{"id":147267,"date":"2025-09-09T11:29:15","date_gmt":"2025-09-09T14:29:15","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=147267"},"modified":"2025-09-09T11:29:15","modified_gmt":"2025-09-09T14:29:15","slug":"imagine-lennon-e-a-utopia-necessaria-reflexoes-de-9-de-setembro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/imagine-lennon-e-a-utopia-necessaria-reflexoes-de-9-de-setembro\/","title":{"rendered":"Imagine, Lennon e a utopia necess\u00e1ria: reflex\u00f5es de 9 de setembro"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em><strong>Quantos sonhos interrompidos? Quantos projetos que n\u00e3o chegaram ao fim? E, ainda assim, seguimos<\/strong><\/em><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>\u00a0Marcelo Gonzales*<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>@celogonzales @vidadevinil<\/strong><\/em><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">O poder de uma can\u00e7\u00e3o que n\u00e3o envelhece<\/h4>\n<p>Em <strong>9 de setembro de 1971<\/strong>, John Lennon lan\u00e7ava o \u00e1lbum <em>Imagine<\/em>. Um disco que, mais de meio s\u00e9culo depois, continua sendo um dos maiores manifestos musicais pela paz.<\/p>\n<p>Sempre que escuto sua faixa-t\u00edtulo, penso em como Lennon foi direto: convidou o ouvinte a imaginar um mundo sem fronteiras, sem religi\u00f5es que se enfrentam, sem posses que nos dividem. \u00c9 quase infantil na simplicidade, mas profundamente revolucion\u00e1rio na coragem de propor algo que at\u00e9 hoje soa imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, quando volto a essa letra, n\u00e3o consigo deixar de refletir sobre os nossos <strong>desafios inacabados<\/strong>. Quantos sonhos interrompidos? Quantos projetos que n\u00e3o chegaram ao fim? E, ainda assim, seguimos.<\/p>\n<p>Talvez seja isso o que Lennon tentou nos dizer: n\u00e3o \u00e9 preciso que o mundo j\u00e1 seja perfeito para que possamos imaginar e, sobretudo, agir.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Entre Lennon e o U2: a pol\u00eamica que tamb\u00e9m sonhava com todos<\/h4>\n<p>Exatamente no mesmo 9 de setembro, mas em <strong>2014<\/strong>, o U2 lan\u00e7ou <em>Songs of Innocence<\/em>. O \u00e1lbum gerou pol\u00eamica mundial por ter sido <strong>distribu\u00eddo gratuitamente no iTunes<\/strong>, aparecendo de surpresa na biblioteca de milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Houve quem achasse lindo \u2014 afinal, a m\u00fasica chegando sem barreiras, sem pagar nada, quase como se fosse um presente universal.<\/p>\n<p>Houve tamb\u00e9m quem se incomodasse: \u201cN\u00e3o pedi por isso, por que est\u00e1 aqui?\u201d.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 curioso como esse epis\u00f3dio conversa com <em>Imagine<\/em>? De um lado, Lennon pedindo que todos visualizassem um planeta sem fronteiras; do outro, o U2, d\u00e9cadas depois, tentando fazer a m\u00fasica atravessar barreiras tecnol\u00f3gicas e sociais \u2014 ainda que de forma controversa.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Fatos que marcaram o 9 de setembro na m\u00fasica<\/h4>\n<ul>\n<li><strong>1956<\/strong>: Elvis Presley estreia no programa <em>The Ed Sullivan Show<\/em>, levando o rock\u2019n\u2019roll para dentro das casas americanas.<\/li>\n<li><strong>1975<\/strong>: Nasce Michael Bubl\u00e9, cantor canadense que reinventaria os standards do jazz para novas gera\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li><strong>2013<\/strong>: O Brasil perde Champignon, baixista do Charlie Brown Jr., em uma trag\u00e9dia que ainda ecoa. Champignon n\u00e3o era apenas um m\u00fasico, mas um <strong>artista aut\u00eantico<\/strong>, cuja energia e versatilidade marcaram gera\u00e7\u00f5es. Suas linhas de baixo pulsavam junto com letras que falavam de desafios, amizade e resist\u00eancia, como em <em>\u201cProibida pra mim\u201d<\/em>, lembrando que a m\u00fasica dele tinha <strong>alma, intensidade e verdade<\/strong>.<\/li>\n<li><strong>2018<\/strong>: A m\u00fasica se despede de Mr. Catra, figura que transitava do funk ao rock com autenticidade.<\/li>\n<\/ul>\n<p>S\u00e3o lembran\u00e7as que nos ajudam a entender como a m\u00fasica, em diferentes estilos, carrega tanto de nossas alegrias quanto de nossas dores coletivas.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Imagine hoje, comigo e com voc\u00ea<\/h4>\n<p>Escrevo este texto n\u00e3o apenas como jornalista em forma\u00e7\u00e3o, mas como algu\u00e9m que tamb\u00e9m precisa acreditar \u2014 acreditar que cada palavra pode construir pontes, que cada leitor pode ser parte desse coro de vozes que deseja algo melhor.<\/p>\n<p>Quando Lennon cantou <em>Imagine all the people living life in peace<\/em>, ele n\u00e3o sabia que, meio s\u00e9culo depois, ainda estar\u00edamos tentando.<\/p>\n<p>Mas talvez soubesse, sim, que sua can\u00e7\u00e3o seria um guia, um lembrete insistente de que <strong>a utopia \u00e9 necess\u00e1ria<\/strong>.<\/p>\n<p>Hoje, neste 9 de setembro, escolho imaginar junto com voc\u00ea que me l\u00ea.<\/p>\n<p>E espero que, ao terminar estas linhas, voc\u00ea tamb\u00e9m carregue esse eco: que \u00e9 poss\u00edvel sonhar, \u00e9 poss\u00edvel tentar, \u00e9 poss\u00edvel \u2014 ainda que devagar \u2014 construir o que Lennon desenhou em sua melodia.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Um fim que \u00e9 come\u00e7o<\/h4>\n<p>Se h\u00e1 algo que aprendi com a m\u00fasica \u00e9 que todo fim pode soar como um recome\u00e7o.<\/p>\n<p>Por isso, termino este texto como quero terminar muitos outros: deixando no ar n\u00e3o um ponto final, mas uma chama acesa.<\/p>\n<p><strong>Imagine. S\u00f3 isso.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>*Marcelo Gonzales vive entre discos de vinil e muita m\u00eddia f\u00edsica, sempre atento \u00e0 m\u00fasica, \u00e0 cultura e ao jornalismo, compartilhando hist\u00f3rias que conectam gera\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quantos sonhos interrompidos? Quantos projetos que n\u00e3o chegaram ao fim? 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