{"id":147366,"date":"2025-09-12T09:08:40","date_gmt":"2025-09-12T12:08:40","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=147366"},"modified":"2025-09-12T09:08:40","modified_gmt":"2025-09-12T12:08:40","slug":"12-de-setembro-tres-albuns-uma-constelacao-de-lembrancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/12-de-setembro-tres-albuns-uma-constelacao-de-lembrancas\/","title":{"rendered":"12 de setembro &#8211; Tr\u00eas \u00e1lbuns, uma constela\u00e7\u00e3o de lembran\u00e7as"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Em 12 de setembro a m\u00fasica ganhou discos que marcaram gera\u00e7\u00f5es. Do lirismo sombrio do Pink Floyd ao retorno explosivo do Aerosmith, at\u00e9 o groove de Lenny Kravitz &#8211; relembre esses lan\u00e7amentos e suas conex\u00f5es afetivas<\/em><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Marcelo Gonzales*<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>@celogonzales @vidadevinil<\/strong><\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 datas que viram pequenos cometas na mem\u00f3ria coletiva: n\u00e3o importa a gera\u00e7\u00e3o, quando o calend\u00e1rio marca um dia e nele houve um grande lan\u00e7amento, a trilha sonora pessoal de muita gente muda para sempre. O 12 de setembro \u00e9 um desses dias: ao longo de d\u00e9cadas, ganhou discos que sinalizaram viradas \u2014 art\u00edsticas, pessoais e culturais. Vamos viajar por tr\u00eas desses momentos, em ordem cronol\u00f3gica, e ouvir os ecos que cada um deixou no pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ado em <strong>12 de setembro de 1975<\/strong>, <em>Wish You Were Here<\/em> \u00e9 um daqueles discos que envelhecem como cartas guardadas: as palavras e os arranjos ganham camadas com o tempo, e as aus\u00eancias \u2014 principalmente a de Syd Barrett \u2014 se transformam em algo quase palp\u00e1vel. A faixa-\u00e2ncora, <em>Shine On You Crazy Diamond<\/em>, \u00e9 uma longa sauda\u00e7\u00e3o e lamento, um retrato em acorde maior da perda e do mito; <em>Have a Cigar<\/em> despe uma ironia cortante sobre o mercado musical. O disco solidificou o lado mais contemplativo e cr\u00edtico do Pink Floyd, e deixou uma marca de eleg\u00e2ncia melanc\u00f3lica que serviria, d\u00e9cadas depois, como refer\u00eancia de \u201csaudade rock\u201d para artistas que cresceram ouvindo seu espa\u00e7o sonoro expansivo.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil imaginar um f\u00e3 que, em 1975, fechou a vitrola no refr\u00e3o de \u201cShine On\u201d, e que, anos depois, procuraria no r\u00e1dio por algo que trouxesse de volta essa intensidade dram\u00e1tica \u2014 e encontraria, nos riffs maiores e no retorno triunfal de bandas cl\u00e1ssicas nos anos 80, outro modo de sentir a mesma grandeza em forma de rock.<\/p>\n<p>Quatorze anos depois, em <strong>12 de setembro de 1989<\/strong>, o Aerosmith lan\u00e7a <em>Pump<\/em>, um \u00e1lbum que cheira a reprise de palco: guitarras gordas, refr\u00f5es que grudam e o reaparecimento de uma banda que aprendeu a transformar trope\u00e7os em combust\u00edvel criativo. <em>Pump<\/em> traz faixas-hit que se tornaram hinos de est\u00e1dio e r\u00e1dio \u2014 \u00e9 o rock cat\u00e1rtico, quase f\u00edsico, que contrasta com a introspec\u00e7\u00e3o do Pink Floyd, mas que, na verdade, compartilha a mesma ambi\u00e7\u00e3o: transformar sentimento em espet\u00e1culo. Enquanto <em>Wish You Were Here<\/em> pedira um sil\u00eancio intenso, <em>Pump<\/em> exigia o grito.<\/p>\n<p>O fim dos anos 80 e metade dos 90 carregam uma certa fome de groove e retro-refer\u00eancia; f\u00e3s que vibraram com o \u201cressurgimento\u201d do rock encontraram, no meio da d\u00e9cada seguinte, artistas que misturavam tradi\u00e7\u00e3o e modernidade em batidas que convidavam tanto \u00e0 dan\u00e7a quanto \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o e, em <strong>12 de setembro de 1995<\/strong> saiu <em>Circus<\/em>, o quarto \u00e1lbum de Lenny Kravitz, que revisita sonoridades cl\u00e1ssicas \u2014 soul, rock setentista, funk \u2014 e as apresenta com um verniz contempor\u00e2neo que dialoga com quem cresceu ouvindo os discos anteriores do g\u00eanero. <em>Circus<\/em> \u00e9 parte culto \u00e0 est\u00e9tica retr\u00f4 e parte coment\u00e1rio sobre a vida sob os holofotes: groove, atitude e um pulso dan\u00e7ante que fecha essa trilogia temporal com um sorriso que lembra vinis gastos e noites de r\u00e1dio.