{"id":144779,"date":"2025-05-29T08:36:19","date_gmt":"2025-05-29T11:36:19","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=144779"},"modified":"2025-05-29T08:36:19","modified_gmt":"2025-05-29T11:36:19","slug":"brasileiro-tera-que-trabalhar-ate-este-29-de-maio-149-dias-do-ano-so-para-pagar-tributos-revela-estudo-do-ibpt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/brasileiro-tera-que-trabalhar-ate-este-29-de-maio-149-dias-do-ano-so-para-pagar-tributos-revela-estudo-do-ibpt\/","title":{"rendered":"Brasileiro ter\u00e1 que trabalhar at\u00e9 este 29 de maio, 149 dias do ano, s\u00f3 para pagar tributos, revela estudo do IBPT"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Estudo mostra que 40,82% da renda dos brasileiros \u00e9 destinada para impostos, taxas e contribui\u00e7\u00f5es; volume de dias trabalhados para arcar com a carga tribut\u00e1ria mais que dobrou desde a d\u00e9cada de 1970<\/em><\/h3>\n<p>O contribuinte brasileiro ter\u00e1 que trabalhar at\u00e9 este dia\u00a0<strong>29 de maio de 2025<\/strong>\u00a0exclusivamente para pagar tributos. A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 do novo estudo elaborado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributa\u00e7\u00e3o (IBPT), que analisa a incid\u00eancia de impostos, taxas e contribui\u00e7\u00f5es sobre a renda, o consumo e o patrim\u00f4nio do cidad\u00e3o brasileiro. O levantamento indica que a carga tribut\u00e1ria efetiva sobre os brasileiros est\u00e1, para esse ano de 2025, em\u00a0<strong>40,82%<\/strong>, o que representa\u00a0<strong>149 dias do ano dedicados apenas ao pagamento de tributos<\/strong>.<\/p>\n<p>De acordo com a an\u00e1lise, o peso dos tributos na vida do cidad\u00e3o brasileiro se mant\u00e9m elevado, mesmo com pequenas varia\u00e7\u00f5es ao longo dos anos. Para se ter ideia, em 2003, esse percentual era de 36,98%, chegando a ultrapassar os 41% em diversos momentos da d\u00e9cada passada. Em 2025, os 149 dias de trabalho exigidos para quitar as obriga\u00e7\u00f5es fiscais equivalem a quase\u00a0cinco meses inteiros, repetindo o n\u00famero de dias do ano anterior, levando-se em conta que 2024 foi ano bissexto (366 dias), sendo que, no per\u00edodo base do estudo, tivemos o impacto da reonera\u00e7\u00e3o da folha de sal\u00e1rios e o aumento recente do ICMS em dez estados.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 estarrecedor constatar que, mesmo ap\u00f3s d\u00e9cadas de altas cargas tribut\u00e1rias, se exigem quase cinco meses de trabalho do brasileiro s\u00f3 para custear o Estado. O pior \u00e9 que, mesmo com essa elevada arrecada\u00e7\u00e3o, o cidad\u00e3o n\u00e3o v\u00ea esse dinheiro retornar em servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade\u201d, critica o presidente executivo do IBPT, Jo\u00e3o Eloi Olenike.<\/p>\n<p>A composi\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria, do rendimento m\u00e9dio do contribuinte evidencia que os impostos sobre o consumo ainda s\u00e3o os que mais penalizam a popula\u00e7\u00e3o: representam\u00a022,73% da renda, no per\u00edodo pesquisado, ou seja, 83\u00a0dias de trabalho. J\u00e1 os tributos sobre a renda \u2013 como o Imposto de Renda Pessoa F\u00edsica consomem\u00a015,06% da renda, equivalentes a 55\u00a0dias. Os impostos sobre o patrim\u00f4nio, como IPTU, IPVA, ITCMD e ITBI, representam\u00a03,03% da renda\u00a0e demandam\u00a011 dias. Somados, esses tributos totalizam os 40,82% e os 149 dias.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m apresenta recortes por faixa de renda. Os cidad\u00e3os com rendimentos mensais de at\u00e9 R$ 3.000 trabalham at\u00e9 o dia\u00a029 de maio\u00a0para pagar seus tributos, assim como quem tem renda m\u00e9dia de R$ 6.500. J\u00e1 os que recebem entre R$ 3.000 e R$ 10.000 (classe m\u00e9dia) trabalham at\u00e9 o dia\u00a022 de maio. Por outro lado, os contribuintes com rendimentos superiores a R$ 10.000 precisam trabalhar at\u00e9\u00a05 de junho, em fun\u00e7\u00e3o da maior incid\u00eancia de Imposto de Renda em seus ganhos.<\/p>\n<p>Ao analisar o cen\u00e1rio internacional, o IBPT tamb\u00e9m converteu a carga tribut\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o ao PIB, dos pa\u00edses da OCDE em n\u00famero de dias trabalhados.