{"id":139713,"date":"2024-10-15T09:03:21","date_gmt":"2024-10-15T12:03:21","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=139713"},"modified":"2024-10-15T09:03:21","modified_gmt":"2024-10-15T12:03:21","slug":"incra-e-ufpel-formam-quarta-turma-de-medicina-veterinaria-pelo-pronera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/incra-e-ufpel-formam-quarta-turma-de-medicina-veterinaria-pelo-pronera\/","title":{"rendered":"Incra e UFPel formam quarta turma de Medicina Veterin\u00e1ria pelo Pronera"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>A formatura da quarta turma especial de Medicina Veterin\u00e1ria promovida pelo Incra \u2013 via Programa Nacional de Educa\u00e7\u00e3o na Reforma Agr\u00e1ria (Pronera) &#8211; em alian\u00e7a com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), ocorre nesta ter\u00e7a-feira (15)<\/em><\/h3>\n<p>Ser\u00e1 a primeira cola\u00e7\u00e3o de grau conjunta do curso \u2013 com 46 formandos do programa e 23 das demais formas de ingresso. A cerim\u00f4nia est\u00e1 marcada para as 17 horas, no audit\u00f3rio da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, no campus Cap\u00e3o do Le\u00e3o.<\/p>\n<p>O assegurador do Pronera no Incra\/RS, Walter Arag\u00e3o, destaca que a parceria com a UFPel conduziu 143 m\u00e9dicos veterin\u00e1rios ao mercado de trabalho em tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 um curso de abrang\u00eancia nacional pelo qual o Rio Grande do Sul tem dado apoio para a melhoria substantiva de cooperativas em todo o pa\u00eds. Muitas careciam, e carecem, de t\u00e9cnico para responder pelas agroind\u00fastrias e pela pecu\u00e1ria\u201d, observa. Segundo o servidor, as pr\u00f3ximas tarefas s\u00e3o concluir a quinta turma em 2026 e implantar a sexta no pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>Os atuais formandos s\u00e3o de 14 estados. Eles iniciaram a gradua\u00e7\u00e3o em 2018 seguindo a Pedagogia da Altern\u00e2ncia &#8211; metodologia adotada pelo Pronera, que divide a forma\u00e7\u00e3o entre tempo escola e tempo comunidade no sentido de facilitar a combina\u00e7\u00e3o entre afazeres acad\u00eamicos e agr\u00edcolas. \u201cEm 2020, o per\u00edodo presencial iniciou em uma semana e na outra a universidade fechou as portas por causa da Covid-19. Foram nove meses sem aulas e mais um ano remoto\u201d, lembra Luiz Filipe Schuch, coordenador do curso e paraninfo da turma.<\/p>\n<p>\u201cO maior desafio foi conciliar estudos com as demais atividades do cotidiano\u201d, afirma Welliton Saraiva Ferreira, do assentamento 1\u00ba de Mar\u00e7o, em S\u00e3o Jo\u00e3o do Araguaia (PA). Pai de uma menina de nove anos e titular de um lote de 29 hectares, onde cultiva frutas tropicais em sistema agroflorestal, o agricultor precisou exercitar a disciplina para cumprir os compromissos acad\u00eamicos.<\/p>\n<p>Segundo ele, alguns professores adaptaram os conte\u00fados com criatividade. Na cadeira de Economia Rural, por exemplo, o trabalho final exigiu levantamento sobre a estrutura produtiva do assentamento de cada educando, apresentada em formato de maquete. &#8220;Foi um jeito de dialogar com o nosso momento hist\u00f3rico\u201d, reflete o estudante.<\/p>\n<p>Conforme a integrante da comiss\u00e3o pedag\u00f3gica, C\u00e1tia Gon\u00e7alves, o programa de ensino encontrou resposta dos graduandos. \u201cA turma levou \u00e0 s\u00e9rio o desafio de \u201cningu\u00e9m soltar a m\u00e3o de ningu\u00e9m\u201d. Mantiveram a coletividade mesmo \u00e0 dist\u00e2ncia. Tiveram a preocupa\u00e7\u00e3o de que ningu\u00e9m desistisse ou rodasse\u201d, conta.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia para evitar desist\u00eancias englobou monitorias, grupos de estudo, trocas de informa\u00e7\u00e3o e coleguismo. Nesta l\u00f3gica, os estudantes mais avan\u00e7ados ajudavam os demais. Gon\u00e7alves destaca que o conjunto de pr\u00e1ticas faz parte da sistem\u00e1tica de aprendizado de movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-139715 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/formatura-veterinaria-rosemary.jpeg\" alt=\"\" width=\"664\" height=\"447\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/formatura-veterinaria-rosemary.jpeg 664w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/formatura-veterinaria-rosemary-300x202.jpeg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/formatura-veterinaria-rosemary-150x101.