{"id":132303,"date":"2023-12-18T19:44:18","date_gmt":"2023-12-18T22:44:18","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=132303"},"modified":"2023-12-18T19:44:18","modified_gmt":"2023-12-18T22:44:18","slug":"especie-de-tamandua-considerada-extinta-no-rs-e-registrada-em-unidade-de-conservacao-do-pampa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/especie-de-tamandua-considerada-extinta-no-rs-e-registrada-em-unidade-de-conservacao-do-pampa\/","title":{"rendered":"Esp\u00e9cie de tamandu\u00e1 considerada extinta no RS \u00e9 registrada em Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o do Pampa"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Imagens foram feitas no Parque Estadual do Espinilho, na Barra do Quara\u00ed. Tamadu\u00e1-bandeira foi flagrado por uma c\u00e2mera fotogr\u00e1fica posicionada na mata<\/em><\/h3>\n<p>J\u00e1 era tarde da noite quando uma armadilha fotogr\u00e1fica flagrou um animal grande, de orelhas pequenas e focinho alongado, desfilando por entre as \u00e1rvores do Parque Estadual do Espinilho, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. N\u00e3o era um mam\u00edfero qualquer, mas um exemplar raro. Quem passava tranquilamente em frente \u00e0 c\u00e2mera discreta posicionada na mata era um tamandu\u00e1-bandeira, esp\u00e9cie considerada extinta no Estado h\u00e1 130 anos.<\/p>\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o do registro inusitado ocorre na semana em que o bioma Pampa \u00e9 celebrado, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia da biodiversidade desse espa\u00e7o e da manuten\u00e7\u00e3o de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UCs) para a prote\u00e7\u00e3o de ecossistemas significativos da paisagem rio-grandense.<\/p>\n<p>Feito pela primeira vez em junho deste ano, o flagrante surpreendeu um grupo de ambientalistas que fazia uma expedi\u00e7\u00e3o em busca de animais silvestres na UC da Barra do Quara\u00ed. Foram eles que instalaram os equipamentos fotogr\u00e1ficos acionados a dist\u00e2ncia para registrar os habitantes do parque em estado selvagem com a menor interfer\u00eancia humana poss\u00edvel. N\u00e3o esperavam, por\u00e9m, fazer tal descoberta.<\/p>\n<p>\u201cA gente acredita que esse bicho seja uma expans\u00e3o do trabalho de reintrodu\u00e7\u00e3o feito na Argentina, l\u00e1 em\u00a0Esteros del\u00a0Iber\u00e1, do trabalho da\u00a0Funda\u00e7\u00e3oRewilding. Esses animais est\u00e3o adentrando o Rio Grande do Sul. No Uruguai, o Tamandu\u00e1<em>\u00a0<\/em>tamb\u00e9m j\u00e1 tinha sido extinto no mesmo per\u00edodo em que isso aconteceu aqui no Pampa brasileiro\u201d, explicou o bi\u00f3logo F\u00e1bio Mazim, que atua no Parque do Espinilho e faz parte do grupo respons\u00e1vel pelo registro.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a primeira apari\u00e7\u00e3o, outras imagens da esp\u00e9cie, da qual n\u00e3o se tinha registro h\u00e1 mais de um s\u00e9culo no Estado, foram obtidas no mesmo parque. As capta\u00e7\u00f5es foram feitas em turnos distintos, nos meses de julho, agosto e setembro. Conforme o bi\u00f3logo da Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foi poss\u00edvel concluir se todos os registros correspondem ao mesmo animal ou se haveria uma dupla. A \u00fanica certeza \u00e9 de que h\u00e1 ao menos um novo inquilino no parque.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ressaltar a riqueza da biodiversidade na regi\u00e3o, a descoberta demonstra a import\u00e2ncia do Parque do Espinilho no que tange \u00e0 pesquisa e \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies raras e amea\u00e7adas. A descoberta do tamandu\u00e1-bandeira no Rio Grande do Sul ser\u00e1 relatada em um trabalho cient\u00edfico, desenvolvido em colabora\u00e7\u00e3o com pesquisadores da Argentina e do Uruguai.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Mais sobre a esp\u00e9cie\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>O tamandu\u00e1-bandeira, como \u00e9 popularmente conhecido, \u00e9 um mam\u00edfero nativo da Am\u00e9rica do Sul. Recebeu esse nome por ter o formato da cauda semelhante ao de uma bandeira.<\/p>\n<p>Esses animais t\u00eam uma fun\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica de extrema import\u00e2ncia, que consiste na aduba\u00e7\u00e3o da terra, uma vez que se alimentam de insetos e acabam espalhando res\u00edduos e nutrientes pelo solo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-132304 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tamandua02.jpg\" alt=\"\" width=\"599\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tamandua02.jpg 599w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tamandua02-300x219.