{"id":143950,"date":"2025-04-25T04:45:21","date_gmt":"2025-04-25T07:45:21","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=143950"},"modified":"2025-04-24T14:48:32","modified_gmt":"2025-04-24T17:48:32","slug":"coluna-de-cinema-edicao-29","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/coluna-de-cinema-edicao-29\/","title":{"rendered":"Coluna de Cinema \u2013 Edi\u00e7\u00e3o 29"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Until Dawn \u2013 Noite de Terror: jogo de vida ou morte<\/em><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-143952 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-noite-de-terror1.jpg\" alt=\"\" width=\"668\" height=\"376\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-noite-de-terror1.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-noite-de-terror1-300x169.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-noite-de-terror1-150x84.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-noite-de-terror1-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 668px) 100vw, 668px\" \/><\/p>\n<p>Um dilema comum enfrentado por adapta\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas de videogames \u00e9 como cativar n\u00e3o apenas os f\u00e3s do jogo original, mas tamb\u00e9m o p\u00fablico leigo. Diferentemente das adapta\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias, filmes baseados em jogos carregam um imagin\u00e1rio visual j\u00e1 consolidado \u2014 cen\u00e1rios, personagens e mec\u00e2nicas de narrativa interativa que definem sua ess\u00eancia. O grande desafio, portanto, \u00e9 reinventar esse universo sem trair suas ra\u00edzes. A adapta\u00e7\u00e3o <strong>\u201c<em>Until Dawn \u2013 Noite de Terror\u201d<\/em><\/strong> consegue escapar parcialmente dessa armadilha ao abra\u00e7ar seu tom autoir\u00f4nico, optando pela divers\u00e3o em vez do rigor narrativo. O resultado \u00e9 um filme que, embora n\u00e3o ofere\u00e7a algo exatamente original, entrega exatamente o que o g\u00eanero promete: um massacre cheio de estilo.<\/p>\n<p>Um ano ap\u00f3s o desaparecimento misterioso de sua irm\u00e3 mais velha, Melanie (Maia Mitchell), a jovem Clover (Ella Rubin) decide reunir seus amigos \u2014 o c\u00e9tico Derek (Ji-young Yoo), a impulsiva June (Odessa A\u2019zion) e o inseguro Danny (Anthony Ramos) \u2014 para uma viagem at\u00e9 uma hospedagem nas montanhas. O local, cercado por florestas densas e lendas sobre assassinatos n\u00e3o resolvidos, guarda uma pista perturbadora: assinaturas repetidas de Melanie no livro de visitas, todas datadas ap\u00f3s seu sumi\u00e7o. O que come\u00e7a como uma investiga\u00e7\u00e3o descontra\u00edda logo se transforma em um pesadelo quando o grupo percebe que n\u00e3o est\u00e1 sozinho. Encurralados por for\u00e7as sobrenaturais e um assassino mascarado, os amigos precisam enfrentar n\u00e3o apenas o perigo iminente, mas tamb\u00e9m segredos do pr\u00f3prio passado \u2014 onde cada decis\u00e3o errada pode desencadear um destino pior que a morte.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-143951 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-noite-de-terror2.png\" alt=\"\" width=\"649\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-noite-de-terror2.png 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-noite-de-terror2-300x169.png 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-noite-de-terror2-150x85.png 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/filme-noite-de-terror2-768x433.png 768w\" sizes=\"(max-width: 649px) 100vw, 649px\" \/><\/p>\n<p>Inspirado no aclamado videogame \u201c<em>Until Dawn\u201d<\/em> (2015), o longa-metragem se passa no mesmo ambiente isolado e sombrio do jogo, mas expande a mitologia em torno do chamado &#8220;efeito borboleta&#8221; \u2014 conceito que gira em torno da ideia de que pequenas a\u00e7\u00f5es no presente determinam desfechos radicalmente diferentes no futuro. Essa premissa, que no jogo se traduzia em escolhas do jogador, no filme se transforma em uma sequ\u00eancia de reviravoltas calculadas, nem sempre sutis, mas eficazes para manter o espectador envolvido.<\/p>\n<p>Dirigido por David F. Sandberg (conhecido por \u201c<em>Shazam!\u201d<\/em>, 2019, e \u201c<em>Annabelle 2\u201d<\/em>, 2017), o filme acumula clich\u00eas do terror: vil\u00f5es brutais, personagens descart\u00e1veis e uma narrativa que n\u00e3o se afasta muito do arqu\u00e9tipo de &#8220;garotas em perigo&#8221;. Clover, como a t\u00edpica &#8220;final girl&#8221;, carrega o peso emocional da trama, enquanto os coadjuvantes preenchem os estere\u00f3tipos do g\u00eanero \u2014 desde o al\u00edvio c\u00f4mico at\u00e9 a v\u00edtima sacrificada.<\/p>\n<p>Como uma vers\u00e3o sanguinolenta de \u201c<em>Feiti\u00e7o do Tempo\u201d<\/em> (aquele filme onde o personagem de Bill Murray fica preso em um eterno recome\u00e7o de um dia que se repete sem fim), o roteiro se diverte ao apresentar mortes criativas \u2014 e repetitivas \u2014 para o elenco. O filme n\u00e3o economiza em carnificina: facadas, explos\u00f5es e espancamentos se sucedem com um ritmo quase l\u00fadico, como se Sandberg estivesse brincando com os tipos do g\u00eanero. A viol\u00eancia excessiva, longe de ser gratuita, torna-se parte do charme, ainda que o humor negro nem sempre atinja o equil\u00edbrio ideal entre horror e com\u00e9dia.<\/p>\n<p><em><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-139295 alignright\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg\" alt=\"\" width=\"206\" height=\"268\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg 298w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-230x300.jpg 230w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-115x150.jpg 115w\" sizes=\"(max-width: 206px) 100vw, 206px\" \/>\u201cUntil Dawn \u2013 Noite de Terror\u201d<\/em> funciona melhor quando joga com o desconhecido. A mitologia, ainda que pouco explorada, serve como pano de fundo para cenas de tens\u00e3o eficazes \u2014 como um <em>close-up<\/em> em uma fotografia antiga que, aos poucos, revela uma figura onde antes s\u00f3 havia vulto. O filme n\u00e3o precisa de monstros totalmente expostos; basta a promessa de que eles est\u00e3o l\u00e1, esperando. Esta adapta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma obra-prima do terror, mas tamb\u00e9m n\u00e3o pretende ser. Sua for\u00e7a est\u00e1 justamente em reconhecer suas limita\u00e7\u00f5es e apostar no entretenimento puro, sem pretens\u00f5es profundas. Embora recicle clich\u00eas e dependa de uma mitologia j\u00e1 conhecida dos jogadores, o filme compensa com um ritmo \u00e1gil e um elenco carism\u00e1tico o suficiente para tornar a jornada divertida. Para f\u00e3s do jogo, \u00e9 uma homenagem digna; para os novatos, um filme <em>slasher<\/em> competente que sabe brincar com as expectativas. No fim, cumpre seu papel: fazer o p\u00fablico rir, gritar e, quem sabe, conferir o jogo depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Jorge Ghiorzi<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>jghiorzi@gmail.com<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Until Dawn \u2013 Noite de Terror: jogo de vida ou morte Um dilema comum enfrentado por adapta\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas de videogames \u00e9 como cativar n\u00e3o apenas os f\u00e3s do jogo original,<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":139279,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143950"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=143950"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143950\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":143953,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143950\/revisions\/143953"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/139279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=143950"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=143950"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=143950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}