{"id":147557,"date":"2025-09-19T08:38:29","date_gmt":"2025-09-19T11:38:29","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=147557"},"modified":"2025-09-19T08:38:29","modified_gmt":"2025-09-19T11:38:29","slug":"coluna-de-cinema-edicao-47","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/coluna-de-cinema-edicao-47\/","title":{"rendered":"Coluna de Cinema \u2013 Edi\u00e7\u00e3o 47"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Batman Eternamente: extravag\u00e2ncia neon revisitada<\/em><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-147563 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/batman-eternamente-1995-val-kilmerjpg-1.png\" alt=\"\" width=\"631\" height=\"356\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/batman-eternamente-1995-val-kilmerjpg-1.png 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/batman-eternamente-1995-val-kilmerjpg-1-300x169.png 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/batman-eternamente-1995-val-kilmerjpg-1-150x85.png 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/batman-eternamente-1995-val-kilmerjpg-1-768x433.png 768w\" sizes=\"(max-width: 631px) 100vw, 631px\" \/><\/p>\n<p>Celebrando tr\u00eas d\u00e9cadas desde o seu lan\u00e7amento, <strong>\u201c<em>Batman Eternamente\u201d<\/em><\/strong> (Batman Forever), dirigido por Joel Schumacher, retorna \u00e0s telas de cinema como um relan\u00e7amento que mexe com nossas mem\u00f3rias. N\u00e3o como uma joia esquecida, mas como um artefato peculiar de uma era audaciosa, por vezes desastrosa, do cinema de super-her\u00f3i. O filme \u00e9, do primeiro ao \u00faltimo minuto, uma extravag\u00e2ncia desmedida, um festival de exageros que beira o inacredit\u00e1vel. O tempo, longe de t\u00ea-lo redimido, apenas confirmou o que a cr\u00edtica e o p\u00fablico j\u00e1 sabiam em 1995, pois trata-se de um equ\u00edvoco criativo de propor\u00e7\u00f5es monumentais.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-147562 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/batman-val-kilmer-nicole-1.jpg\" alt=\"\" width=\"660\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/batman-val-kilmer-nicole-1.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/batman-val-kilmer-nicole-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/batman-val-kilmer-nicole-1-150x100.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/batman-val-kilmer-nicole-1-768x510.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/p>\n<p>A t\u00eanue trama serve meramente como fio condutor para uma sucess\u00e3o de cenas ca\u00f3ticas. O Batman (Val Kilmer) precisa enfrentar uma dupla de vil\u00f5es: Duas-Caras (Tommy Lee Jones), um ex-promotor p\u00fablico desfigrado e obcecado pelo acaso, e o Charada (Jim Carrey), um g\u00eanio da tecnologia que lan\u00e7a enigmas mortais sobre Gotham City. Enquanto isso, o her\u00f3i tamb\u00e9m se v\u00ea atra\u00eddo pela psiquiatra Dr. Chase Meridian (Nicole Kidman), que est\u00e1 igualmente interessada em estudar a mente do homem por tr\u00e1s da m\u00e1scara. A narrativa \u00e9 um mero pretexto para Schumacher mergulhar sua Gotham City em um oceano de luzes neon, roupas de couro, e tomadas absurdamente amplas dos m\u00fasculos do Batman.<\/p>\n<p>\u00c9 no campo das atua\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, que o filme atinge seus picos mais surreais de descontrole. Tommy Lee Jones, um ator de talento inquestion\u00e1vel, interpreta Duas-Caras com uma f\u00faria t\u00e3o desmedida e caricata que beira a par\u00f3dia. Ele rosna, grita e espuma pela boca em cada cena, sem uma pitada da nuance tr\u00e1gica que o personagem merece. Jim Carrey, na esteira do sucesso explosivo de \u201c<em>O M\u00e1skara\u201d<\/em>, leva sua persona hipercin\u00e9tica ao extremo absoluto. Seu Charada \u00e9 menos um g\u00eanio do crime e mais uma vers\u00e3o alucinada do seu personagem c\u00f4mico Ace Ventura, contorcendo-se e tagarelando em um ritmo fren\u00e9tico que cansa mais do que diverte. Juntos, eles formam uma dupla de vil\u00f5es que n\u00e3o amea\u00e7a, mas simplesmente oprime os sentidos com seu excesso.