{"id":134112,"date":"2024-03-28T18:26:41","date_gmt":"2024-03-28T21:26:41","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=134112"},"modified":"2024-03-28T18:26:41","modified_gmt":"2024-03-28T21:26:41","slug":"boletim-apresenta-dados-de-violencia-contra-as-mulheres-no-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/boletim-apresenta-dados-de-violencia-contra-as-mulheres-no-estado\/","title":{"rendered":"Boletim apresenta dados de viol\u00eancia contra as mulheres no Estado"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Documento re\u00fane estat\u00edsticas e recortes socioculturais para subsidiar trabalho dos profissionais da sa\u00fade<\/em><\/h3>\n<p>Integrando as a\u00e7\u00f5es do m\u00eas de mar\u00e7o alusivas \u00e0 sa\u00fade da mulher, a Secretaria Estadual da Sa\u00fade (SES) lan\u00e7ou nesta semana o \u201cBoletim Epidemiol\u00f3gico do Estado do Rio Grande do Sul: viol\u00eancia contra meninas e mulheres de 10 a 59 anos\u201d. Os dados revelam que, entre 2018 e 2022, esse p\u00fablico feminino representou 78% das v\u00edtimas de viol\u00eancias notificadas no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia figura como um problema na agenda de sa\u00fade p\u00fablica global, caracterizada como uma forma extrema de desigualdade de g\u00eanero. Para a elabora\u00e7\u00e3o do boletim, produzido pela equipe t\u00e9cnica da Divis\u00e3o das Pol\u00edticas dos Ciclos de Vida do Departamento de Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria e Pol\u00edticas de Sa\u00fade (DAPPS), foram utilizados dados do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan).<\/p>\n<p>O documento re\u00fane uma s\u00e9rie de estat\u00edsticas e recortes socioculturais que buscam subsidiar o trabalho dos profissionais da sa\u00fade em todos os \u00e2mbitos da assist\u00eancia do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Levando em conta o contexto hist\u00f3rico recente, \u00e9 not\u00e1vel a queda no n\u00famero de notifica\u00e7\u00f5es entre os anos de 2019 e 2020, o que pode estar relacionado \u00e0 pandemia de covid-19 e \u00e0s medidas de restri\u00e7\u00e3o. A redu\u00e7\u00e3o de acesso das usu\u00e1rias aos servi\u00e7os de sa\u00fade interfere diretamente no resultado, uma vez que a notifica\u00e7\u00e3o \u00e9 compuls\u00f3ria, por\u00e9m depende da iniciativa do profissional de sa\u00fade para ser inserida no Sinan.<\/p>\n<p>De acordo com a taxa populacional, os mais atingidos pela viol\u00eancia s\u00e3o os ind\u00edgena, demonstrando os n\u00fameros mais elevados em todos os anos analisados. Entre 2018 e 2021, a popula\u00e7\u00e3o negra foi a que mais sofreu viol\u00eancia, e em 2022 foi a popula\u00e7\u00e3o amarela que mais somou notifica\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia. Quanto \u00e0 faixa et\u00e1ria, meninas de 10 a 14 anos representam as maiores v\u00edtimas entre as notifica\u00e7\u00f5es realizadas no Estado durante todos os anos da s\u00e9rie hist\u00f3rica analisada. Dessas, meninas e mulheres ind\u00edgenas, pretas e amarelas s\u00e3o as mais afetadas pela viol\u00eancia sexual.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao local onde os atos violentos ocorrem, a resid\u00eancia \u00e9 o mais frequente, o que indica que a viol\u00eancia dom\u00e9stica ainda supera os demais n\u00fameros no Rio Grande do Sul. Durante a s\u00e9rie hist\u00f3rica foram 63.567 casos, sendo prevalente o \u00edndice de viol\u00eancia na zona urbana, apontando para a poss\u00edvel subnotifica\u00e7\u00e3o do mesmo \u00edndice em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres do campo. A baixa escolaridade tamb\u00e9m est\u00e1 associada \u00e0s notifica\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia, ressaltando que quanto menos escolarizadas, mais vulner\u00e1veis est\u00e3o essas mulheres.<\/p>\n<p>Entre os tipos de viol\u00eancia categorizados no boletim, a viol\u00eancia f\u00edsica \u00e9 a mais facilmente reconhecida pela sociedade e pelos profissionais de sa\u00fade, tendo em vista a forma mais expl\u00edcita com que se manifesta. Esse dado, de acordo com a an\u00e1lise do material, est\u00e1 relacionado com a compreens\u00e3o que se tem do conceito de viol\u00eancia &#8211; que muitas vezes desconsidera viol\u00eancia psicol\u00f3gica, patrimonial, neglig\u00eancia, entre outras.