{"id":1389,"date":"2013-09-22T22:02:20","date_gmt":"2013-09-23T01:02:20","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=1389"},"modified":"2013-09-24T11:12:39","modified_gmt":"2013-09-24T14:12:39","slug":"clubes-negreiros-resistem-ao-tempo-para-preservar-memoria-afrodescendente-no-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/clubes-negreiros-resistem-ao-tempo-para-preservar-memoria-afrodescendente-no-rs\/","title":{"rendered":"Clubes negreiros resistem ao tempo para preservar mem\u00f3ria afrodescendente no RS"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1390\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/0822pr190913.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"Clubes negreiros resistem ao tempo para preservar mem\u00f3ria afrodescendente no RS\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1390\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1390 \" alt=\"0822pr190913\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/0822pr190913-300x200.jpg\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/0822pr190913-300x200.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/0822pr190913.jpg 414w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1390\" class=\"wp-caption-text\">A Biblioteca Negra de Pelotas \u00e9 a \u00fanica de literatura exclusivamente negra no pa\u00eds<\/p><\/div>\n<p>Na prateleira em madeira r\u00fastica, um vidro preserva o estandarte com a imagem do pierr\u00f4 de fantasia azul e branca. Na parede, um quadro com o Zumbi dos Palmares desenhado \u00e0 m\u00e3o. Em cima do arm\u00e1rio, toda a cole\u00e7\u00e3o de trof\u00e9us adquiridos nas vit\u00f3rias do carnaval desde a d\u00e9cada de 1920. Este \u00e9 o Clube Social Negreiro Pelotense Fica Ahi pra ir Dizendo, de onde surgiu a primeira escola de samba do Rio Grande do Sul. A mem\u00f3ria da funda\u00e7\u00e3o, em 27 de janeiro de 1921, est\u00e1 preservada em pain\u00e9is nas paredes do sal\u00e3o que at\u00e9 hoje abriga bailes para a comunidade negra da cidade e regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O presidente do Clube Fica Ahi, Raul Ferreira, conta que ap\u00f3s o sucesso do bloco no carnaval de Pelotas, o grupo decidiu fundar um clube social. &#8220;Como n\u00e3o tinham local para a reuni\u00e3o de funda\u00e7\u00e3o do clube, colocaram um cidad\u00e3o na pra\u00e7a em frente \u00e0 Prefeitura e disseram para ele: \u2018fica ai pra ir dizendo onde \u00e9 a reuni\u00e3o&#8217;. E assim nasceu o nome do clube&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Como carnaval de rua era popular e os festejos em clubes considerados \u2018elitizados&#8217;, houve divis\u00e3o entre os frequentadores do clube e a escola de samba se separou. Hoje, a Academia do Samba n\u00e3o tem mais rela\u00e7\u00e3o com o Fica Ahi. Das quermesses e festivais, s\u00f3 restam fotos nas paredes de um dos espa\u00e7os da entrada do pr\u00e9dio.<\/p>\n<p>O local pelo qual j\u00e1 passou \u00c2ngela Maria, Leci Brand\u00e3o e outros artistas representantes da negritude brasileira abriga tamb\u00e9m a \u00fanica biblioteca de literatura exclusivamente negra no pa\u00eds. A Biblioteca Negra de Pelotas abriga cerca de 400 t\u00edtulos adquiridos por doa\u00e7\u00f5es. &#8220;O professor Uruguay Cortazzo sentiu falta da bibliografia negra e adquiriu os primeiros exemplares para trabalhar no grupo de estudos negros da Universidade Federal de Pelotas, o Sangoma&#8221;, explica a professora de Hist\u00f3ria Maria Tereza Barbosa.<\/p>\n<p><em><b>Primeiro clube de integra\u00e7\u00e3o entre brancos e negros nasceu em Jaguar\u00e3o<br \/>\n<\/b><\/em>Cerca de 140 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia do Fica Ahi, na cidade de Jaguar\u00e3o, outro clube \u00e9 marco de resist\u00eancia da cultura negra no estado. Com 95 anos, o 24 de Agosto leva o nome da data de sua funda\u00e7\u00e3o, no ano de 1918. O\u00a0n\u00famero 24\u00a0tamb\u00e9m simboliza a quantidade de homens que iniciaram encontros para socializar na no s\u00e9culo em que a discrimina\u00e7\u00e3o racial fazia uma radical segrega\u00e7\u00e3o na cidade. &#8220;S\u00f3 os brancos iam para os clubes socializar. Negros e pobres n\u00e3o podiam. Ent\u00e3o, 24 homens come\u00e7aram a se encontrar e decidiram fundar um clube&#8221;, conta o atual presidente, Nei Madruga.<\/p>\n<p>O que poderia ser uma revanche foi o maior gesto de pacifica\u00e7\u00e3o da \u00e9poca. Quando abriu as portas como clube social, o 24 de Agosto passou a ser o primeiro local de integra\u00e7\u00e3o entre brancos e negros. &#8220;T\u00ednhamos um verdadeiro apartheid aqui. Mas acreditamos que \u00e9 importante a presen\u00e7a das duas ra\u00e7as, at\u00e9 para sobreviv\u00eancia do clube. N\u00e3o vivemos apenas da economia dos negros&#8221;, ressalta seu Madruga.