{"id":143568,"date":"2025-04-11T00:50:08","date_gmt":"2025-04-11T03:50:08","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=143568"},"modified":"2025-04-10T09:52:23","modified_gmt":"2025-04-10T12:52:23","slug":"coluna-de-cinema-edicao-27","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/coluna-de-cinema-edicao-27\/","title":{"rendered":"Coluna de Cinema \u2013 Edi\u00e7\u00e3o 27"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Opera\u00e7\u00e3o Vingan\u00e7a: menos m\u00fasculos, mais c\u00e9rebro<\/em><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-143569 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-operacao-vinganca.png\" alt=\"\" width=\"674\" height=\"379\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-operacao-vinganca.png 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-operacao-vinganca-300x169.png 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-operacao-vinganca-150x84.png 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-operacao-vinganca-768x432.png 768w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/p>\n<p>O filme de vingan\u00e7a \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o consolidada no cinema, especialmente nos EUA. Desde <em>Joe \u2013 Das Drogas \u00e0 Morte<\/em> (1970), em que um trabalhador da constru\u00e7\u00e3o civil (Peter Boyle) declara guerra a uma comunidade hippie, at\u00e9 cl\u00e1ssicos como <em>Desejo de Matar<\/em> (1974), com Charles Bronson no papel ic\u00f4nico que definiria sua carreira, esses filmes compartilham uma mesma g\u00eanese: homens que, literal ou simbolicamente, &#8220;pegam em armas&#8221; para enfrentar injusti\u00e7as ou um Sistema opressor. Esse subg\u00eanero n\u00e3o apenas cativou plateias, mas tamb\u00e9m ajudou a pavimentar o caminho para a revolu\u00e7\u00e3o conservadora no cora\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XX, esses filmes tinham um poder singular \u2014 uma catarse coletiva que mesclava justi\u00e7a popular com um toque de subvers\u00e3o, pois o protagonista, mesmo agindo acima da lei, ainda parecia moralmente justificado. No entanto, em pleno s\u00e9culo XXI, em um mundo digitalizado e dominado por efeitos visuais, produ\u00e7\u00f5es como <strong><em>Opera\u00e7\u00e3o Vingan\u00e7a<\/em><\/strong> (The amateur, 2025) perdem parte dessa crueza impactante. O apelo tecnol\u00f3gico substitui o sangue e o suor, resultando em um entretenimento r\u00e1pido, f\u00e1cil e quase indolor \u2014 como um videogame.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-143570 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-operacao-vinganca.jpg\" alt=\"\" width=\"674\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-operacao-vinganca.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-operacao-vinganca-300x200.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-operacao-vinganca-150x100.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-operacao-vinganca-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/p>\n<p>Dirigido por James Hawes (com larga experi\u00eancia em s\u00e9ries para a TV e streaming), o filme apresenta Rami Malek como Charles Heller, um analista de intelig\u00eancia da CIA cuja vida desmorona quando sua esposa \u00e9 assassinada por terroristas em Londres. Frustrado pela lentid\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o e desconfiado de um encobrimento, Heller chantageia seus superiores \u2014 incluindo o coronel Henderson (Laurence Fishburne) \u2014 para que o treinem como assassino, permitindo que ele mesmo fa\u00e7a justi\u00e7a. Baseado no best-seller de Robert Littell (j\u00e1 adaptado antes em 1981, com o mesmo t\u00edtulo e John Savage no papel principal), o filme oscila entre um thriller de espionagem tradicional e um drama de vingan\u00e7a pessoal.<\/p>\n<p>Diferente dos justiceiros cl\u00e1ssicos, o Charlie interpretado por Rami Malek n\u00e3o \u00e9 um homem de a\u00e7\u00e3o brutamontes. Sua arma principal \u00e9 o intelecto: ele \u00e9 um estrategista meticuloso, cujo conhecimento t\u00e9cnico compensa sua falta de habilidade com armas. O roteiro evita transform\u00e1-lo em um Jason Bourne \u2014 ele n\u00e3o atira com precis\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 um combatente nato, mas aprende sob press\u00e3o e necessidade. Essa caracter\u00edstica o torna um protagonista mais interessante, ainda que o filme n\u00e3o explore todo seu potencial dram\u00e1tico.<\/p>\n<p>Rami Malek, em seu terceiro thriller de a\u00e7\u00e3o e suspense desde o sucesso em <em>Bohemian Rhapsody<\/em> (os outros foram <em>Os Pequenos Vest\u00edgios<\/em>, 2021; <em>007 \u2013 Sem Tempo Para Morrer<\/em>, 2021 e <em>Amsterdam<\/em>, 2022), \u00e9 a escolha perfeita para o papel. Seus olhos penetrantes e presen\u00e7a introspectiva transmitem a ang\u00fastia de um geek obrigado a sair da zona de conforto, tornando-o um her\u00f3i improv\u00e1vel, mas f\u00e1cil de torcer. <em>Opera\u00e7\u00e3o Vingan\u00e7a<\/em> tem momentos genuinamente divertidos, especialmente quando explora a ast\u00facia de Charlie em situa\u00e7\u00f5es de risco. No entanto, no conjunto, o filme deixa uma sensa\u00e7\u00e3o de superficialidade. A conclus\u00e3o, em particular, \u00e9 pouco satisfat\u00f3ria, como se o roteiro hesitasse entre um desfecho emocionalmente impactante e um final convencional de &#8220;miss\u00e3o cumprida&#8221;.<\/p>\n<p>Para o p\u00fablico nost\u00e1lgico dos thrillers de espionagem dos anos 1990, o filme cumpre sua promessa \u2014 ainda que sem brilho excessivo. \u00c9 uma obra competente dentro de seu g\u00eanero, mas que, como seu protagonista, parece mais interessada em seguir um roteiro pr\u00e9-estabelecido do que em surpreender. <em>Opera\u00e7\u00e3o Vingan\u00e7a<\/em> \u00e9, no fim das contas, um produto ambivalente: honra a tradi\u00e7\u00e3o dos filmes de vingan\u00e7a com seu protagonista cerebral e um plot que privilegia a estrat\u00e9gia sobre a for\u00e7a bruta, mas falha em transcender as limita\u00e7\u00f5es do g\u00eanero no s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-139295 alignright\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg\" alt=\"\" width=\"148\" height=\"193\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg 298w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-230x300.jpg 230w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-115x150.jpg 115w\" sizes=\"(max-width: 148px) 100vw, 148px\" \/>Apesar da performance convincente de Malek e de cenas pontuais que capturam a tens\u00e3o cl\u00e1ssica dos thrillers de espionagem, o filme sucumbe \u00e0 superficialidade do entretenimento descart\u00e1vel \u2014 um <em>fast-food<\/em> cinematogr\u00e1fico que sacia o desejo por a\u00e7\u00e3o imediata, mas deixa muito pouco para o espectador ap\u00f3s os cr\u00e9ditos finais. Seu maior legado, talvez, seja lembrar que, em uma era de justi\u00e7as algor\u00edtmicas e guerras invis\u00edveis, a vingan\u00e7a j\u00e1 n\u00e3o cabe em um simples ato de viol\u00eancia, mas exige perguntas mais complexas que este filme, infelizmente, n\u00e3o se atreve a fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Jorge Ghiorzi<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>jghiorzi@gmail.com<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opera\u00e7\u00e3o Vingan\u00e7a: menos m\u00fasculos, mais c\u00e9rebro O filme de vingan\u00e7a \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o consolidada no cinema, especialmente nos EUA. 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