<\/p>\n<p>Quase metade das notifica\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia (42,5%) s\u00e3o registradas em atendimentos na aten\u00e7\u00e3o terci\u00e1rias, em grandes hospitais e em atendimento especializado, indicando que chegaram a um grau severo de gravidade. Em segundo lugar no n\u00famero de registros est\u00e1 a aten\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria (31,6%) e em terceiro a aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria (19,6%). Esses n\u00fameros evidenciam que embora seja na aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica que ocorre o maior v\u00ednculo com a popula\u00e7\u00e3o, ela ainda \u00e9 a que menos notifica casos de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio, aponta o boletim, significa que ainda existe um enorme desafio entre a realidade enfrentada pelas mulheres ga\u00fachas e o trabalho dos profissionais de sa\u00fade que atuam na ponta, sendo fundamental capacitar e estimular a aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria em sa\u00fade para que esteja sens\u00edvel \u00e0s viol\u00eancias contra meninas e mulheres, identificando sinais desde o in\u00edcio.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Aborto legal<\/strong><\/h4>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m traz um recorte sobre o aborto legal no Estado, apresentando dados sobre procedimentos de interrup\u00e7\u00e3o da gesta\u00e7\u00e3o nos casos previstos em lei. O Rio Grande do Sul tem sete servi\u00e7os de refer\u00eancia do SUS para a realiza\u00e7\u00e3o de aborto. Entre 2019 e 2022 foram realizadas 428 interrup\u00e7\u00f5es legais em decorr\u00eancia de viol\u00eancia sexual. A representa\u00e7\u00e3o social observada nesse cen\u00e1rio \u00e9 de mulheres com n\u00edvel de escolaridade m\u00e9dio e superior, o que evidencia que o perfil das mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual no Estado n\u00e3o \u00e9 o mesmo das que acessam a interrup\u00e7\u00e3o legal da gesta\u00e7\u00e3o. Essa discrep\u00e2ncia se justificaria pela falta de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o sobre direitos e torna urgente a\u00e7\u00f5es de fortalecimento e direcionamento de orienta\u00e7\u00f5es junto \u00e0 aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>O documento reflete a viol\u00eancia contra meninas e mulheres como um problema que ultrapassa os n\u00edveis de gest\u00e3o (federal, estadual e municipal) e busca dar visibilidade aos reais indicadores. Como instrumento para subsidiar futuras interven\u00e7\u00f5es, o boletim se prop\u00f5e a assegurar agendas de prote\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o do acesso universal e integral aos servi\u00e7os de sa\u00fade de meninas e mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia.<\/p>\n<ul>\n<li><strong><a href=\"https:\/\/atencaobasica.saude.rs.gov.br\/oletin-epidemiologico-do-estado-do-rio-grande-do-sul-violencia-contra-meninas-e-mulheres-de-10-a-59-anos-serie-historica-2018-2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Boletim Epidemiol\u00f3gico do Estado do Rio Grande do Sul: viol\u00eancia contra meninas e mulheres de 10 a 59 anos<\/a><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento re\u00fane estat\u00edsticas e recortes socioculturais para subsidiar trabalho dos profissionais da sa\u00fade Integrando as a\u00e7\u00f5es do m\u00eas de mar\u00e7o alusivas \u00e0 sa\u00fade da mulher, a Secretaria Estadual da Sa\u00fade<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":134113,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,33],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134112"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134112"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134112\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":134114,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134112\/revisions\/134114"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134113"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}