{"id":144673,"date":"2025-05-26T10:58:54","date_gmt":"2025-05-26T13:58:54","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=144673"},"modified":"2025-05-26T11:00:29","modified_gmt":"2025-05-26T14:00:29","slug":"municipio-luta-para-retomar-referencia-em-saude-mental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/municipio-luta-para-retomar-referencia-em-saude-mental\/","title":{"rendered":"Munic\u00edpio luta para retomar refer\u00eancia em sa\u00fade mental"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Atual gest\u00e3o trabalha para recuperar o patamar de atendimento que levou a cidade a ser reconhecida com o pr\u00eamio David Cap\u00edstrano, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, em 2001<\/em><\/h3>\n<p>Premiada nacionalmente em 2001 pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, durante a primeira gest\u00e3o do prefeito Fernando Marroni, por experi\u00eancias bem-sucedidas na \u00e1rea da sa\u00fade mental, Pelotas retoma na atual gest\u00e3o o desafio de recuperar o papel de destaque no setor. \u00c0 frente do processo, a coordenadora da Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (Raps) da Secretaria Municipal de Sa\u00fade (SMS), Luciane Kantorski, acredita no potencial do munic\u00edpio por uma sociedade sem manic\u00f4mios, cuja luta foi celebrada no dia 18 de maio, Dia Nacional da Luta Antimanicomial.<\/p>\n<p>Neste ano, a Prefeitura organizou duas agendas para marcar a data: a segunda edi\u00e7\u00e3o, das oito previstas, do Caps na Rua, dessa vez no Largo do Mercado Central; e a exposi\u00e7\u00e3o Pincelando Emo\u00e7\u00f5es, mostra de pinturas do usu\u00e1rios dos Caps (Centros de Atendimento Psicossocial) na sala Adail Bento Costa, no Casar\u00e3o Dois da pra\u00e7a Coronel Pedro Os\u00f3rio &#8211; sede da Secretaria de Cultura (Secult).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-144674 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/exposicao-caps.jpeg\" alt=\"\" width=\"651\" height=\"433\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/exposicao-caps.jpeg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/exposicao-caps-300x200.jpeg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/exposicao-caps-150x100.jpeg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/exposicao-caps-768x511.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 651px) 100vw, 651px\" \/><\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 fomos, no meu primeiro governo, reconhecidos pelo trabalho inovador que desenvolvemos, quando, pela primeira vez, o munic\u00edpio instituiu pol\u00edticas p\u00fablicas que devolveram autoestima aos usu\u00e1rios do servi\u00e7o de sa\u00fade mental\u201d, lembra o prefeito Fernando Marroni. Ele compartilha da cren\u00e7a de Luciane Kantorski na capacidade dos servi\u00e7os oferecidos pelo munic\u00edpio para qualificar o atendimento ps\u00edquico \u00e0 parcela da popula\u00e7\u00e3o que precisa desse suporte junto ao SUS. \u201cTemos profissionais qualificados, uma rede robusta, com oito Caps, seis deles abertos no nosso primeiro governo, acesso ao conhecimento, forma\u00e7\u00e3o e, principalmente, compromisso de governo com a reforma psiqui\u00e1trica\u201d, disse o chefe do Executivo.<\/p>\n<p>O pr\u00eamio David Capistrano do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em 2001 n\u00e3o foi o \u00fanico reconhecimento no processo de revers\u00e3o do modelo tradicional do atendimento psiqui\u00e1trico hospitalar. No ano seguinte, em 2002, a Prefeitura firmou conv\u00eanio com a Universidade de Turim (It\u00e1lia) para capacita\u00e7\u00e3o de recursos humanos e produ\u00e7\u00e3o de pesquisa na \u00e1rea da sa\u00fade mental.\u00a0A atual coordenadora do Raps foi testemunha daquele movimento que teve in\u00edcio na primeira gest\u00e3o do atual prefeito (2001-2004) &#8211; experi\u00eancia que refor\u00e7a a cren\u00e7a na qualifica\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>Atualmente a rede de sa\u00fade mental da Prefeitura disp\u00f5e para al\u00e9m dos oito Caps (um \u00c1lcool e Drogas, um Infantil e seis Caps II), de dois servi\u00e7os residenciais terap\u00eauticos, o programa de gera\u00e7\u00e3o de renda Retrate e um ambulat\u00f3rio. Dentro desta estrutura, tr\u00eas (Caps AD e servi\u00e7os residenciais terap\u00eauticos) funcionam 24 horas.