{"id":146414,"date":"2025-08-11T09:18:21","date_gmt":"2025-08-11T12:18:21","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=146414"},"modified":"2025-08-11T09:18:21","modified_gmt":"2025-08-11T12:18:21","slug":"casamento-acontece-na-uti-do-he-ufpel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/casamento-acontece-na-uti-do-he-ufpel\/","title":{"rendered":"Casamento acontece na UTI do HE-UFPel"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Cerim\u00f4nia foi realizada com apoio da equipe multiprofissional e de volunt\u00e1rios<\/em><\/h3>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 imaginou o que significa ouvir um \u201ceu te amo\u201d ap\u00f3s um longo per\u00edodo de incertezas, respirando com a ajuda de aparelhos? Na UTI Adulto do Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel), vinculado \u00e0 Empresa Brasileira de Servi\u00e7os Hospitalares (Ebserh), esse momento se tornou realidade. A frase, dita com esfor\u00e7o e ternura por Clara, paciente internada desde junho, marcou o in\u00edcio de um sonho: o casamento com seu companheiro, Paulo, realizado na pr\u00f3pria UTI, na tarde de 7 de agosto.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Uma hist\u00f3ria de reencontro e supera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Clara e Paulo se conheceram em 1995. Viveram juntos por sete anos, mas se afastaram com o tempo. Dezoito anos depois, uma postagem nas redes sociais reacendeu a hist\u00f3ria: ela escreveu, ele viu, e os caminhos voltaram a se cruzar. Mesmo morando em cidades diferentes, o reencontro foi definitivo. O relacionamento seguiu firme, mesmo diante de um novo desafio: Clara adoeceu, sendo internada na UTI do HE-UFPel com uma condi\u00e7\u00e3o pulmonar grave.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um per\u00edodo de seda\u00e7\u00e3o e intuba\u00e7\u00e3o, Clara passou a utilizar traqueostomia e segue com suporte ventilat\u00f3rio noturno. Ao sair da ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica, ela expressou o desejo de declarar seu amor. A equipe assistencial, sensibilizada, passou a auxili\u00e1-la a se comunicar. Durante dias, treinaram as tr\u00eas palavras m\u00e1gicas: \u201ceu te amo\u201d. O gesto tocou o cora\u00e7\u00e3o de Paulo e comoveu os profissionais que acompanharam a cena.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica intensivista Thais da Costa Neumann, que acompanhou de perto a trajet\u00f3ria cl\u00ednica de Clara, recordou com carinho o momento em que tudo come\u00e7ou: \u201cNo primeiro dia em que ela conseguiu usar o aparelho fonador, nos disse que diria \u2018eu te amo\u2019 ao noivo. E ela fez isso. Foi muito emocionante\u201d.<\/p>\n<p>Depois disso, Thais incentivou: \u201cConversei com ela e o Paulo, dizendo que eles tinham que se casar. E ent\u00e3o ela me falou que esse era o maior sonho da vida dela. Disse querer se casar e viver para sempre ao lado dele\u201d. O desejo contagiou a todos.<\/p>\n<p>A chefe da UTI Adulto, B\u00e1rbara Ramos, relembrou a conversa com a paciente: \u201cPerguntei a ela por que resolveu casar-se. E a resposta foi: \u2018Por amor\u2019\u201d. A partir desse momento, a equipe se mobilizou. \u201cCome\u00e7amos a pensar: \u2018por que n\u00e3o?\u2019 J\u00e1 fizemos isso uma vez! Ent\u00e3o contatamos os nossos volunt\u00e1rios e as chefias do Hospital. A noiva j\u00e1 tinha uma data e alguns pedidos: vestido e buqu\u00ea champanhe, alian\u00e7as e bolo\u201d.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Humaniza\u00e7\u00e3o em foco <\/strong><\/h4>\n<p>A cerim\u00f4nia foi organizada, respeitando todas as normas de biosseguran\u00e7a, com carinho e a participa\u00e7\u00e3o ativa da equipe multiprofissional da UTI Adulto. \u201cAs madrinhas foram a m\u00e9dica rotineira e uma t\u00e9cnica de Enfermagem. Pintamos o cabelo, fizemos as unhas, arrumamos a maquiagem. Ela convidou o Grupo Medica\u00e7\u00e3o para tocar! Organizamos a cerim\u00f4nia religiosa com o nosso capel\u00e3o, pastor Cl\u00e1udio Samuel Scherwinske Santos. E tudo foi se encaixando para fazer o dia ser lindo e inesquec\u00edvel\u201d, contou B\u00e1rbara.<\/p>\n<p>A fisioterapeuta Tauana Bandeira Gon\u00e7alves esteve presente nos preparativos e no cuidado di\u00e1rio com Clara e contou: \u201cA paciente Clara compartilhou conosco, ainda nos momentos mais delicados da sua interna\u00e7\u00e3o, o desejo de se casar. Ela esteve muito grave, mas, agora que est\u00e1 est\u00e1vel, sentimos que realizar esse sonho \u00e9 uma forma de celebrar sua for\u00e7a e sua vida. A equipe da UTI e alguns outros profissionais proativos do Hospital abra\u00e7aram essa ideia com carinho e sensibilidade\u201d.