{"id":142678,"date":"2025-03-07T00:26:19","date_gmt":"2025-03-07T03:26:19","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=142678"},"modified":"2025-03-06T16:29:07","modified_gmt":"2025-03-06T19:29:07","slug":"coluna-de-cinema-edicao-22","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/coluna-de-cinema-edicao-22\/","title":{"rendered":"Coluna de Cinema \u2013 Edi\u00e7\u00e3o 22"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>O Macaco: brinquedo assassino<\/em><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-142680 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-o-macaco-2.png\" alt=\"\" width=\"674\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-o-macaco-2.png 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-o-macaco-2-300x150.png 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-o-macaco-2-150x75.png 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-o-macaco-2-768x384.png 768w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/p>\n<p>Adaptado de um conto de Stephen King, <strong><em>O Macaco<\/em><\/strong> (<em>The Monkey<\/em>), com dire\u00e7\u00e3o de Osgood Perkins (do recente <em>Longlegs<\/em>), \u00e9 uma experi\u00eancia cinematogr\u00e1fica que mergulha o espectador em uma narrativa que oscila entre o horror visceral, o humor negro e uma reflex\u00e3o sobre a morte e o trauma herdado. Perkins constr\u00f3i uma montanha-russa emocional, capaz de provocar risos, choques e sim, uma divers\u00e3o insana.<\/p>\n<p>A cena de abertura j\u00e1 \u00e9 um exemplo da forma como o filme pretende estabelecer sua atmosfera. Um piloto de avi\u00e3o s\u00e9rio e confi\u00e1vel, introduz a amea\u00e7a do macaco com uma tens\u00e3o genu\u00edna. A sequ\u00eancia \u00e9 eletrizante: algu\u00e9m \u00e9 morto e o piloto se envolve em uma batalha feroz com o brinquedo amaldi\u00e7oado, gritando na noite enquanto o macaco revela sua natureza maligna. Essa introdu\u00e7\u00e3o, repleta de energia bizarra, prepara o terreno para o que est\u00e1 por vir, deixando o espectador com o queixo no ch\u00e3o antes mesmo do t\u00edtulo aparecer na tela.<\/p>\n<p>Quando a hist\u00f3ria avan\u00e7a para a Nova Inglaterra dos anos 1990, o macaco ressurge, desta vez para assombrar os filhos g\u00eameos do piloto, Hal e Bill Shelburn, interpretados por Theo James em um duplo papel. Aqui, o filme explora o fino v\u00e9u entre a vida e a morte, usando o brinquedo como uma met\u00e1fora para o trauma familiar. Hal e Bill representam duas formas distintas de lidar com a perda e o medo: Hal, mais introspectivo e fechado, luta para se conectar com seu filho Petey (Colin O&#8217;Brien), enquanto Bill \u00e9 o irm\u00e3o mais extravagante e ca\u00f3tico, cuja paranoia e desenvolvimento interrompido s\u00e3o retratados com uma dose de humor negro. A escolha de figurino de Bill, inspirada no Superman, \u00e9 um toque genial que adiciona camadas ao personagem, ao mesmo tempo que provoca risos e refor\u00e7a a fragilidade humana diante da morte.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-142679 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-o-macaco.jpg\" alt=\"\" width=\"670\" height=\"385\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-o-macaco.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-o-macaco-300x173.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-o-macaco-150x86.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-o-macaco-768x442.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 670px) 100vw, 670px\" \/><\/p>\n<p>No entanto, o filme n\u00e3o \u00e9 imune a trope\u00e7os. A transi\u00e7\u00e3o para o foco nos irm\u00e3os Shelburn \u00e9 um pouco abrupta, e nenhum dos dois personagens \u00e9 apropriadamente desenvolvido. Eles funcionam mais como arqu\u00e9tipos \u2014 Hal como a representa\u00e7\u00e3o da luta interna e Bill como o caos externo \u2014, o que pode deixar o espectador desejando uma explora\u00e7\u00e3o mais rica de suas motiva\u00e7\u00f5es. Ainda assim, Theo James entrega performances s\u00f3lidas, trazendo vulnerabilidade e charme aos pap\u00e9is, o que mant\u00e9m o p\u00fablico investido na jornada dos irm\u00e3os para deter o macaco.