{"id":143404,"date":"2025-04-04T00:22:54","date_gmt":"2025-04-04T03:22:54","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=143404"},"modified":"2025-04-03T16:25:52","modified_gmt":"2025-04-03T19:25:52","slug":"coluna-de-cinema-edicao-26","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/coluna-de-cinema-edicao-26\/","title":{"rendered":"Coluna de Cinema \u2013 Edi\u00e7\u00e3o 26"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Presen\u00e7a: esp\u00edrito voyeur<\/em><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-143405 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-presenca.png\" alt=\"\" width=\"668\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-presenca.png 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-presenca-300x157.png 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-presenca-150x79.png 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-presenca-768x402.png 768w\" sizes=\"(max-width: 668px) 100vw, 668px\" \/><\/p>\n<p>O diretor Steven Soderbergh surgiu no cinema com o explosivo e pol\u00eamico (\u00e0 \u00e9poca) <em>Sexo, Mentiras e Videotape<\/em> (1989), um marco do cinema independente que lhe rendeu aclama\u00e7\u00e3o precoce. Desde ent\u00e3o, construiu uma carreira err\u00e1tica, alternando entre projetos autorais e obras de entretenimento \u2014 sempre com tra\u00e7os de intelig\u00eancia acima da m\u00e9dia, mas sem consolidar uma assinatura autoral definitiva. Sua marca, se \u00e9 que existe alguma a ser destacada, \u00e9 a versatilidade: um cineasta prol\u00edfico que transita entre muitos g\u00eaneros, do thriller ao drama, do experimental \u00e0 com\u00e9dia, da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ao policial. Em pouco mais de 40 anos de carreira, Soderbergh j\u00e1 dirigiu mais de 50 filmes, dividindo sua produ\u00e7\u00e3o entre cinema e TV Neste ano de 2025 j\u00e1 estreou no Brasil seu drama de espionagem <em>C\u00f3digo Preto<\/em>. Agora, poucas semanas depois, Steven Soderbergh, volta aos cinemas com mais um lan\u00e7amento: o thriller de horror <strong><em>Presen\u00e7a<\/em><\/strong>. Nestes dois trabalhos o diretor repete um de seus v\u00edcios mais frequentes: o excesso de estilo em detrimento da subst\u00e2ncia narrativa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-143406 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-presenca2.jpg\" alt=\"\" width=\"675\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-presenca2.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-presenca2-300x200.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-presenca2-150x100.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-presenca2-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 675px) 100vw, 675px\" \/><\/p>\n<p>O filme se apoia em uma hist\u00f3ria em primeira pessoa, onde a c\u00e2mera assume o papel de um esp\u00edrito aprisionado em uma casa vazia. A movimenta\u00e7\u00e3o peculiar do equipamento n\u00e3o \u00e9 mero exibicionismo t\u00e9cnico, mas um recurso narrativo que busca fluidez e a ilus\u00e3o de tempo real \u2014 artif\u00edcio para expressar a percep\u00e7\u00e3o da verdadeira protagonista (uma entidade sobrenatural). Diferente de filmes que simulam a aus\u00eancia do invis\u00edvel, <em>Presen\u00e7a<\/em> o torna expl\u00edcito, quase tang\u00edvel, guiando a a\u00e7\u00e3o como um voyeur ativo. O clima remete a <em>Poltergeist<\/em>, mas oscila entre o f\u00edsico e o metaf\u00edsico, sem mergulhar profundamente em nenhum dos lados.<\/p>\n<p>A trama tamb\u00e9m esbo\u00e7a uma cr\u00edtica ao descompasso entre pais e filhos em um mundo hiperdigitalizado, tema relevante, por\u00e9m tratado de forma superficial. Como em grande parte da filmografia de Soderbergh, h\u00e1 ideias interessantes, mas executadas com frieza emocional. Os planos-sequ\u00eancia \u2014 embora eficazes para imers\u00e3o \u2014 tornam-se repetitivos, e a narrativa perde for\u00e7a por conta de uma trama que n\u00e3o consegue sustentar a curiosidade inicial.<\/p>\n<p><em><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-139295 alignright\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg\" alt=\"\" width=\"151\" height=\"197\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg 298w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-230x300.jpg 230w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-115x150.jpg 115w\" sizes=\"(max-width: 151px) 100vw, 151px\" \/>Presen\u00e7a<\/em> \u00e9 um filme mediano que n\u00e3o oferece uma efetiva experi\u00eancia significativa, seja como horror ou seja como suspense. A premissa, que empolga nos primeiros momentos, logo se torna redundante, repetitiva e perde seu apelo. Falta consist\u00eancia na trama e envolvimento emocional para sustentar o interesse. Apesar da t\u00e9cnica precisa e da proposta conceitual v\u00e1lida, a experi\u00eancia n\u00e3o empolga: falta tens\u00e3o genu\u00edna, desenvolvimento de personagens e um cl\u00edmax satisfat\u00f3rio. Soderbergh mais uma vez demonstra habilidade como artes\u00e3o, mas falha em entregar algo al\u00e9m de um exerc\u00edcio estil\u00edstico vazio. O espectador fica com a sensa\u00e7\u00e3o de ter assistido a um experimento formal interessante, por\u00e9m esquec\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Jorge Ghiorzi<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>jghiorzi@gmail.com<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presen\u00e7a: esp\u00edrito voyeur O diretor Steven Soderbergh surgiu no cinema com o explosivo e pol\u00eamico (\u00e0 \u00e9poca) Sexo, Mentiras e Videotape (1989), um marco do cinema independente que lhe rendeu<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":139279,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143404"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=143404"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143404\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":143407,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143404\/revisions\/143407"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/139279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=143404"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=143404"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=143404"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}