{"id":147519,"date":"2025-09-18T08:55:06","date_gmt":"2025-09-18T11:55:06","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=147519"},"modified":"2025-09-18T08:55:06","modified_gmt":"2025-09-18T11:55:06","slug":"18-de-setembro-o-dia-em-que-o-peso-do-mundo-girou-em-vinil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/18-de-setembro-o-dia-em-que-o-peso-do-mundo-girou-em-vinil\/","title":{"rendered":"18 de setembro: o dia em que o peso do mundo girou em vinil"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Olho para esse 18 de setembro como uma data que pulsa em vinil, em mem\u00f3ria e em resson\u00e2ncia<\/em><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Marcelo Gonzales*<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>@celogonzales @vidadevinil<\/strong><\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 datas que carregam uma m\u00edstica pr\u00f3pria, e o dia 18 de setembro \u00e9 uma delas. Sempre que penso nessa data, minha mente volta ao ano de 1970. Eu ainda n\u00e3o tinha nascido, vim ao mundo dois anos depois, em 1972, mas, quando descobri o disco <em>Paranoid<\/em> na minha adolesc\u00eancia, foi como se tivesse encontrado um elo perdido. Lembro da sensa\u00e7\u00e3o de tirar aquele vinil da capa, o cheiro caracter\u00edstico de papel e pl\u00e1stico antigo, e a agulha deslizando para revelar um som que parecia mais pesado do que a pr\u00f3pria realidade.<\/p>\n<p>O Black Sabbath lan\u00e7ava, em 18 de setembro de 1970, seu segundo \u00e1lbum de est\u00fadio. Produzido por Rodger Bain e gravado em Londres, <em>Paranoid<\/em> trazia oito faixas que mudaram o rumo da m\u00fasica. <em>War Pigs<\/em>, com sua cr\u00edtica feroz \u00e0s guerras; <em>Iron Man<\/em>, uma narrativa quase de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que se tornaria hino; <em>Planet Caravan<\/em>, viajante e et\u00e9rea; e, claro, a faixa-t\u00edtulo <em>Paranoid<\/em>, escrita quase \u00e0s pressas, mas que acabou se tornando um cl\u00e1ssico instant\u00e2neo. \u00c9 curioso pensar que o que nasceu como \u201cum preenchimento de espa\u00e7o\u201d viraria a can\u00e7\u00e3o que atravessou gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Esse disco n\u00e3o s\u00f3 alcan\u00e7ou o topo das paradas no Reino Unido como tamb\u00e9m entrou para o imagin\u00e1rio coletivo como um dos pilares do heavy metal. Vendeu milh\u00f5es de c\u00f3pias, ganhou relan\u00e7amentos luxuosos em seus 25, 40 e 50 anos, e segue sendo celebrado em cada canto do mundo. N\u00e3o \u00e9 apenas m\u00fasica: \u00e9 um testemunho de \u00e9poca, um registro do peso, da ang\u00fastia e da criatividade de uma juventude que transformava frustra\u00e7\u00e3o em arte.<\/p>\n<p>E como se n\u00e3o bastasse o marco do Sabbath, a mesma data guardaria outras ousadias no rock. Em 1978, os quatro integrantes do Kiss decidiram lan\u00e7ar, no mesmo dia, \u00e1lbuns solo individuais. Era um movimento in\u00e9dito, arriscado e ousado, afinal, cada um expunha suas pr\u00f3prias facetas musicais, mas sob a mesma bandeira de uma das maiores bandas de rock do planeta. Foi um gesto de afirma\u00e7\u00e3o, de identidade e tamb\u00e9m de marketing vision\u00e1rio.<\/p>\n<p>Anos depois, como se o destino quisesse provar que nada \u00e9 por acaso, o Kiss voltaria a marcar o 18 de setembro com outro momento hist\u00f3rico: o lan\u00e7amento de <em>Lick It Up<\/em>, em 1983. Era a banda se reinventando, agora sem as maquiagens, mas reafirmando sua relev\u00e2ncia em plena era do hard rock oitentista.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-147520 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/kiss-lick-it-up-1983-album.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/kiss-lick-it-up-1983-album.jpg 600w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/kiss-lick-it-up-1983-album-300x300.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/kiss-lick-it-up-1983-album-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Olho para esse 18 de setembro como uma data que pulsa em vinil, em mem\u00f3ria e em resson\u00e2ncia. N\u00e3o estive l\u00e1 em 1970, mas cada vez que coloco <em>Paranoid<\/em> para tocar, sinto como se estivesse. A m\u00fasica tem esse poder: de nos transportar, de nos colocar em \u00e9pocas que n\u00e3o vivemos, mas que, de alguma forma, nos pertencem.<\/p>\n<p>E \u00e9 por isso que eu sigo mergulhando em datas como essa, porque cada uma delas guarda uma chave, um cheiro, uma lembran\u00e7a. Se hoje viajei com voc\u00eas pelo peso de <em>Paranoid<\/em> e pela ousadia do Kiss, \u00e9 porque acredito que a m\u00fasica n\u00e3o envelhece, ela apenas nos espera. E amanh\u00e3\u2026 ah, amanh\u00e3 tem mais hist\u00f3ria para contar.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>*Marcelo Gonzales vive entre discos de vinil e muita m\u00eddia f\u00edsica, sempre atento \u00e0 m\u00fasica, \u00e0 cultura e ao jornalismo, compartilhando hist\u00f3rias que conectam gera\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olho para esse 18 de setembro como uma data que pulsa em vinil, em mem\u00f3ria e em resson\u00e2ncia Marcelo Gonzales* @celogonzales @vidadevinil H\u00e1 datas que carregam uma m\u00edstica pr\u00f3pria, e<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":147521,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147519"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=147519"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147519\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":147522,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147519\/revisions\/147522"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/147521"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=147519"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=147519"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=147519"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}