<\/p>\n<p>Os dois clubes negreiros situados na metade sul do estado foram contemplados no edital de pontos de cultura do Governo estadual e receber\u00e3o recursos da Secretaria Estadual de Cultura. Ambos tombados como patrim\u00f4nio hist\u00f3rico imaterial, os espa\u00e7os ser\u00e3o restaurados e poder\u00e3o preservar a cultura dos afrodescendentes do sul do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Dos 82 pontos de cultura do \u00faltimo edital, quatro s\u00e3o clubes negros. Temos tamb\u00e9m pontos de cultura em assentamentos, comunidades ind\u00edgenas, locais de hip hop, enfim, queremos valorizar a diversidade do nosso estado&#8221;, diz o secret\u00e1rio estadual adjunto de Cultura, Jeferson Assum\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um total de R$ 18 milh\u00f5es est\u00e1 sendo investido nesta etapa. Em outubro, haver\u00e1 abertura de novo edital para mais 72 pontos de cultura no estado. &#8220;O mais importante n\u00e3o \u00e9 o recurso para reforma dos pr\u00e9dios, \u00e9 a preserva\u00e7\u00e3o do bem imaterial para o estado. No caso do 24 de Agosto, ele ia ser vendido para ser um supermercado por falta de dinheiro. N\u00f3s intervimos junto com a prefeitura para que isso n\u00e3o ocorresse&#8221;, relata Assum\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Se fecham estes locais, a gente cai no esquecimento. Precisamos de mais pessoas da sociedade se envolvendo com nossas ra\u00edzes, pessoas jovens que s\u00e3o descendentes destas agremia\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma o presidente do 24 de Agosto, Nei Madruga, ao lembrar que pessoas lutaram h\u00e1 95 anos para erguer este patrim\u00f4nio. Segundo ele, preserv\u00e1-lo elevar\u00e1 a cidade. &#8220;Hoje somos reconhecidos como patrim\u00f4nio hist\u00f3rico. Isto \u00e9 muito importante&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>O incentivo do estado ir\u00e1 contribuir para sanar o d\u00e9ficit cultural sobre a cultura negra no Rio Grande do Sul, acredita a produtora cultural pelotense Nail\u00ea Machado. &#8220;A sociedade hoje est\u00e1 modificada. O negro n\u00e3o se vincula mais ao clube e temos dificuldades dentro do movimento social negro. Para sobrevivermos temos que ter projetos que tragam a comunidade para dentro da cultura negra que seja algo al\u00e9m do samba, pagode, hip hop, rap, n\u00f3s temos v\u00e1rios outros tipos de cultura que convivemos de forma mais aberta hoje. O governo do estado acredita neste nosso projeto. N\u00e3o ter\u00edamos uma luz no fim do t\u00fanel se o estado n\u00e3o enxergasse o valor da baixa cultura e da cultura afro&#8221;, defende.<\/p>\n<p><b><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/029pr190913.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"Clubes negreiros resistem ao tempo para preservar mem\u00f3ria afrodescendente no RS\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1391 alignleft\" alt=\"029pr190913\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/029pr190913-300x200.jpg\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/029pr190913-300x200.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/029pr190913.jpg 414w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>APOIO &#8211; <\/b>O ponto de cultura Fica Ahi receber\u00e1 R$ 180 mil do Governo do Estado e promover\u00e1 oficinas de capoeira e dan\u00e7a afro, pintura, conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, artesanato, desenho, confec\u00e7\u00e3o de m\u00e1scaras africanas, edi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos, fotografias, percuss\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o de sopapo, economia criativa, sustentabilidade e capta\u00e7\u00e3o de recursos. Tamb\u00e9m ser\u00e3o realizados encontros e cortejos com mestres gri\u00f4s, forma\u00e7\u00f5es, debates e ciclo de leituras a partir das reflex\u00f5es de autores negros. J\u00e1 o Clube 24 de Agosto prev\u00ea oficinas de dan\u00e7a, capoeira, culin\u00e1ria afro, oficina de horta e m\u00fasica. O projeto tamb\u00e9m trabalhar\u00e1 com rodas de mem\u00f3ria, conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias e atividades cineclubistas.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje o poder p\u00fablico est\u00e1 dando import\u00e2ncia para nossa cultura e isso fortalece a nossa resist\u00eancia. Um clube social \u00e9 importante para preserva\u00e7\u00e3o das ra\u00edzes do povo e preserva\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. Como diz o nosso hino: \u2018povo sem hist\u00f3ria acaba por ser escravo&#8217;, avalia Nei Madruga.\u00a0(<b><i>Texto: Rachel Duarte Fotos: Pedro Revillion\/ Pal\u00e1cio Piratini\u00a0)<\/i><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na prateleira em madeira r\u00fastica, um vidro preserva o estandarte com a imagem do pierr\u00f4 de fantasia azul e branca. 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