont\u00e9m o contexto do M\u00eas da B\u00edblia, que tradicionalmente vivemos no m\u00eas de setembro.<\/p>\n<p>&#8220;Aproximei-me do anjo e pedi-lhe que me desse o livro. Ele disse: &#8220;Toma-o e come-o&#8221;! Esta \u00e9 uma passagem do Livro b\u00edblico do Apocalipse, que ilustra bem a nossa necess\u00e1ria rela\u00e7\u00e3o com a B\u00edblia, o texto sagrado que cont\u00e9m a Palavra de Deus. Entre o &#8220;ler&#8221; e o &#8220;comer&#8221;, a B\u00edblia sugere uma afinidade que n\u00e3o fica s\u00f3 pela met\u00e1fora. Literalmente, escreve o grande e penetrante pensador e poeta portugu\u00eas, Cardeal Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a; &#8220;B\u00edblia \u00e9 para comer. \u00c9 odorosa, rec\u00f4ndita, vasta como a mesa celeste, \u00edntima como a mesa materna, grata ao paladar, engenhosa, profusa, prof\u00edcua. Descreve os copiosos bosques profanos e as ofertas alimentares sagradas, recria asc\u00e9ticos desertos e o deleite dos pal\u00e1cios, conta com a espor\u00e1dica ca\u00e7a e os pastos cevados, com as comidas quase triviais do caminho e os banquetes h\u00e1 muito anunciados. N\u00e3o \u00e9 ins\u00f3lito que se olhe atentamente para a cozinha da B\u00edblia. Ou que se arrisque dela uma tradu\u00e7\u00e3o, uma transposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de voc\u00e1bulos, mas de sabores\u201d.<\/p>\n<p>Se atendermos ao extenso volume das prescri\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias presentes na B\u00edblia, n\u00e3o nos parece nada bizarro que se fale, a prop\u00f3sito dele, de uma aut\u00eantica &#8220;teologia alimentar&#8221; ou se refira ao texto sagrado judaico-crist\u00e3o como um espl\u00eandido cat\u00e1logo de receitas. De fato, a revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica tamb\u00e9m se aprende &#8220;saboreando&#8221;. E a sua leitura constitui uma minuciosa inicia\u00e7\u00e3o aos sabores: ao escondido sabor do &#8220;leite e mel&#8221; ao sabor do &#8220;trigo tostado&#8221;, ao motivo do &#8220;p\u00e3o \u00e1zimo&#8221; ao riso iluminado despertado pelo &#8220;manjar pascal&#8221;.<\/p>\n<p>O Livro do \u00caxodo fala do &#8220;man\u00e1&#8221;, o alimento que Deus fez chover do <em>c\u00e9u (&#8220;ca\u00eda do c\u00e9u com o orvalho da noite&#8221;)<\/em> para permitir ao seu povo sobreviver na longa travessia do deserto, depois da sa\u00edda do Egito em busca da Terra Prometida. O livro da Sabedoria, falando sobre o man\u00e1, escreve: &#8220;Deste ao teu povo um alimento dos anjos, enviaste-lhe do c\u00e9u um p\u00e3o, sem esfor\u00e7o deles, um p\u00e3o de mil sabores, e adaptado a todos os gostos&#8221;. O modest\u00edssimo man\u00e1, enviado por Deus, era o &#8220;p\u00e3o de mil sabores&#8221;, o que mostra o amor de Deus atingindo o paladar. Esse n\u00e3o \u00e9 indiferente ao amor de Deus, como n\u00e3o \u00e9 de todo indiferente a qualquer amor. Deus saboreia-se, Deus \u00e9 sabor.<\/p>\n<p>Saborear Deus! Esta \u00e9 tamb\u00e9m a proposta que nos faz o Salt\u00e9rio. Os salmos s\u00e3o ora\u00e7\u00f5es que acompanham o corpo, o tempo, a surpresa, a dor e a del\u00edcia de ser. Aquilo que cada um vive \u00e9 o ponto de partida para a rela\u00e7\u00e3o com Deus. A ora\u00e7\u00e3o b\u00edblica precisa mostrar as linhas de fogo da vida. S\u00f3 assim ela pode ser aprendizagem de Deus. N\u00e3o \u00e9 de se admirar, por isso, que dentre as passagens b\u00edblicas que se referem ao sabor e ao degustar, o Livro dos Salmos ocupe um lugar t\u00e3o especial.<\/p>\n<p>O salmo 27 diz: &#8220;Uma s\u00f3 coisa pe\u00e7o ao Senhor e ardentemente a desejo: habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida para saborear o seu encanto&#8230;&#8221;. Quando \u00e9 que saboreamos? Quando o nosso corpo contempla; quando, todo concentrado, ele observa, surpreende-se, avizinha, entreabre o segredo, deixa essa esp\u00e9cie de epifania revelar-se. O sabor \u00e9 sempre uma forma de intimidade que sup\u00f5e o contato profundo.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia de Deus n\u00e3o \u00e9 fundada numa abstra\u00e7\u00e3o, mas numa rela\u00e7\u00e3o vivida, constatada: a procura tem resposta, a obra de liberta\u00e7\u00e3o &#8220;de todos os meus temores&#8221; acontece. Desse modo, o espantoso desafio lan\u00e7ado pelo salmista no Salmo 34, vers\u00edculo 9, n\u00e3o \u00e9 temer\u00e1rio nem em v\u00e3o. Ele sabe em quem colocou a sua confian\u00e7a e firmemente ancorado diz: &#8220;Saboreai e vede como o Senhor \u00e9 bom; feliz o homem que nele confia&#8221;. Por que saborear? O sabor revela, ilumina, dissemina-se por dentro de n\u00f3s at\u00e9 tornar-se vida. Deus saboreia-se, Deus \u00e9 sabor!<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><em>Arcebispo Metropolitano da Igreja Cat\u00f3lica de Pelotas<\/em><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jacinto Bergmann As reflex\u00f5es que seguem, cont\u00e9m o contexto do M\u00eas da B\u00edblia, que tradicionalmente vivemos no m\u00eas de setembro. &#8220;Aproximei-me do anjo e pedi-lhe que me desse o<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":128841,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,149],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130391"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=130391"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130391\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":130392,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130391\/revisions\/130392"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/128841"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=130391"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=130391"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=130391"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}