{"id":145281,"date":"2025-06-24T09:35:56","date_gmt":"2025-06-24T12:35:56","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=145281"},"modified":"2025-06-24T09:35:56","modified_gmt":"2025-06-24T12:35:56","slug":"quando-o-cansaco-nao-passa-na-folga-burnout-entra-para-o-rol-das-doencas-ocupacionais-da-oms","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/quando-o-cansaco-nao-passa-na-folga-burnout-entra-para-o-rol-das-doencas-ocupacionais-da-oms\/","title":{"rendered":"Quando o cansa\u00e7o n\u00e3o passa na folga: burnout entra para o rol das doen\u00e7as ocupacionais da OMS"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Com mais de 30% de casos, Brasil \u00e9 vice-l\u00edder mundial de pessoas com a s\u00edndrome, perdendo apenas para o Jap\u00e3o<\/em><\/h3>\n<p>O cansa\u00e7o que n\u00e3o passa, a irrita\u00e7\u00e3o intensa, a dificuldade de se concentrar e o sono desregulado podem parecer s\u00f3 parte da rotina agitada. Por\u00e9m, quando esses sinais se acumulam e se tornam permanentes, \u00e9 hora de ligar o alerta. O nome disso \u00e9 burnout, estado de exaust\u00e3o profunda causado por condi\u00e7\u00f5es de trabalho que submetem o profissional a n\u00edveis altos e cont\u00ednuos de estresse. Carlos Manoel Rodrigues, professor de Psicologia do Centro Universit\u00e1rio de Bras\u00edlia (CEUB), explica que o burnout n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com fraqueza ou despreparo, mas com situa\u00e7\u00f5es que ignoram limites humanos.<\/p>\n<p>Com o reconhecimento oficial da s\u00edndrome como fen\u00f4meno ocupacional pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) em janeiro de 2025, as a\u00e7\u00f5es preventivas e de cuidado com a sa\u00fade mental ganharam ainda mais urg\u00eancia. No Brasil, cerca de 30% das pessoas ocupadas sofrem burnout, de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt). A estat\u00edstica posiciona o pa\u00eds na segunda posi\u00e7\u00e3o no ranking mundial de casos diagnosticados em centros de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Segundo o psic\u00f3logo, a s\u00edndrome se instala de forma silenciosa. Os primeiros sinais podem ser confundidos com estafa comum, como o cansa\u00e7o persistente, falta de energia, irritabilidade, lapsos de mem\u00f3ria, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o e ins\u00f4nia. \u201cMuitas vezes, a pessoa vai ignorando esses sintomas, achando que faz parte da press\u00e3o do trabalho. Mas eles v\u00e3o se intensificando at\u00e9 o corpo e a mente n\u00e3o aguentarem mais\u201d, explica. Se n\u00e3o for reconhecido e tratado, o burnout pode evoluir para quadros de ansiedade, depress\u00e3o e outros transtornos emocionais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pode provocar dores f\u00edsicas, altera\u00e7\u00f5es cardiovasculares e at\u00e9 impactar as rela\u00e7\u00f5es sociais e familiares: \u201cA cultura da produtividade excessiva, que valoriza quem \u2018d\u00e1 conta de tudo\u2019, \u00e9 parte do problema. E ainda recai sobre o trabalhador a culpa por adoecer.\u201d Um ambiente com metas inating\u00edveis, sobrecarga de tarefas, aus\u00eancia de pausas e pouca valoriza\u00e7\u00e3o cria o terreno ideal para o esgotamento. \u201c\u00c9 como uma panela de press\u00e3o: se n\u00e3o h\u00e1 v\u00e1lvula de escape, uma hora ela explode\u201d, alerta o docente do CEUB.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Descobri que estou com burnout e agora?<\/strong><\/h4>\n<p>Para evitar o agravamento do quadro, o primeiro passo \u00e9 reconhecer que o problema n\u00e3o est\u00e1 na pessoa, mas nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho. A orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 buscar apoio psicol\u00f3gico e, quando necess\u00e1rio, avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. \u201cA psicoterapia \u00e9 uma ferramenta importante, mas precisa caminhar junto com mudan\u00e7as no estilo profissional\u201d, ressalta. Repensar jornadas, garantir pausas regulares, criar espa\u00e7os de escuta e respeito dentro das equipes s\u00e3o fundamentais. H\u00e1bitos saud\u00e1veis, como a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica e a alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada ajudam na recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o professor, a discuss\u00e3o sobre o burnout tamb\u00e9m passa pelo modelo de escala adotado nas empresas. Escalas como a 6&#215;1 (seis dias de trabalho para um de descanso) s\u00e3o especialmente prejudiciais, por n\u00e3o oferecerem tempo suficiente para a recupera\u00e7\u00e3o do corpo e da mente. \u201cJ\u00e1 a escala 4&#215;3 (quatro dias de trabalho e tr\u00eas de folga) pode representar um avan\u00e7o, desde que os dias \u00fateis n\u00e3o sejam exaustivos. N\u00e3o adianta ter mais dias de descanso se, durante os dias de trabalho, a press\u00e3o e o ritmo continuam abusivos. O equil\u00edbrio precisa estar no todo\u201d, pontua.<\/p>\n<p>O burnout, conforme revela o docente do CEUB, \u00e9 um alerta para a sociedade atual, mostrando que algo est\u00e1 fora de lugar nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho e de conceitos distorcidos e romantizados de produtividade. \u201cE enquanto a l\u00f3gica for a de exigir mais do que o corpo e a mente podem oferecer, os casos s\u00f3 tendem a crescer. O cuidado precisa deixar de ser exce\u00e7\u00e3o e se tornar regra\u201d, arremata Carlos Manoel Rodrigues.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com mais de 30% de casos, Brasil \u00e9 vice-l\u00edder mundial de pessoas com a s\u00edndrome, perdendo apenas para o Jap\u00e3o O cansa\u00e7o que n\u00e3o passa, a irrita\u00e7\u00e3o intensa, a dificuldade<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":145282,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,150],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145281"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=145281"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145281\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":145283,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145281\/revisions\/145283"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/145282"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=145281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=145281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=145281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}