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 664px) 100vw, 664px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Lana, Olga e Pietro (da esquerda para direita) acompanharam a m\u00e3e, Rosemary, na gradua\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>\u201cEnquanto as turmas est\u00e3o vivendo o processo de forma\u00e7\u00e3o, a gente vai percebendo a import\u00e2ncia do m\u00e9todo, de refor\u00e7ar a coletividade e lembrar que juntos eles v\u00e3o conseguir (alcan\u00e7ar os objetivos) no estudo, no trabalho, no projeto produtivo que estamos desenvolvendo. Esta turma se forma, assim como outras, porque existe intencionalidade no m\u00e9todo e eles foram muito dispostos considera\u201d, considera.<\/p>\n<p>Rosemary Dias, do assentamento Companheira Roseli Nunes, em Amapor\u00e3 (PR), refor\u00e7a esta percep\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s a pandemia, a agricultora precisou deixar o lote aos cuidados do pai, Jos\u00e9, para morar em uma casa pr\u00f3xima \u00e0 UFPel com os tr\u00eas filhos menores de idade. \u201c\u00c9 dif\u00edcil estudar por v\u00eddeo chamada uma coisa que muitas vezes \u00e9 pr\u00e1tica. A idade tamb\u00e9m foi um desafio porque fazia tempo que sa\u00ed do ensino m\u00e9dio. Mas tive bastante incentivo do movimento (MST), da coordena\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica e dos colegas. Meu grupo de estudos foi maravilhoso. Tiveram paci\u00eancia comigo e consegui\u201d, comemora.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Processo formativo<\/strong><\/h4>\n<p>Mesmo cumprindo calend\u00e1rio adaptado \u00e0 sazonalidade rural, os estudantes do Pronera seguem a grade curricular normal de Medicina Veterin\u00e1ria. No caso da Turma Especial IV a forma\u00e7\u00e3o foi fortalecida por pesquisas, estudos e viagens, como \u00e0 Universidade Nacional de Ros\u00e1rio (na Argentina). A maior parte dos est\u00e1gios de conclus\u00e3o do grupo abordou a bovinocultura de leite e alguns educandos foram confirmados nos empregos.<\/p>\n<p>Laura Carolina Cristofoli M\u00fcller \u00e9 uma das contratadas. Filha de agricultores do assentamento S\u00e3o Joaquim, em Santana do Livramento (RS), ela j\u00e1 come\u00e7ou a prestar servi\u00e7os \u00e0 Cooperativa Regional dos Assentados da Fronteira Oeste (Cooperforte). \u201cEstou na parte administrativa enquanto espero o diploma. Mas vou trabalhar no entreposto de recebimento de leite depois que estiver regularizada\u201d, comemora.<\/p>\n<p>M\u00fcller estagiou por tr\u00eas meses na Universidade da Rep\u00fablica do Uruguai (Udelar). \u201cFoi intenso e desafiador, quando cheguei. N\u00e3o conseguia me comunicar por causa do idioma\u201d, revela. No pa\u00eds vizinho, aprendeu espanhol e internalizou uma nova l\u00f3gica profissional. \u201c\u00c9 uma forma diferente, com mais calma e serenidade. \u00a0Eles te colocam para fazer as coisas e t\u00eam paci\u00eancia de explicar\u201d. \u00a0Entre as experi\u00eancias marcantes, est\u00e1 o atendimento a pequenos animais em duas cl\u00ednicas na periferia de Montevideo, onde ajudou a combater zoonoses, que afetavam principalmente crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Focada na carreira acad\u00eamica quando entrou na universidade, a educanda foi seduzida pela atua\u00e7\u00e3o junto \u00e0s fam\u00edlias. \u201cFui moldando meu car\u00e1ter durante o processo. A turma formou um esp\u00edrito coletivo muito forte pela conviv\u00eancia e pelas dificuldades\u201d.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o comente, Laura foi uma das estudantes que auxiliaram os colegas. \u00a0Para ela, a maior li\u00e7\u00e3o nesta trajet\u00f3ria foi escutar os outros e aceitar necessidades divergentes. &#8220;Vai me ajudar muito a deixar (os agricultores) expressarem o que est\u00e3o sentindo e construirmos juntos a solu\u00e7\u00e3o&#8221;, programa.