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tamandua02-150x110.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 599px) 100vw, 599px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Animal recebeu esse nome por ter o formato da cauda semelhante ao de uma bandeira &#8211; Fotos: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>Quando atingem a idade adulta, s\u00e3o animais solit\u00e1rios. N\u00e3o s\u00e3o \u00e1geis nem agressivos, a menos que se sintam amea\u00e7ados. Apesar do tamanho e do peso, conseguem se proteger de predadores sobre as \u00e1rvores, gra\u00e7as ao aux\u00edlio de suas garras.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>A Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>O Parque Estadual do Espinilho \u00e9 uma Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o do bioma Pampa, sob responsabilidade da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema). \u00c9 importante para a conserva\u00e7\u00e3o de uma forma\u00e7\u00e3o vegetal exclusiva da regi\u00e3o, com esp\u00e9cies caracter\u00edsticas, como a \u00e1rvore que deu origem ao nome da unidade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o vegetal \u00fanica, v\u00e1rias esp\u00e9cies da fauna est\u00e3o associadas a esse tipo de forma\u00e7\u00e3o e dependem do parque para sua manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA observa\u00e7\u00e3o do tamandu\u00e1-bandeira no Parque do Espinilho representa uma descoberta de relev\u00e2ncia para a UC. Isso ir\u00e1 motivar o desenvolvimento de pesquisas sobre a biodiversidade local, possibilitando maior compreens\u00e3o sobre as intera\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas e o comportamento da esp\u00e9cie nesse ambiente\u201d, ressaltou a titular da Sema, Marjorie Kauffmann.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>A\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o do bioma\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>No Brasil, o bioma Pampa est\u00e1 restrito ao Rio Grande do Sul, correspondendo a 68% do territ\u00f3rio ga\u00facho. Tem como principal caracter\u00edstica as extensas \u00e1reas de campos naturais. Localizado na metade sul do Estado, o Pampa \u00e9 formado por um conjunto de tipologias campestres, diversidade de esp\u00e9cies herb\u00e1ceas e ambientes integrados com a floresta de arauc\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ao longo dos \u00faltimos anos, a Sema v\u00eam promovendo iniciativas para preservar esse espa\u00e7o de biodiversidade \u00fanica. Confira:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Corredores ecol\u00f3gicos<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Os corredores ecol\u00f3gicos promovem a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade por meio de estrat\u00e9gias de gest\u00e3o territorial que mantenham ou recuperem processos ecol\u00f3gicos, ligando espa\u00e7os especialmente protegidos e facilitando a dispers\u00e3o de esp\u00e9cies, bem como a recoloniza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas. Nesse contexto, a secretaria desenvolveu iniciativas voltadas \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o do Corredor Ecol\u00f3gico da Quarta Col\u00f4nia, que envolve a transi\u00e7\u00e3o dos biomas Pampa e Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Rota dos Butiazais<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Acordo de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica entre a Sema e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) que prev\u00ea a\u00e7\u00f5es de pesquisa, extens\u00e3o rural e normatiza\u00e7\u00e3o do uso sustent\u00e1vel de esp\u00e9cies de Buti\u00e1, fruto nativo do bioma Pampa. A rota conecta pessoas para a conserva\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o consciente da biodiversidade nas \u00e1reas em que ocorrem butiazais no Brasil, no Uruguai e na Argentina.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Trilhas de Longo Curso<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>A iniciativa tem por objetivo o fomento \u00e0s experi\u00eancias tur\u00edsticas, o incentivo \u00e0 cultura, ao esporte e ao lazer, al\u00e9m da gera\u00e7\u00e3o de renda e trabalho para a comunidade envolvida. Atualmente, o Rio Grande do Sul conta com 12 Trilhas de Longo Curso implementadas. Ainda em 2023, pretende-se instituir o Programa Estadual de Trilhas de Longo Curso, que busca ampliar experi\u00eancias positivas por meio do contato do visitante com o ambiente natural.