{"id":136383,"date":"2024-06-27T09:36:21","date_gmt":"2024-06-27T12:36:21","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=136383"},"modified":"2024-06-27T09:36:55","modified_gmt":"2024-06-27T12:36:55","slug":"em-torno-do-riso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/em-torno-do-riso\/","title":{"rendered":"Em torno do riso"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\"><em><strong>Marcus Vin\u00edcius Martins Antunes<\/strong><\/em><\/h4>\n<p>Os antigos diziam: <em>Ridendo castigat mores. <\/em>Da\u00ed as com\u00e9dias de costumes e os grandes autores, como Moli\u00e8re e Voltaire, ou Bocage e Greg\u00f3rio de Matos, no Brasil; os humoristas, como o Bar\u00e3o de Itarar\u00e9; da\u00ed as fantasias dos blocos de carnaval e as imita\u00e7\u00f5es. Da\u00ed, a censura, como m\u00e9todo que denota medo, como no per\u00edodo da ditadura militar, entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>O primeiro grande fil\u00f3sofo da Igreja, santo Agostinho, escreveu que o riso era um desses \u201catos \u00ednfimos dos homens\u201d. Para ele, chorar era \u201cum dever\u201d. Tempo depois, Em O Nome da Rosa, Umberto Eco revela a probi\u00e7\u00e3o do riso que vigorava num mosteiro beneditino da Igreja Cat\u00f3lica, no s\u00e9culo XIV. Isso, apesar de que o admitisse Arist\u00f3teles, para Tom\u00e1s de Aquino \u201cO Fil\u00f3sofo\u201d, e afirmasse que o homem \u00e9 o \u00fanico animal que ri.<\/p>\n<p>J\u00e1 outro fil\u00f3sofo, Descartes, quase tr\u00eas s\u00e9culos depois (O Discurso do M\u00e9todo: Das Paix\u00f5es em Geral), tem uma curiosa e interessante defini\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica para o riso: \u201cO riso consiste em que o sangue que procede da cavidade direita do cora\u00e7\u00e3o pela veia arteriosa, inflando de s\u00fabito e repetidas vezes os pulm\u00f5es, faz com que o ar neles contido seja obrigado a sair pelo gasnete, onde forma uma voz inarticulada e estrepitosa: e tanto os pulm\u00f5es, ao se inflarem, quanto este ar, ao sair, impelem todos os m\u00fasculos do diafragma, do peito e da garganta, mediante o que movem os do rosto que t\u00eam com eles qualquer conex\u00e3o: e n\u00e3o \u00e9 mais que essa a\u00e7\u00e3o do rosto, com essa voz inarticulada e estrepitosa, que chamamos riso\u201d.<\/p>\n<p>Simples e f\u00e1cil, n\u00e3o? Mas verdadeira &#8230; Para ele, uma das principais causas do riso \u00e9 a surpresa da admira\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o \u00e9? O tombo, sem consequ\u00eancias, por exemplo, uma trapalhada s\u00fabita&#8230;<\/p>\n<p>Ilustro, a final, com coment\u00e1rio que vi publicado, do qual fiz discreta adapta\u00e7\u00e3o. O breve relato mostra como o riso pode conviver com o tr\u00e1gico. E castigar o a provid\u00eancia inapropriada e autorit\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8220;Quando eu tinha 10 anos, meu pai obrigou-me a ir a um vel\u00f3rio de um amigo dele, que eu n\u00e3o conhecia.<\/p>\n<p>Quando chegamos l\u00e1, fiquei num canto \u00e0 espera da hora de sair. A\u00ed, um homem aproximou-se de mim e falou: &#8220;Aproveite a vida menino, seja feliz porque eu n\u00e3o aproveitei&#8221;. Passou a m\u00e3o na minha cabe\u00e7a e se foi.<\/p>\n<p>Meu pai, antes de irmos embora, obrigou-me a despedir da pessoa morta. Quando olhei para o caix\u00e3o, assustei-me: era o homem que conversava comigo no tempo em que fiquei no canto. Passei a n\u00e3o conseguir dormir, a ter pavor de ficar sozinho, a ir ao psic\u00f3logo, a n\u00e3o apagar a luz de noite&#8230;<\/p>\n<p>Anos depois descobri algo incr\u00edvel, que mudou a minha vida: aquele morto miser\u00e1vel tinha um irm\u00e3o g\u00eameo. \u201d&#8230;.<\/p>\n<p><em><strong>\u00a0Advogado<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>antunesmv@cpovo.net<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcus Vin\u00edcius Martins Antunes Os antigos diziam: Ridendo castigat mores. 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