<\/p>\n<p>Se fecharmos o c\u00edrculo, come\u00e7amos no sil\u00eancio contemplativo do Pink Floyd, passamos pelo grito encorpado do Aerosmith e terminamos na celebra\u00e7\u00e3o retr\u00f4 de Kravitz \u2014 tr\u00eas maneiras da m\u00fasica lidar com mem\u00f3ria: remoer, reinventar e festejar.<\/p>\n<p>Neste dia tamb\u00e9m nasceram figuras que, em campo diferente, ajudariam a modelar o imagin\u00e1rio sonoro do s\u00e9culo XX: <strong>George Jones<\/strong> (nascido em <strong>12 de setembro de 1931<\/strong>) e <strong>Hans Zimmer<\/strong> (nascido em <strong>12 de setembro de 1957<\/strong>). Jones, a voz do country que esculpia dor e verdade em cada s\u00edlaba, costumava celebrar a tradi\u00e7\u00e3o: \u201cI loved Roy Acuff with all my heart\u2026\u201d \u2014 uma frase que traduz amor por ra\u00edzes e a ideia de que a m\u00fasica country \u00e9, no fundo, uma narrativa sincera da vida. Zimmer, por outro lado, expandiu a emo\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de orquestras e texturas eletr\u00f4nicas: como disse ele mesmo, <em>\u201cI want to go and write music that announces to you that you can feel something. I don&#8217;t want to tell you what to feel, but I just want you to have the possibility of feeling something.\u201d<\/em> (traduzindo: <em>&#8220;Eu quero ir e escrever m\u00fasicas que te anunciem que voc\u00ea pode sentir algo. Eu n\u00e3o quero te dizer o que sentir, mas eu s\u00f3 quero que voc\u00ea tenha a possibilidade de sentir algo.&#8221;)<\/em> e nessa promessa cabe todo um cinema de sensa\u00e7\u00f5es. Dois nascimentos, duas maneiras de tocar o p\u00fablico: a voz pequena que faz o mundo caber no verso; a partitura gigante que faz o peito bater coletivamente.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Enquanto isso, no Brasil&#8230;<\/strong><\/h4>\n<p>O 12 de setembro tamb\u00e9m \u00e9 dia de celebrar nomes que moldaram a nossa m\u00fasica. Em <strong>1935<\/strong>, nasceu <strong>Geraldo Vandr\u00e9<\/strong>, o poeta que transformou can\u00e7\u00f5es em bandeiras de resist\u00eancia; em <strong>1944<\/strong>, veio ao mundo <strong>Leci Brand\u00e3o<\/strong>, cuja voz se tornou um estandarte do samba e da luta social; e em <strong>1956<\/strong>, <strong>Roger Rocha Moreira<\/strong>, que fundou o Ultraje a Rigor e levou humor e cr\u00edtica \u00e1cida para o rock nacional. S\u00e3o presen\u00e7as que lembram que, al\u00e9m das grandes narrativas internacionais, nossas efem\u00e9rides carregam um Brasil de vozes inquietas, cr\u00edticas e festivas.<\/p>\n<p>Datas como 12 de setembro s\u00e3o lembretes \u2014 n\u00e3o tanto de que o tempo passa, mas de como ele coleciona trilhas sonoras para as nossas vidas. Entre a melancolia quase cinematogr\u00e1fica do Pink Floyd, o renascimento estrondoso do Aerosmith e a rever\u00eancia groove de Lenny Kravitz, h\u00e1 um fio: cada \u00e1lbum, \u00e0 sua maneira, pediu que a gente se lembrasse \u00a0do que fomos, do que queremos ser e das m\u00fasicas que voltamos a tocar quando precisamos nos reconhecer. E, se o mundo celebrou Jones e Zimmer, n\u00f3s celebramos tamb\u00e9m Vandr\u00e9, Leci e Roger: vozes que, em seu tempo, tamb\u00e9m nos ajudaram a cantar, resistir e rir.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>*Marcelo Gonzales vive entre discos de vinil e muita m\u00eddia f\u00edsica, sempre atento \u00e0 m\u00fasica, \u00e0 cultura e ao jornalismo, compartilhando hist\u00f3rias que conectam gera\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 12 de setembro a m\u00fasica ganhou discos que marcaram gera\u00e7\u00f5es. 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