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Projeto<\/strong><\/h4>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-139714 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/veterinario-mst-incra-jaime.jpeg\" alt=\"\" width=\"666\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/veterinario-mst-incra-jaime.jpeg 750w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/veterinario-mst-incra-jaime-300x225.jpeg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/veterinario-mst-incra-jaime-150x113.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 666px) 100vw, 666px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jaime Carvalho defende a Medicina Veterin\u00e1ria baseada na agroecologia e na organiza\u00e7\u00e3o social<\/em><\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de emprego fixo, Jaime Roque Monteiro Carvalho utiliza os conhecimentos adquiridos na universidade para criar o pr\u00f3prio trabalho no lote da m\u00e3e, no assentamento Dezenove de Setembro, em Gua\u00edba (RS).<\/p>\n<p>Ele escolheu a Medicina Veterin\u00e1ria por inclina\u00e7\u00e3o pessoal e vontade de superar os gargalos da produ\u00e7\u00e3o animal nos assentamentos. \u201cA maioria dos animais n\u00e3o t\u00eam valor agregado para pagar o servi\u00e7o de um profissional para fazer ces\u00e1rea, por exemplo. Sem contar as dificuldades ligadas \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria\u201d, relata. O est\u00e1gio final junto ao N\u00facleo de Suporte \u00e0 Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica da Superintend\u00eancia do Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria no Rio Grande do Sul, foi uma decorr\u00eancia da agroecologia praticada por sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A primeira incumb\u00eancia do estagi\u00e1rio foi estudar a legisla\u00e7\u00e3o e auxiliar os servidores do setor a responderem d\u00favidas sobre agricultura org\u00e2nica enviadas pelo p\u00fablico. Um m\u00eas depois, em maio, o Rio Grande do Sul foi assolado por uma enchente e o estudante passou a filtrar e organizar dados para a\u00e7\u00f5es de apoio aos agricultores. \u201cConheci os principais produtores, o mercado e toda a estrutura p\u00fablica do setor\u201d, relata.<\/p>\n<p>De volta do assentamento, Carvalho cultiva hortali\u00e7as, mant\u00e9m cria\u00e7\u00f5es e planeja um empreendimento coletivo. Enquanto articula a proposta, ele orienta os vizinhos sobre a import\u00e2ncia do aprimoramento gen\u00e9tico e cl\u00ednica animal. Sugere combater parasitas com folhas de bananeira, alho, hortel\u00e3 e manejo do ambiente, no lugar dos rem\u00e9dios comprados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o formando defende a produ\u00e7\u00e3o animal artesanal e pecu\u00e1ria camponesa. Esses conceitos transmitem \u201ca valoriza\u00e7\u00e3o da cultura, forma de vida e meio ambiente em contraponto ao lucro simples\u201d sinaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A formatura da quarta turma especial de Medicina Veterin\u00e1ria promovida pelo Incra \u2013 via Programa Nacional de Educa\u00e7\u00e3o na Reforma Agr\u00e1ria (Pronera) &#8211; em alian\u00e7a com a Universidade Federal de<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":139717,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,30],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139713"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=139713"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139713\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":139718,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139713\/revisions\/139718"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/139717"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=139713"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=139713"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=139713"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}