<\/p>\n<p>No horizonte, para consolida\u00e7\u00e3o da rede, linhas de financiamento abertas no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para contar com um Caps III, voltado a pacientes com transtornos severos e persistentes, com funcionamento 24 horas e at\u00e9 14 dias de interna\u00e7\u00e3o, e negocia\u00e7\u00f5es para abertura de mais leitos psiqui\u00e1tricos em hospitais gerais. \u201c\u00c9 muito diferente ter um surto e ser encaminhado a um Caps ou para interna\u00e7\u00e3o de 15 dias em um hospital geral, do que ficar de 30 a 90 dias em um hospital psiqui\u00e1trico. Faz diferen\u00e7a na trajet\u00f3ria de vida das pessoas\u201d, alerta Luciane Kantorski.<\/p>\n<p>Alinhada \u00e0 luta antimanicomial, a atual gest\u00e3o tamb\u00e9m aposta na aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Est\u00e1 na pauta a integra\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o junto \u00e0s 51 UBSs da rede, com implementa\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es de matriciamento, que preveem equipes especializadas para atender casos de luto, depress\u00e3o leve ou ansiedade.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Direito assegurado<\/h4>\n<p>A Lei 3.657\/1989, que garante a Reforma Psiqui\u00e1trica, ou a Lei Antimanicomial, disp\u00f5e sobre a prote\u00e7\u00e3o e os direitos dos portadores de transtornos mentais. A legisla\u00e7\u00e3o prev\u00ea o desaparecimento gradual dos hospitais psiqui\u00e1tricos de grande porte, com pacientes permanentes. Em troca, a Lei estabelece outros formatos de tratamento, com hospitais-dia, ambulat\u00f3rios, oficinas e servi\u00e7os residenciais provis\u00f3rios a fim de garantir humaniza\u00e7\u00e3o e respeito ao paciente.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Resgate hist\u00f3rico<\/h4>\n<p>A institucionaliza\u00e7\u00e3o da loucura remonta ao s\u00e9culo 19 no Brasil, quando surgiram as primeiras institui\u00e7\u00f5es destinadas a tratar \u201calienados mentais\u201d. O Rio Grande do Sul\u00a0(ent\u00e3o Prov\u00edncia de S\u00e3o Pedro) acompanhou esse processo. Em 1884, em Porto Alegre, foi inaugurado o Hosp\u00edcio S\u00e3o Pedro, um dos primeiros do pa\u00eds, atendendo \u00e0 necessidade de separar os \u201cdoentes mentais\u201d, que at\u00e9 aquele momento eram encaminhados \u00e0 Santa Casa. Segundo estudiosos do tema, j\u00e1 uma d\u00e9cada depois, as fragilidades estruturais colocavam em xeque o modelo dessa institui\u00e7\u00e3o que comportava a psiquiatria nascente. Em 1889, com a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, o hosp\u00edcio deixou de ser gerido pela Santa Casa e passou a ser administrado por m\u00e9dicos, com o custeio do ent\u00e3o governo provincial.<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o da psiquiatria, novos recursos passaram a ser utilizados, como fortes medica\u00e7\u00f5es, vigil\u00e2ncia ininterrupta, choques el\u00e9tricos e camisas de for\u00e7a. Pr\u00f3pria de sociedades de confinamento, a superlota\u00e7\u00e3o impedia o acompanhamento individualizado dos casos, transformando a institui\u00e7\u00e3o gradualmente em dep\u00f3sito de seres humanos.<\/p>\n<p>Apesar de Lei Anti-Manicomial de 1989, apenas em 2001 foi assegurado o fim dos manic\u00f4mios no Brasil, por meio de outra lei (10.216). Em mar\u00e7o de 1991, a sociedade ga\u00facha firmou a cria\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Ga\u00facho de Sa\u00fade Mental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fotos: Volmer Perez e Janine Tomberg<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atual gest\u00e3o trabalha para recuperar o patamar de atendimento que levou a cidade a ser reconhecida com o pr\u00eamio David Cap\u00edstrano, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, em 2001 Premiada nacionalmente em<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":144676,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,149],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144673"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=144673"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144673\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":144678,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144673\/revisions\/144678"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/144676"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=144673"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=144673"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=144673"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}