{"id":134229,"date":"2024-04-05T10:24:32","date_gmt":"2024-04-05T13:24:32","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=134229"},"modified":"2024-04-05T10:24:32","modified_gmt":"2024-04-05T13:24:32","slug":"artigo-o-dom-do-dom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/artigo-o-dom-do-dom\/","title":{"rendered":"Artigo: O DOM DO DOM"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\">Por Dom Jacinto Bergmann<\/h3>\n<div id=\"attachment_55951\" style=\"width: 254px\" class=\"wp-caption alignright\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-55951\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-55951\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/dom-jacinto-bergmann.jpg\" alt=\"\" width=\"244\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/dom-jacinto-bergmann.jpg 343w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/dom-jacinto-bergmann-85x150.jpg 85w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/dom-jacinto-bergmann-171x300.jpg 171w\" sizes=\"(max-width: 244px) 100vw, 244px\" \/><p id=\"caption-attachment-55951\" class=\"wp-caption-text\">DOM Jacinto Bergmann<\/p><\/div>\n<p>A hermen\u00eautica do dom concerne toda a realidade da pessoa. N\u00e3o podemos compreender e afirmar a pessoa prescindindo da lei do dom.<\/p>\n<p>A sociedade, na qual a lei do dom \u00e9 enfraquecida, ela se torna uma sociedade desumana. Em geral podemos dizer que a vida social do g\u00eanero humano \u00e9 organizada segundo duas leis fundamentais: a lei do mercado e a lei do dom.<\/p>\n<p>Segundo a lei do mercado, um deve pagar o pre\u00e7o estabelecido para os bens e os servi\u00e7os que necessita. A troca dos bens que se chama &#8220;livre mercado&#8221; se apoia sob essa lei. Quando vou para um &#8220;neg\u00f3cio&#8221;, n\u00e3o posso pretender que as coisas me sejam dadas gratuitamente; devo pagar o seu equivalente estipulado pelo vendedor.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, na vida humana existem bens que pela sua natureza n\u00e3o podem ser nem vendidos nem comprados. Tais bens podem ser somente dados gratuitamente<\/p>\n<p>O primeiro desses bens \u00e9 a pr\u00f3pria pessoa humana. A pretens\u00e3o de vender ou comprar a pessoa humana (infelizmente realizada na hist\u00f3ria) est\u00e1 em direta contradi\u00e7\u00e3o com aquilo que cada pessoa \u00e9: &#8220;Imagem e semelhan\u00e7a de Deus&#8221;. \u00c0 pessoa s\u00e3o constitutivas as estruturas de auto possess\u00e3o e autodetermina\u00e7\u00e3o. Justamente por causa dessa sua estrutura \u00f4ntica, somente a pessoa interessada pode doar a si mesma enquanto ela n\u00e3o pode ser dada e nem tampouco vendida por nenhum outro. O mesmo se refere ao corpo humano enquanto sinal da pessoa humana &#8211; n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito vender ou comprar o corpo da pessoa, porque isso significaria vender ou comprar a pr\u00f3pria pessoa.<\/p>\n<p>Outro dom que se rege pela lei do dom \u00e9 o amor. Isso pela sua pr\u00f3pria natureza que \u00e9 sempre doa\u00e7\u00e3o. A pretens\u00e3o de comprar ou vender o amor destr\u00f3i o pr\u00f3prio amor. N\u00e3o \u00e9 mais amor o que se vende ou se compra, mas um simulacro. O amor pode ser somente doado gratuitamente.<\/p>\n<p>A lei do dom pertence ao n\u00facleo do <em>ethos<\/em> humano. Ela nos defende diante da amea\u00e7a, sempre presente na hist\u00f3ria do homem, de ser reduzido ao estatuto das coisas &#8211; ou ao estatuto dos bens que s\u00e3o submetidos \u00e0 lei do mercado. A consci\u00eancia moral defende o homem diante de tal perigo. Trata-se n\u00e3o somente de n\u00e3o abaixar os outros ao n\u00edvel das coisas, mas tamb\u00e9m de n\u00e3o aceitar de ser abaixado a tal n\u00edvel. Isso porque deve ser respeitada a dignidade da pessoa em cada homem e mulher e isso significa que a devo respeitar tamb\u00e9m em mim, na pessoa que sou eu.<\/p>\n<p>Tudo isso deixa claro o sentido metaf\u00edsico do dom, que consiste no doar a exist\u00eancia por parte daquele que \u00e9 o Absoluto da exist\u00eancia. Visto por essa perspectiva, o pr\u00f3prio homem aparece como dom. Cada pessoa humana \u00e9 confi\u00e1vel a si mesma como dom. O mais profundo sentido do <em>ethos<\/em> da pessoa consiste em aceitar o dom, em responder ao dom com a mesma linguagem do doar a si mesma.<\/p>\n<p>E pela an\u00e1lise filos\u00f3fica \u00e9 nos revelada a estrutura por excel\u00eancia do dom: a estrutura pessoal. Nela podemos distinguir o seu sujeito (que se doa), o seu objeto (a quem \u00e9 dado o dom) e a rela\u00e7\u00e3o que o dom estabelece entre o sujeito e o objeto. O sujeito, o objeto e a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 a pessoa. Somente ela \u00e9 capaz de compreender e viver o sentido da lei do dom: ato de doar e de responder adequadamente ao dom. E assim, \u00e9 o dom que estabelece uma rela\u00e7\u00e3o interpessoal, que se caracteriza pela gratuidade, pela liberdade, pela definitividade, pela totalidade, pela reciprocidade, pela dial\u00e9tica. Essa \u00e9 a gram\u00e1tica da linguagem do dom.<\/p>\n<p>\u00c9 mais que urgente e decididamente necess\u00e1rio a humanidade avivar a lei do dom. Precisamos cultivar o nosso dom do dom.<\/p>\n<p><em><strong>Arcebispo Metropolitano da Igreja Cat\u00f3lica de Pelotas<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Dom Jacinto Bergmann A hermen\u00eautica do dom concerne toda a realidade da pessoa. N\u00e3o podemos compreender e afirmar a pessoa prescindindo da lei do dom. 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