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Certifica\u00e7\u00e3o ambiental para extrativismo sustent\u00e1vel da flora nativa\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Certifica\u00e7\u00e3o emitida pela Sema para aqueles que possuem \u00e1reas de flora nativa e desejam fazer a extra\u00e7\u00e3o ou coleta de produtos e subprodutos como frutos, folhas, sementes e \u00f3leos essenciais, dentro dos limites permitidos pela legisla\u00e7\u00e3o atual, por meio de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis. Permite maior aproxima\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o ambiental com as a\u00e7\u00f5es realizadas no campo e ajuda a monitorar o impacto das atividades humanas na natureza.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Cadastro Ambiental Rural (CAR)<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Registro eletr\u00f4nico das informa\u00e7\u00f5es ambientais, obrigat\u00f3rio para todos os im\u00f3veis rurais. A ferramenta, do Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SiCAR), ajuda a promover a identifica\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es das propriedades rurais, contribuindo para o planejamento ambiental, monitoramento, combate ao desmatamento e regulariza\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Reposi\u00e7\u00e3o Florestal Obrigat\u00f3ria (RFO)<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Medida legal para atenuar, compensar ou reparar algum impacto ambiental causado pelo corte de \u00e1rvores nativas, buscando a recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas. Quando aprovados os projetos de RFO, a Sema \u00e9 respons\u00e1vel por analisar e emitir os pareceres t\u00e9cnicos. No bioma Pampa, os projetos envolvem o manejo conservacionista dos campos nativos, estrat\u00e9gias para reintrodu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas e erradica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Estrat\u00e9gia Nacional para Conserva\u00e7\u00e3o de Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas de Extin\u00e7\u00e3o (GEF \u2013 Pr\u00f3-esp\u00e9cies)<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Projeto desenvolvido pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e executado pela Sema para mitigar impactos sobre as esp\u00e9cies amea\u00e7adas que n\u00e3o est\u00e3o em \u00e1reas protegidas nem s\u00e3o contempladas pelos Planos de A\u00e7\u00e3o Nacional (PAN). Por meio do GEF &#8211; Pr\u00f3-Esp\u00e9cies, s\u00e3o promovidas a\u00e7\u00f5es como o combate \u00e0 ca\u00e7a, pesca e extra\u00e7\u00e3o ilegal de esp\u00e9cies silvestres.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito do bioma Pampa, a Sema coordena o Plano de A\u00e7\u00e3o Territorial (PAT) \u2013 Bag\u00e9, que visa \u00e0 melhoria do estado de conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies focais e de seus ambientes por meio da valoriza\u00e7\u00e3o e da promo\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Projeto GEF \u2013 Terrestre<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Desenvolvido pelo governo federal e executado em parceria com a Sema, o projeto conta com\u00a0 o envolvimento de comunidades locais e propriet\u00e1rios do entorno das UCs. Atua por meio de estrat\u00e9gias, buscando qualifica\u00e7\u00e3o, regulariza\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00f5es nas unidades j\u00e1 existentes, trabalhando na restaura\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa e na prote\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Sistema Estadual de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (Seuc)<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Encontra-se em curso na Sema a elabora\u00e7\u00e3o do Plano Seuc, com o objetivo de subsidiar tomadas de decis\u00f5es relacionadas \u00e0 tem\u00e1tica das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UCs). O plano dever\u00e1 ser um instrumento de apoio gerencial para assegurar a gest\u00e3o eficiente e eficaz, descentralizada, participativa e correspons\u00e1vel na busca pela conserva\u00e7\u00e3o, desenvolvimento sustent\u00e1vel, prote\u00e7\u00e3o, administra\u00e7\u00e3o e uso p\u00fablico das UCs do Estado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagens foram feitas no Parque Estadual do Espinilho, na Barra do Quara\u00ed. 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