{"id":143055,"date":"2025-03-21T15:50:05","date_gmt":"2025-03-21T18:50:05","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=143055"},"modified":"2025-03-21T15:50:05","modified_gmt":"2025-03-21T18:50:05","slug":"coluna-de-cinema-edicao-24","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/coluna-de-cinema-edicao-24\/","title":{"rendered":"Coluna de Cinema \u2013 Edi\u00e7\u00e3o 24"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Mickey 17: futuro sombrio<\/em><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-143057 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-mickey17.jpg\" alt=\"\" width=\"670\" height=\"352\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-mickey17.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-mickey17-300x158.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-mickey17-150x79.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-mickey17-768x403.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 670px) 100vw, 670px\" \/><\/p>\n<p>Bong Joon-ho, o aclamado cineasta sul-coreano que conquistou o mundo com <em>Parasita<\/em> (2019), filme vencedor do Oscar de Melhor Filme e Melhor Diretor, \u00e9 conhecido por sua capacidade de mesclar g\u00eaneros e criticar de forma incisiva as estruturas sociais e pol\u00edticas. Seus filmes, como <em>O Hospedeiro<\/em> (2006), <em>Expresso do Amanh\u00e3<\/em> (2013) e <em>Okja<\/em> (2015), s\u00e3o marcados por uma vis\u00e3o pessimista e sat\u00edrica da humanidade, frequentemente explorando temas como desigualdade, explora\u00e7\u00e3o e o colapso moral sob o capitalismo. Com <strong><em>Mickey 17<\/em><\/strong> Bong retorna ao territ\u00f3rio da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, adaptando o romance \u201c<em>Mickey7<\/em>\u201d (2022) de Edward Ashton. No entanto, embora o filme mantenha elementos da assinatura do diretor, ele luta para equilibrar suas ambi\u00e7\u00f5es narrativas e tem\u00e1ticas.<\/p>\n<p><em>Mickey 17<\/em> se passa em um futuro sombrio, onde a humanidade busca colonizar planetas distantes para escapar de uma Terra em colapso. O protagonista, Mickey (Robert Pattinson), \u00e9 um &#8220;recrut\u00e1vel&#8221;, um indiv\u00edduo descart\u00e1vel cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 realizar tarefas perigosas em uma col\u00f4nia alien\u00edgena. Gra\u00e7as a uma tecnologia de clonagem, cada vez que Mickey morre, uma nova vers\u00e3o \u00e9 criada com suas mem\u00f3rias intactas. No entanto, quando Mickey 17 descobre que seu predecessor, Mickey 16, ainda est\u00e1 vivo, ele se v\u00ea em uma crise existencial e moral, questionando o valor da vida humana em um sistema que trata indiv\u00edduos como pe\u00e7as substitu\u00edveis.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-143056 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-mickey.jpg\" alt=\"\" width=\"663\" height=\"398\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-mickey.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-mickey-300x180.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-mickey-150x90.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/filme-mickey-768x461.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 663px) 100vw, 663px\" \/><\/p>\n<p>A mudan\u00e7a na data de lan\u00e7amento de <em>Mickey 17<\/em>, inicialmente prevista para mar\u00e7o de 2024, gerou especula\u00e7\u00f5es sobre poss\u00edveis problemas na produ\u00e7\u00e3o. Embora o filme n\u00e3o atinja o n\u00edvel elevado de <em>Parasita<\/em>, ele ainda \u00e9 uma experi\u00eancia divertida e visualmente impressionante. No entanto, suas ambi\u00e7\u00f5es frequentemente se chocam, resultando em um filme que, embora tenha momentos brilhantes, n\u00e3o consegue sustentar seu impacto inicial.<\/p>\n<p>O design de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos pontos altos do filme. As cenas na Terra, particularmente no pr\u00e9dio de recrutamento do projeto de coloniza\u00e7\u00e3o, evocam a est\u00e9tica cl\u00e1ssica de <em>Metropolis<\/em> (1927), de Fritz Lang, com sua arquitetura grandiosa e opressiva. Esses visuais ajudam a estabelecer o tom de uma sociedade desumanizada, onde o indiv\u00edduo \u00e9 sacrificado em prol do progresso coletivo.<\/p>\n<p>No entanto, o filme perde o foco quando tenta equilibrar suas m\u00faltiplas camadas tem\u00e1ticas. A s\u00e1tira pol\u00edtica, a cr\u00edtica \u00e0 mentalidade de culto e a alegoria sobre coloniza\u00e7\u00e3o s\u00e3o apresentadas de forma t\u00e3o pesada que acabam sufocando a narrativa. Em vez de permitir que o espectador reflita sobre essas quest\u00f5es, o filme parece gritar suas mensagens, perdendo a sutileza que poderia torn\u00e1-las mais impactantes. A com\u00e9dia tr\u00e1gica sobre o valor da vida humana, que \u00e9 o cerne da hist\u00f3ria, acaba sendo ofuscada por subtramas desnecess\u00e1rias, como um tri\u00e2ngulo amoroso, conflitos com agiotas e amizades rompidas. Esses elementos, embora interessantes, distraem do n\u00facleo emocional e filos\u00f3fico do filme.<\/p>\n<p>Bong Joon-ho \u00e9 um cineasta vision\u00e1rio, e h\u00e1 momentos em <em>Mickey 17<\/em> que lembram por que ele \u00e9 t\u00e3o reverenciado. Sua vis\u00e3o pessimista do futuro da humanidade est\u00e1 presente, assim como sua habilidade de criar piadas amargas e situa\u00e7\u00f5es absurdas que refletem a absurdidade do mundo real. No entanto, o enredo excessiva e desnecessariamente intrincado e a falta de foco impedem que o filme atinja todo o seu potencial. Em vez de uma declara\u00e7\u00e3o forte sobre o valor da vida ou os perigos do capitalismo desenfreado, <em>Mickey 17<\/em> acaba sendo uma s\u00e1tira suave, que n\u00e3o \u00e9 suficientemente engra\u00e7ada, comovente ou afiada como desejava ser.<\/p>\n<p><em><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-139295 alignright\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg\" alt=\"\" width=\"153\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg 298w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-230x300.jpg 230w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-115x150.jpg 115w\" sizes=\"(max-width: 153px) 100vw, 153px\" \/>Mickey 17<\/em> \u00e9 um filme que promete muito, mas entrega apenas parcialmente. Embora tenha momentos de brilhantismo visual e narrativo, ele n\u00e3o consegue equilibrar suas m\u00faltiplas ambi\u00e7\u00f5es. Para os f\u00e3s de Bong Joon-ho, o filme oferece uma vis\u00e3o fascinante de seu universo dist\u00f3pico, mas n\u00e3o alcan\u00e7a a profundidade e o impacto de seus trabalhos anteriores. Apesar de apresentar diversos m\u00e9ritos em suas partes, na soma final <em>Mickey 17<\/em> deixa a sensa\u00e7\u00e3o de que poderia ter sido muito mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Jorge Ghiorzi<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>jghiorzi@gmail.com<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mickey 17: futuro sombrio Bong Joon-ho, o aclamado cineasta sul-coreano que conquistou o mundo com Parasita (2019), filme vencedor do Oscar de Melhor Filme e Melhor Diretor, \u00e9 conhecido por<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":139279,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143055"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=143055"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143055\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":143058,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143055\/revisions\/143058"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/139279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=143055"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=143055"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=143055"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}