<\/p>\n<p>Um dos aspectos mais interessantes de <em>O Macaco<\/em> \u00e9 sua abordagem ao tema do trauma herdado. O filme vai al\u00e9m das cicatrizes emocionais, transformando o trauma em uma for\u00e7a sobrenatural tang\u00edvel, personificada pelo macaco. O brinquedo n\u00e3o \u00e9 apenas um objeto amaldi\u00e7oado, mas um s\u00edmbolo do legado sombrio deixado pelo pai de Hal e Bill, que abandonou a fam\u00edlia e, de certa forma, passou adiante o fardo do medo e da morte. Essa conex\u00e3o entre gera\u00e7\u00f5es \u00e9 refor\u00e7ada pela rela\u00e7\u00e3o de Hal com seu filho Petey, criando uma cadeia traum\u00e1tica de cust\u00f3dia que questiona como o mal se perpetua atrav\u00e9s das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>O diretor Osgood Perkins demonstra habilidade ao equilibrar os elementos de terror com uma narrativa emocionalmente carregada. Ele entende as necessidades centrais da hist\u00f3ria e extrai seus temas de maneira eficaz, sem perder de vista o entretenimento. O macaco, como antagonista, \u00e9 ao mesmo tempo assustador e fascinante, um instrumento de destrui\u00e7\u00e3o que desafia os personagens a confrontarem seus medos mais profundos. A trilha sonora e a fotografia sombria complementam a atmosfera opressiva, enquanto as cenas de viol\u00eancia s\u00e3o coreografadas com um impacto visceral que n\u00e3o deixa espa\u00e7o para indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p><em><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-139295 alignright\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg\" alt=\"\" width=\"189\" height=\"246\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg 298w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-230x300.jpg 230w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-115x150.jpg 115w\" sizes=\"(max-width: 189px) 100vw, 189px\" \/>O Macaco<\/em> pode ser considerada uma adapta\u00e7\u00e3o bem sucedida do conto de Stephen King, que n\u00e3o costuma ser muito feliz nas adapta\u00e7\u00f5es de suas obras. O filme se destaca pela atmosfera claustrof\u00f3bica e sombria, que amplificam a tens\u00e3o. A dire\u00e7\u00e3o consegue criar cenas perturbadoras, embora se renda a algumas conven\u00e7\u00f5es e clich\u00eas do g\u00eanero. O elenco entrega performances s\u00f3lidas, mas o roteiro peca por desenvolvimentos previs\u00edveis e explica\u00e7\u00f5es excessivas, que diminuem o impacto do mist\u00e9rio, problemas que Osgood Perkins j\u00e1 havia apresentado no seu filme anterior, o j\u00e1 citado <em>Longlegs<\/em>. A trilha sonora, no entanto, \u00e9 um ponto alto, elevando os momentos de suspense. No geral, <em>O Macaco<\/em> \u00e9 uma experi\u00eancia prazerosa para os f\u00e3s de terror, mas que poderia ter encontrado maior relev\u00e2ncia caso houvesse explorado com mais profundidade sua premissa original.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Jorge Ghiorzi<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>jghiorzi@gmail.com<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Macaco: brinquedo assassino Adaptado de um conto de Stephen King, O Macaco (The Monkey), com dire\u00e7\u00e3o de Osgood Perkins (do recente Longlegs), \u00e9 uma experi\u00eancia cinematogr\u00e1fica que mergulha o<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":139279,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142678"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=142678"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142678\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":142681,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142678\/revisions\/142681"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/139279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=142678"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=142678"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=142678"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}