<\/p>\n<p>Para Tauana, o cuidado humanizado \u00e9 fundamental para transformar o ambiente hospitalar em um espa\u00e7o mais acolhedor e respeitoso, tanto para adultos quanto\u00a0para\u00a0crian\u00e7as. \u201cAcreditamos que a humaniza\u00e7\u00e3o \u00e9 a base de qualquer tratamento, especialmente em um hospital que acolhe pacientes muitas vezes debilitados f\u00edsica e emocionalmente. Cuidar da sa\u00fade vai al\u00e9m dos procedimentos t\u00e9cnicos: envolve acolhimento, escuta e respeito \u00e0 dignidade\u201d.<\/p>\n<p>A enfermeira Angelica Goulart Xavier tamb\u00e9m destacou que \u201cFoi emocionante participar de todas as etapas, ver o envolvimento dos profissionais e sentir a emo\u00e7\u00e3o da noiva e da equipe a cada passo concretizado. Oficializar o sonho de Clara e Paulo foi fundamental para eles, e fortaleceu os la\u00e7os entre a equipe, reafirmando o valor da humaniza\u00e7\u00e3o no cuidado em unidades cr\u00edticas\u201d.<\/p>\n<p>Angelica tamb\u00e9m refletiu sobre os v\u00ednculos que se criam com o tempo. \u201cA interna\u00e7\u00e3o prolongada na UTI permite criar v\u00ednculos profundos. No caso da Clara, o planejamento do casamento surgiu quando ela expressou esse desejo durante uma visita do Paulo. Assim que a equipe soube, houve um consenso imediato: \u2018vamos providenciar\u2019. Foi preciso garantir a viabilidade da cerim\u00f4nia nas normas de biosseguran\u00e7a do Hospital, pensando sempre em celebrar o dia idealizado pelos noivos, respeitando seus desejos e cren\u00e7as, com as adapta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias\u201d.<\/p>\n<p>O casamento de Clara e Paulo na UTI do HE-UFPel \u00e9 mais do que uma celebra\u00e7\u00e3o de amor. Para Thais, \u201cAcredito que, cada vez mais, precisamos tratar nossos pacientes de forma integral, porque ali est\u00e1 uma pessoa em um momento de extrema fragilidade, que necessita ainda mais de apoio emocional. Momentos como esse d\u00e3o for\u00e7as para o paciente lutar contra a doen\u00e7a. Sou muito grata por ter a oportunidade de trabalhar em uma equipe multiprofissional que compreende a import\u00e2ncia da humaniza\u00e7\u00e3o. Hoje, com tanto aparato tecnol\u00f3gico \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podemos esquecer que, em cada leito, h\u00e1 uma pessoa com valores, sentimentos, sonhos e amores\u201d.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>M\u00fasica para celebrar a vida<\/strong><\/h4>\n<p>A cerim\u00f4nia tamb\u00e9m teve trilha sonora especial, com o Grupo Medica\u00e7\u00e3o, que h\u00e1 24 anos leva m\u00fasica ao HE-UFPel. Pela primeira vez, o grupo foi convidado para tocar em um casamento, sendo que o convite foi feito pela pr\u00f3pria Clara. Segundo um dos integrantes do grupo, F\u00e1bio Bizarro, \u201cAinda n\u00e3o hav\u00edamos vivido uma experi\u00eancia assim. Somos gratos e honrados por ter nos escolhido para cantar e viver contigo esse momento. Emo\u00e7\u00e3o \u00e9 pouca. Gratid\u00e3o define\u201d.<\/p>\n<p>Para F\u00e1bio, a ocasi\u00e3o foi marcante: \u201cPara quem \u00e9 volunt\u00e1rio, viver um momento bom como esse, em meio a tantos dif\u00edceis, \u00e9 muito especial. Em 24 anos, nunca hav\u00edamos feito isso. Vai ficar na mem\u00f3ria. Desejamos sa\u00fade e tudo de melhor ao casal. Obrigado, de cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cerim\u00f4nia foi realizada com apoio da equipe multiprofissional e de volunt\u00e1rios Voc\u00ea j\u00e1 imaginou o que significa ouvir um \u201ceu te amo\u201d ap\u00f3s um longo per\u00edodo de incertezas, respirando com<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":146416,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,150],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146414"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146414"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146414\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":146417,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146414\/revisions\/146417"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/146416"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146414"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146414"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146414"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}