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-147561 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/batman-eternamente-1.png\" alt=\"\" width=\"658\" height=\"370\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/batman-eternamente-1.png 853w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/batman-eternamente-1-300x169.png 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/batman-eternamente-1-150x84.png 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/batman-eternamente-1-768x432.png 768w\" sizes=\"(max-width: 658px) 100vw, 658px\" \/><\/p>\n<p>A receptividade na \u00e9poca foi relativamente mista, ainda que seus aspectos negativos tenham sido reconhecidos at\u00e9 pelos mais ferrenhos f\u00e3s do personagem. O p\u00fablico e a cr\u00edtica estavam ainda apegados ao tom sombrio e g\u00f3tico estabelecido por Tim Burton nos dois primeiros filmes. \u201c<em>Batman Eternamente<\/em>\u201d foi recebido como uma guinada brusca e barulhenta em dire\u00e7\u00e3o ao <em>camp<\/em> e ao comercialismo puro. A sa\u00edda de Burton e de Michael Keaton foi sentida profundamente, e a escolha de Joel Schumacher, cuja filmografia (\u201c<em>Os Garotos Perdidos\u201d<\/em>, \u201c<em>Um Dia de F\u00faria\u201d<\/em>) n\u00e3o sugeria afinidade com her\u00f3is mascarados, mostrou-se um erro crucial. O diretor admitiu ter se inspirado principalmente na s\u00e9rie de TV dos anos 60, e isso explica tudo. A atmosfera \u00e9 deliberadamente kitsch, uma celebra\u00e7\u00e3o do absurdo que ignora completamente a complexidade do homem-morcego.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-139295 alignright\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg\" alt=\"\" width=\"179\" height=\"234\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg 298w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-230x300.jpg 230w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-115x150.jpg 115w\" sizes=\"(max-width: 179px) 100vw, 179px\" \/>Reassistir ao filme 30 anos depois provoca um sentimento peculiar. A princ\u00edpio, a avalanche de m\u00e1s decis\u00f5es criativas ainda assusta. No entanto, visto atrav\u00e9s da lente da nostalgia e da condescend\u00eancia que o tempo concede, \u201c<em>Batman Eternamente<\/em>\u201c ganha um charme acidental. Ele se torna um documento de sua \u00e9poca, um produto de est\u00fadio desesperado para ser pop e vender brinquedos. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o sentir uma ponta de lamento por Val Kilmer, um \u00f3timo ator preso no meio desse furac\u00e3o de mau gosto, tentando em v\u00e3o trazer um pouco de seriedade a um set que mais parecia um circo. \u201c<em>Batman Eternamente\u201d <\/em>n\u00e3o \u00e9 um bom filme, mas tr\u00eas d\u00e9cadas depois, sua falha cat\u00e1rtica e honesta \u00e9, de uma forma estranha, mais digna do que os produtos calculados e sem alma que \u00e0s vezes vemos hoje. \u00c9 um erro glorioso, e como tal, merece ser lembrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Jorge Ghiorzi<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>jghiorzi@gmail.com<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Batman Eternamente: extravag\u00e2ncia neon revisitada Celebrando tr\u00eas d\u00e9cadas desde o seu lan\u00e7amento, \u201cBatman Eternamente\u201d (Batman Forever), dirigido por Joel Schumacher, retorna \u00e0s telas de cinema como um relan\u00e7amento que mexe<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":139279,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147557"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=147557"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147557\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":147564,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147557\/revisions\/147564"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/139279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=147557"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=147557"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=147557"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}