\u00a0O Brasil aparece em 14\u00ba lugar, com 122 dias,\u00a0atr\u00e1s de na\u00e7\u00f5es como Alemanha (143), It\u00e1lia (151) e Dinamarca (153). Apesar da diferen\u00e7a de carga bruta ser aparentemente menor, o grande diferencial \u00e9 a\u00a0qualidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos prestados.<\/p>\n<p>\u201cCobramos como pa\u00edses desenvolvidos e entregamos servi\u00e7os como os de na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento. O Brasil tem um sistema regressivo, ineficiente e que pune mais quem ganha menos. A Reforma Tribut\u00e1ria aprovada no Congresso Nacional tem a obriga\u00e7\u00e3o de ser simples, justa e transparente, promovendo um melhor desenvolvimento social, para tirar o pa\u00eds dessa situa\u00e7\u00e3o lament\u00e1vel em termos de retorno ao bem-estar social da popula\u00e7\u00e3o\u201d, refor\u00e7a Olenike.<\/p>\n<p>Entre os fatores que impactaram a carga de 2025 est\u00e3o o\u00a0aumento das al\u00edquotas modais de ICMS, especialmente sobre combust\u00edveis e com\u00e9rcio eletr\u00f4nico internacional, por meio do Programa Remessa Conforme. Al\u00e9m disso, o retorno gradual da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria patronal \u2013 que antes era substitu\u00edda por al\u00edquotas sobre a receita bruta para setores espec\u00edficos \u2013 tamb\u00e9m passou a valer a partir de janeiro, j\u00e1 com reflexos detectados no per\u00edodo-base do estudo (maio de 2024 a abril de 2025).<\/p>\n<p>O hist\u00f3rico apresentado pelo IBPT mostra que, em 1970, os brasileiros trabalhavam, em m\u00e9dia,\u00a076 dias para pagar tributos \u2013 ou seja, menos da metade do tempo exigido atualmente.\u00a0A m\u00e9dia por d\u00e9cada cresceu substancialmente: foram 102 dias nos anos 90, 138 nos anos 2000, 141 nos anos 2010 e 151 dias na atual d\u00e9cada, revelando um aumento cont\u00ednuo e preocupante. \u201cTrabalha-se hoje mais que o dobro do que se trabalhava nos anos 70 apenas para sustentar o Estado\u201d, conclui Olenike.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Metodologia<\/strong><\/h4>\n<p>O estudo considera tr\u00eas faixas de renda \u2013 at\u00e9 R$ 3.000, entre R$ 3.000 e R$ 10.000, e acima de R$ 10.000 mensais \u2013 e faz a pondera\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria incidente sobre renda, consumo e patrim\u00f4nio. A base de c\u00e1lculo abrange o per\u00edodo entre maio de 2024 e abril de 2025, incluindo tributos federais, estaduais e municipais, como IRPF, INSS, ICMS, IPI, ISS, IPVA, IPTU, taxas diversas e contribui\u00e7\u00f5es. O rendimento m\u00e9dio foi utilizado como refer\u00eancia especial, nesse trabalho. O n\u00famero de dias trabalhados foi calculado a partir da propor\u00e7\u00e3o entre esse rendimento e o total de tributos pagos. Dados internacionais foram baseados em estudos da OCDE (2023) e adaptados para convers\u00e3o em dias trabalhados com base na f\u00f3rmula: Carga Tribut\u00e1ria\/PIB x n\u00famero de dias do ano.<\/p>\n<p>O levantamento, em sua edi\u00e7\u00e3o 2025, foi conduzido pelos tributaristas Gilberto Luiz do Amaral, Jo\u00e3o Eloi Olenike, Let\u00edcia Mary Fernandes do Amaral, Cristiano Lisboa Yazbek e Fernando Steinbruch.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo mostra que 40,82% da renda dos brasileiros \u00e9 destinada para impostos, taxas e contribui\u00e7\u00f5es; volume de dias trabalhados para arcar com a carga tribut\u00e1ria mais que dobrou desde a<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":141135,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,31],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144779"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=144779"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144779\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":144780,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144779\/revisions\/144780"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/141135"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=144779"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=144779"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=144779"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}